Cooperativa dá prejuízo de R$ 70 mi no Sul de Minas
Os associados da Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), pequena cidade no sul de Minas, vão ter que arcar com rombo milionário por má gestão da antiga diretoria. Entre as irregularidades encontradas, viagens para Inglaterra usando o cartão corporativo da empresa
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Minas 247 – Os mais de 2,5 mil produtores rurais associados à Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), cidade com 18,4 mil habitantes no Sul de Minas, vão ter que arcar com um prejuízo superior a R$ 70 milhões. O rombo se deve a fraudes e má gestão provocado pela antiga diretoria. Falsificação de balancetes, desvio de verba e até viagens para Inglaterra bancadas pela Cooperativa estão entre os problemas encontrados. Os cooperados agora procuram a Justiça para não serem obrigados a cobrir o débito.
Confira a matéria do jornalista Pedro Rocha Franco, do jornal Estado de Minas
Uma série de falcatruas associado à má gestão da antiga diretoria da Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), no Sul de Minas, resultou em rombo superior a R$ 70 milhões para os mais de 2,5 mil produtores associados. Desde viagens para a Inglaterra usando o cartão corporativo da cooperativa até o desvio de valores referentes à comercialização de milhares de sacas de milho, além da falsificação de balancetes e a inclusão do mesmo bem como garantia para obtenção de dois empréstimos, estão inseridas na lista de supostas irregularidades identificadas por auditorias feitas nas contas da cooperativa que comprovaram os desvios. E para piorar: os associados têm sido obrigados a pagar o prejuízo.
Todo os bens foram penhorados. Na lista, uma fábrica de queijo e uma de doce, um posto de gasolina, uma fábrica de ração e dois silos – fora os bens móveis vendidos. Numa ação proposta pela atual diretoria, a Justiça bloqueou os bens dos antigos diretores. “Pelas provas e auditorias foram encontradas muitas irregularidades”, afirma a advogada Divina Alda Brasileiro, representante de mais de 600 associados na ação que tenta anular a cobrança. Na sexta-feira, muitos deles se reuniram para analisar a possibilidade de paralisação dos pagamentos e a dissolução judicial da cooperativa.
A advogada diz que a maioria dos produtores recebe pouco mais de um salário mínimo e, com isso, entra em dificuldade. Pelo entendimento dela, o cooperado não pode ser responsabilizado. O cooperado E. A. F. conta que nem mesmo produzia grande quantidade de leite, mas se viu obrigado a pagar dívida de R$ 8 mil. “Os diretores estão ricos e eu vou ter que pagar a conta”, critica.
O coordenador do Departamento Jurídico da Cooral, Donizete dos Reis Cruz, explica que o rateio foi decidido em assembleia geral realizada no ano passado, pouco depois de a nova direção tomar posse. Quanto aos supostos desvios cometidos, ele afirma que foram movidas ações nas esferas criminal e cível.
Junta formada por três associados e um contador nomeado como administrador judicial ficaram responsáveis por apurar as supostas irregularidades, e paralelamente a Justiça determinou que fosse feita auditoria nas contas da Cooral. Entre outros problemas, verificou-se o sumiço de 250 mil sacas de milho, avaliadas em aproximadamente R$ 5,5 milhões, que estavam depositadas em dois silos da cooperativa. Numa negociação do grão com produtores do Mato Grosso, constatou-se que parte do dinheiro foi direto para a conta do ex-presidente da cooperativa Cesomar Passos de Oliveira. Nesse caso, ele teria embolsado R$ 98 mil, segundo o contador Ricardo Vilela, um dos envolvidos na apuração. “Ele operava o dinheiro da cooperativa como se fosse a própria conta particular”, afirma. O Ministério Público também foi acionado e determinou a abertura de inquéritos policiais para investigar o caso, mas, de antemão, o promotor da comarca de Alpinópolis, Alan Carrijo, ao analisar os documentos, diz que “há sérios indícios de irregularidades” e afirma ser possível identificar uns 10 crimes.
A auditoria, assinada pelo escritório Fernando Motta & Associados, confirmou a adulteração dos balancentes anuais. “Pelas deficiências e irregularidades apresentadas nesse relatório, pode-se concluir que a contabilidade não está refletindo a realidade patrimonial e financeira da cooperativa”, diz texto da auditoria. O Estado de Minas tentou falar com Cesomar Passos de Oliveira e outros integrantes da antiga diretoria, sem sucesso.
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