Conselhão faz pesquisa sobre reforma política

Durante o Pleno, conselheiros responderam a seis perguntas sobre os principais pontos da reforma política, aprovada por 98% dos integrantes do Cdes-RS; fidelidade partidária é defendida por 89% e 83% são favoráveis à convocação de uma Constituinte 

Conselhão faz pesquisa sobre reforma política
Conselhão faz pesquisa sobre reforma política (Foto: Pedro Revillion )


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Débora Fogliatto, Sul21 - O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDERS) debateu a respeito das mobilizações sociais no país e no estado nesta terça-feira (16). No encontro, também foi realizada uma pesquisa interna em tempo real a respeito da reforma política. No início da reunião, alguns conselheiros apresentaram duas recomendações para o governador Tarso Genro.

A Câmara Temática Qualidade da Educação pediu que os recursos provenientes dos royalties do petróleo sejam aplicados na educação e direcionados para o pagamento de salários dos professores. A Comissão de Gestão propôs a instituição da "Sala estratégica de Gestão Permanente", que seria um espaço integrado de planejamento e gestão de grandes investimentos.

O governador afirmou que faria uma proposta por escrito para a Câmara de Educação e lembrou que o projeto do piso salarial para o magistério foi proposto por ele. Tarso também explicou que planeja formar um Comitê de Acompanhamento de Controle, com proposta semelhante ao sugerido pela Comissão de Gestão.

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Após as declarações de 15 conselheiros a respeito das manifestações ocorridas no país, houve uma consulta interna sobre a reforma política. Os participantes receberam um aparelho portátil com botões numerados e responderam às perguntas feitas em um telão conforme suas opiniões. Dentre os conselheiros, 83% se mostraram a favor da implantação de uma Constituinte exclusiva para a realização da reforma política. 67% defenderam que o dinheiro para campanhas políticas seja exclusivamente público e 89% se mostraram contrários à troca de partidos durante mandatos.

"Que gigante é esse que acordou agora?", questiona Tarso sobre manifestações

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Em seu discurso, o governador elogiou as reivindicações por melhorias na saúde pública e no transporte coletivo. Ele ponderou que a falta de qualidade nesses dois setores são questões que "bloquearam a qualidade de vida" de pessoas que tiveram a oportunidade de ingressar na universidade e no mercado de trabalho nos últimos anos.

Para ele, algumas pautas que passaram a surgir durante os protestos, como a rejeição à política e aos partidos, não eram as mesmas que originaram o movimento. "Houve expressamente um processo de formação de opinião manipulado pelas grandes redes de comunicação, que colocaram em destaque a desconstituição da esfera pública", afirmou.

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Tarso citou o protesto ocorrido em frente à Praça da Matriz, quando um helicóptero com um letreiro eletrônico sobrevoava a praça com os dizeres, entre outros: "O Brasil tem futuro. Sem políticos e sem partidos". "A quem essas pessoas estão atendendo?", questionou Tarso. "Nós temos que analisar o movimento com profundidade. O que houve nas ruas foi uma disputa entre pautas. Uma pauta democrática de demandas sobre o estado, particularmente baseada na questão da saúde e do transporte coletivo, e outra anarco-direitista, totalitária, de extinção da política e de partidos, que foi muito bem aproveitada por determinados meios de comunicação", avaliou.

O governador ponderou que o mundo está "no fim de um período histórico", com o desgaste do modelo social-democrata e, ao mesmo tempo, do projeto neoliberal. Ele criticou a ideia de que no Brasil seria necessário iniciar reformas neoliberais, que levariam a privatizações e à diminuição do Estado.

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Tarso criticou os setores da sociedade que alegam que "o gigante acordou" com as mobilizações, dizendo que essa foi a "principal manipulação informativa no decorrer desses movimentos". "Não houve a constituinte em 1988? Nós não fizemos o impedimento do Collor? Nós não lutamos pelas diretas? Nós não tivemos 10, 12 anos de transformação social no país, onde colocamos 40 milhões de pessoas no consumo? Então, o gigante acordou agora? Que gigante é esse? E que reformas esse gigante acordado gostaria de fazer?", indagou o governador. Ele afirmou que tentativas de reformas no sentido de diminuir a política e o Estado não se sustentariam no país.

Também foram expostas as medidas que o governo tomou para responder às manifestações nas ruas: a implantação do passe livre estudantil, que tramita na Assembleia Legislativa; a Câmara de Justiça Restaurativa, um processo para solução de problemas causados por atos de violência que afetem os direitos humanos, individuais ou coletivos, para que os próprios movimentos possam ajudar a corrigir distorções e abusos; o barateamento dos transportes por meio da extinção dos contratos privados de pedágio e a criação da Empresa Gaúcha de Rodovias; a formatação de proposta de conselho estadual de comunicação; a retomada da demarcação e titulação dos territórios indígenas e quilombolas; o aumento real de mais de 40% no salário dos professores até 2014, num índice de 76%, o maior reajuste da história do Estado em quatro anos.

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Pesquisas em detalhe

Durante o Pleno, os conselheiros responderam a seis perguntas sobre os principais pontos da Reforma Política, a qual tem a aprovação de 98% dos integrantes do Cdes-RS. A fidelidade partidária é defendida por 89% e 83% dos conselheiros são favoráveis à convocação de uma Constituinte exclusiva para votar a reforma política. Confira a enquete completa:

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Você é a favor de uma reforma política?

1. Sim 98%
2. Não 02%

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Você é a favor que o atual Congresso Nacional realize a reforma ou prefere que sejam eleitos representantes exclusivos para realizá-la?

1. Congresso atual 17%
2. Constituinte exclusiva 83%

Como deve ser o financiamento de campanha?

1. Exclusivamente público (Fundo partidário) 67%
2. Permite contribuição de empresas e pessoas físicas 15%
3. Apenas pessoas físicas 18%

As alianças entre os partidos, nas eleições, devem ter:

1. Unidade nacional nas coligações 33%
2. Nacional e regional (modelo atual) 67%

Você é a favor de que tipo de voto:

1. Como é hoje, diretamente no nome do candidato 42%
2. Voto em lista, organizada pelos partidos 21%
3. Misto, em lista com nome do candidato avulso 36%

Você concorda que os eleitos possam trocar de partido durante o mandato?

1. Sim 11%
2. Não 89%

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