Como Zé Roberto saiu da lateral-esquerda rumo ao ataque
O jogador do Grêmio começou como lateral-esquerdo na Portuguesa, foi volante na Alemanha e hoje atua como meia-atacante ofensivo, feito um camisa 10
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FiFA - São diversas as histórias de jogadores que, na medida em que suas carreiras avançam, seu posicionamento dentro de campo ruma em direção oposta. A tendência é, com o passar dos anos, recuar. Aconteceu com gente como Lothar Matthäus e Matthias Sammer, por exemplo. Mas há um caso de outro craque que teve longo vínculo com o futebol alemão para o qual as coisas acontecem de um modo diferente: Zé Roberto, que começou como lateral-esquerdo na Portuguesa, foi volante na Alemanha e hoje atua como meia-atacante no Grêmio, ofensivo, feito um camisa 10.
Talvez porque para o jogador, que fez história por Bayer Leverkusen e Bayern de Munique, o futebol nunca tenha ficado excessivamente rápido. Ele sempre esteve no ritmo. Ou melhor: ainda está – mesmo aos 38 anos, recém-completos agora no dia 8 de julho.
"Sempre fui um jogador muito leve, e, quando você une a leveza com técnica e velocidade, isso te dá a possibilidade de jogar em qualquer lugar do campo. Mas acho que, por ter a técnica diferenciada, de poder criar para os atacantes e fazer lances individuais, fui avançando", afirma a mais nova aposta gremista ao FIFA.com. "Agradeço muito pela genética que Deus me deu, pela idade em que cheguei ainda como um jogador de alto nível. Mas eu também sempre me cuidei."
Que lesão?
Zé Roberto não consegue se lembrar de algum percalço físico que tenha afetado a sua carreira. É daqueles que os médicos adoram: nunca dá trabalho. "Ajudou para eu ter essa carreira de quase 18 anos no mesmo nível o fato de que nunca tive uma lesão séria. Essas lesões comuns, nem sei o que são: grau um, grau dois... Nada que tenha me afastado. E, sem lesão, só para de jogar quem quiser."
Nada, também, de noites perdidas: o meia recomenda dormir nos horários adequados, manter a alimentação regrada e trabalhar para ficar em forma. Sempre quando pode, antes e depois dos treinamentos, se dedica ao fortalecimento lombar e das articulações. "Tudo isso coopera para que você chegue nessa idade com alto desempenho. Hoje tenho 70 kg, que é quase o mesmo peso de quando iniciei na Portuguesa: uns 68 kg."
Era só vitrine
Pela Portuguesa, Zé Roberto chegou ao vice-campeonato brasileiro em 1996, ano em que já fazia parte da Seleção. Em 1997, foi para o Real Madrid, mas acabou voltando rapidamente para o Brasil, pelo Flamengo - com receio, segundo as recomendações de Zagallo, de que a reserva na Espanha poderia deixá-lo fora da Copa do Mundo da FIFA França 1998.
Cumprida essa etapa, com mais um vice e a derrota marcante para os Bleus de Zinedine Zidane, era a hora de tentar a Europa novamente. Dessa vez para ser campeão: foram quatro Bundesligas e três Copas da Alemanha pelo Bayern, depois de ter estrelado em algumas das maiores campanhas da história do Leverkusen. Em retrospecto, tendo passaporte alemão, falando a língua com fluência e muitos títulos no currículo, parece que foi tudo fácil e planejado, não? "De modo algum. Fui convencido de que iria para ficar só um ano, que seria como uma vitrine para mim. Nunca passou pela minha cabeça que ficaria tanto tempo, que sairia de lá com passaporte alemão", comenta, rindo, o veterano.
"Foi quase um ano para me aclimatar no Leverkusen. Cheguei no verão, mas, depois de quatro meses, entramos no inverno rigoroso, com neve, temperatura de -7ºC, -10ºC para um brasileiro, sem falar o idioma. A vontade é pegar o primeiro avião e ir embora. Mas como já tinha ido para a Espanha sem sucesso, estava muito focado", afirma. "E cheguei a um clube que dava muito suporte ao estrangeiro. A gente tinha um intérprete e os brasileiros: Emerson, Robson Ponte e Paulo Rink. Suas famílias nos acolheram. Depois deslanchei."
Expectativa
Em Porto Alegre, o meia afirma encontrar uma situação "parecida" com o que tinha na Alemanha. "As pessoas são muito civilizadas, têm muita ordem no trânsito, e o povo é carinhoso", conta. "Espero ter sucesso como tive nos outros clubes por que passei."
Com a companhia de outros dois veteranos com longa carreira na Europa – Gilberto Silva e Fábio Aurélio – e um ataque forte com Kléber e Marcelo Moreno, Zé Roberto sabe que as expectativas são altas por parte da metade gremista de Porto Alegre. Ele só pode um pouco de paciência. "Temos o exemplo recente de grandes clubes que tiveram decepções, mas continuaram trabalhando, confiando, e os títulos vieram. Só preciso de um tempo. Estou voltando agora, após cinco anos fora. Preciso de readaptação. Isso vai acontecer nos próximos jogos. O Grêmio está formando um time para isso e estou engajado", assegura. Engajado e em forma, não se esqueçam.
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