Como se preparar para se aposentar no Brasil dos juros baixos

Quem deseja parar de trabalhar no futuro não pode ficar parado no tempo "chocando os ovos de ouro". Veja como tomar as rédeas do seu plano de previdência privada para proteger o poder do seu dinheiro

Como se preparar para se aposentar no Brasil dos juros baixos
Como se preparar para se aposentar no Brasil dos juros baixos (Foto: Shutterstock)


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Luciane Macedo _247 - Como estará o Brasil daqui dez, 20 ou 30 anos? Viveremos mais do que imaginamos? Ninguém tem estas respostas. Mas se o Brasil caminha, de fato, para ter juros baixíssimos, como se pratica em economias desenvolvidas, e se, com a expectativa de vida aumentando, tendemos a viver (e, consequentemente, trabalhar) mais, então é hora de começar a se preparar para a aposentadoria dentro de projeções realistas.

Uma coisa é certa para quem pretende, um dia, parar de trabalhar: não dá mais para ficar parado no tempo, "chocando os ovos de ouro" do plano de previdência privada. Diante destas duas variáveis, juros em queda e expectativa de vida em alta, quem tomar as rédeas do futuro o quanto antes tem maiores chances de não se decepcionar lá na frente.

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Para se aposentar com o dinheiro que você imagina ser uma boa e confortável quantia hoje, quando ainda vivemos dias de juros altos em aplicações de longo prazo, será preciso, entre outras medidas (veja abaixo), aumentar o valor dos aportes mensais à medida que os juros caem, porque, com eles, também os rendimentos serão menores. Você pode não saber como será o amanhã, mas pode se planejar e assumir uma postura atenta e ativa para se aposentar bem, como sempre sonhou -- ou o mais próximo possível deste ideal.

"O máximo que pode acontecer para quem se preparar para um cenário de juros bem baixos e o Brasil voltar a ter juros altos é a pessoa se descobrir, lá na frente, com uma aposentadoria milionária com todo o capital acumulado", comenta André Massaro, educador financeiro da MoneyFit.

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É que, além de acumular mais, as pessoas terão de fazê-lo por mais tempo. "Para acumular patrimônio, será o jeito, terão de contribuir mais por mais tempo, e, eventualmente, as pessoas irão até se aposentar mais tarde", assinala Massaro. "Poucas pessoas vão poder se dar ao luxo de parar de trabalhar, mas poderão ter um trabalho mais light se fizerem um bom planejamento para se aposentar".

O educador chama a atenção, também, para a faixa etária em que grande parte dos brasileiros começa a investir em um plano de previdência privada. "Hoje, grande parte começa a contribuir com 30 ou 35 anos, mas as pessoas terão de começar mais cedo", orienta o educador financeiro da MoneyFit. "Tem que começar com o primeiro dinheiro que receber na vida".

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Procure as taxas mais atraentes

Mas antes mesmo de avaliar seu orçamento com vistas a poder aumentar o valor depositado mensalmente no plano de previdência privada, será preciso olhar para os custos do investimento.

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A taxa de carregamento que incide toda vez que se deposita dinheiro no plano pode chegar a 5% -- ou seja, a cada R$ 100,00 depositados, só R$ 95,00 são aplicados, os outros R$ 5,00 ficam com a instituição financeira para cobrir suas despesas. "A taxa de carregamento é ainda mais danosa que a de administração, ela mata a vantagem do produto inteiro", adverte Massaro.

A Caixa Previdência lançou, neste mês, novos planos isentos de taxa de carregamento, o que dá aos clientes a oportunidade de aumentar os aportes com custo zero. Anteriormente, somente fundos com valores acima de R$ 100 mil estavam isentos da taxa de carregamento. Já a taxa de carregamento que incide na saída de recursos também ficou mais atraente nos novos planos. Quanto mais tempo o investimento fica rendendo, menor é a taxa de carregamento na saída, que pode chegar a 0%.

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A taxa de administração, que gira em torno de 3% ao ano no mercado, varia, nos novos planos da Caixa Previdência, entre 0,5% e 2%. "Para um planejamento realista, a taxa de administração deve ser menor que 1%", recomenda Massaro. "Hoje, ainda temos juros reais entre 3,5% e 4% ao ano", assinala. "Mas em cenário com uma taxa de juros reais mais civilizada, algo como 2% ao ano, qualquer plano de previdência que cobre uma taxa de administração de 1% já compromete metade de rentabilidade real".

Para usufruir das vantagens dos novos planos, válidas para novos clientes, quem já tem recursos na Caixa Previdência deve migrar para as novas carteiras. Também é possível transferir um plano de aposentadoria de uma insituição a outra através da portabilidade, sem custos administrativos ou Imposto de Renda, desde que os planos sejam da mesma natureza -- ou seja, de um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) para outro ou de um VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) para outro. Caso queira mudar de um PGBL para um VGBL, incide imposto sobre o resgate.

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Produtos mais competitivos

Os novos fundos de investimento da Caixa Previdência também oferecem mais opções para se adequar melhor a diferentes perfis. Com juros em queda, a busca de boas rentabilidades reais terá de incluir mais risco do que a maioria das pessoas se habituou durante anos, surfando nos juros altos.

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As próprias empresas de previdência privada terão de se adaptar à nova realidade, oferecendo não apenas taxas atraentes, mas, também, produtos mais competitivos. A maioria dos fundos de previdência privada investe seus recursos integralmente ou quase em títulos de renda fixa. Mas, em uma economia de juros reais que podem até ser negativos, como acontece em países desenvolvidos, investir em renda fixa significa, na quase totalidade dos casos, ter o dinheiro corroído pela inflação. "São poucos os lugares onde se conseguem retornos reais (acima da inflação) em renda fixa e com pouco risco", comenta Massaro. Um deles ainda é o Brasil. Mas não sabemos até quando, por isso, o próprio setor já começa a se mexer.

"Percebemos uma mudança de paradigma com a redução das taxas de juros, e a indústria se movimenta", observa Juvêncio Braga, diretor da Caixa Previdência. "A tendência é que o cliente tenha cada vez mais opções de ativos para poder montar seu plano de previdência privada, buscando sempre uma maior diversidade à medida que os juros diminuem".

Segundo Massaro, as pessoas terão de aprender a conviver com volatilidade e risco se não quiserem chegar ao momento da aposentadoria falidas ou com muito menos do que esperavam. "A pessoa pode até conseguir 8% ao ano, uma rentabilidade parecida com a que temos hoje, mas não dá para conseguir isso com renda fixa, tem que ir para a renda variável", indica o educador financeiro. "O risco vai fazer parte da vida. No longo prazo, a renda variável tende a ser vencedora, mas o caminho é cheio de solavancos".

De modo geral, quanto mais tempo a pessoa tiver até a aposentadoria ou quanto mais jovem for, mais ênfase ela pode colocar em renda variável no seu plano de previdência privada. "É que, quanto mais tempo, maiores as chances de vender ações com lucro", explica Massaro. "Se a pessoa estiver perto de se aposentar, pode ser que ela tenha que sair da aplicação em renda variável durante uma tremenda baixa na Bolsa", prossegue o educador financeiro. "Então, quanto mais próximo da aposentadoria, tem que evitar o risco".

Mas este equilíbrio entre renda fixa e variável, ao longo dos anos, é o próprio titular do plano quem terá de rever de tempos em tempos. Para mudar o perfil de suas aplicações em previdência privada, aumentando ou diminuindo a posição em ações conforme surgirem boas oportunidades na Bolsa, será necessário estar minimamente bem informado. À medida que os juros caem e a renda fixa perde cada vez mais atratividade, quem não souber equacionar os riscos das aplicações de maneira adequada tem na educação financeira sua primeira e melhor aliada.

"Teremos de aprender a conviver com baixos retornos, alta volatilidade e planejamentos mais realistas, especialmente para a aposentadoria", constata o educador financeiro da MoneyFit. "O maior risco para quem quiser segurança no futuro será, justamente, não correr nenhum risco", arremata Massaro.

Mais acessível ao bolso

Os novos planos da Caixa Previdência também ficaram mais acessíveis ao bolso. O valor dos aportes mínimos caiu de R$ 50,00 para R$ 35,00. Um incentivo e tanto, com custo zero, para se fazer aportes sempre que sobrar qualquer dinheiro que poderia ser facilmente gasto em consumo, e também um estímulo a poupar com destino certo, o plano de aposentadoria.

"Diminuímos o valor mínimo dos aportes porque vemos um movimento cada vez maior de um grupo de pessoas que está com renda disponível e está preocupada com o futuro", comenta o diretor da Caixa Previdência. "As pessoas estão percebendo que vão viver mais que seus avós e estão preocupadas em como financiar o seu futuro".

De acordo com a Pesquisa Global de Opinião dos Investidores de 2012, realizada pela Franklin Templeton, 60% dos brasileiros entrevistados disseram que poupam até 15% de sua renda para a aposentadoria.

A preocupação com a aposentadoria e o hábito de poupar na expectativa de garantir um futuro tranquilo são, também, cada vez mais expressivos entre as classes D e E, que estão ganhando acesso a planos de previdência e de saúde com o aumento de sua renda e a segurança no emprego.

A edição 2012 da pesquisa O Observador Brasil, da Cetelem BGN em parceria com a IPSOS–Public Affairs, mostra que as classes D e E gastaram mais do que a classe C em previdência privada no ano passado: foram R$ 59,00 em média por família, contra R$ 51,00 na classe média emergente.

A arrecadação dos planos de previdência privada atingiu R$ 5,6 bilhões em março, com um aumento de 38,48% em relação ao mesmo período do ano anterior, é o melhor resultado para o terceiro mês do ano desde 2008. Os dados são da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Os planos individuais foram os que mais cresceram (43,41%), com aportes de R$ 4,9 bilhões.

"A forte expansão na arrecadação no mês de março reflete o comportamento de um maior número de investidores adotando a previdência complementar aberta para formação de poupança de longo prazo e instrumento para planejar a aposentadoria", avalia Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi.

No trimestre, a arrecadação também foi expressiva, e bateu a marca de R$ 14,8 bilhões, contra os R$ 11,7 bilhões dos três primeiros meses de 2011. Os planos individuais obtiveram também o maior crescimento (27,53%), com R$ 12,6 bilhões em aportes.

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