Com discurso franco e emocionante, Déda coloca ponto final no Proinveste

Em ato da sanção do projeto que permite o empréstimo de R$ 567 milhões, o governador Marcelo Déda (PT) se emociona, faz referência especial a todos os políticos sergipanos que atuaram pela aprovação do Proinveste, rechaça críticas, minimiza rebeliões e destaca importância do Proinveste para Sergipe; em longo pronunciamento, chora e diz que “maior dor” é não poder ver o sorriso dos sergipanos, quando inaugura obras; governador dá a entender que se afastará temporariamente das atividades para se concentrar no tratamento, mas descarta renúncia ao mandato; “enquanto Deus me der força e a medicina conseguir me manter em pé, eu continuarei buscando trabalhar pelo Estado de Sergipe, dentro do mandato que o povo sergipano me deu”  

Com discurso franco e emocionante, Déda coloca ponto final no Proinveste
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Qualquer adjetivo se apequena diante do discurso do governador Marcelo Déda (PT) durante a solenidade de sanção do projeto de empréstimo de R$ 567 milhões, do Programa de Apoio ao Investimento nos Estados (Proinveste), na manhã desta segunda-feira (13). Generoso nas palavras e nos sentimentos, Déda deu o tom final em torno da polêmica discussão sobre o famigerado projeto, que durante os últimos sete meses, pautou a política em Sergipe.

Não houve lacunas nos quase 50 minutos de falação do governador, que reconheceu a importância de todos os quadros políticos do Estado, envolvidos no debate que culminou na aprovação do Proinveste. Fez referências elogiosas ao prefeito João Alves Filho (DEM), ao senador Eduardo Amorim (PSC), à presidente da Assembleia Legislativa, Angélica Guimarães (PSC), aos líderes de bancada Gustinho Ribeiro (PSD) e Venâncio Fonseca (PP), ao vice-governador Jackson Barreto (PMDB) e ao senador Valadares (PSB) – estes dois últimos ausentes do evento.

E deu lições preciosas do fazer política. “A política se opera sobre a história. E a historia é móvel, não é paralisada. Quem faz política sem bússola, sem um programa, sem uma visão de mundo, sem o desejo de servir, sem a compreensão da missão, sem princípio na política, quebra a cara no primeiro poste, porque não sabe para onde vai. Luta pelo poder pelo poder ou pelas benesses que proporciona. Sem bússola, não há política”, disse Déda, citando antes uma cena do filme “Lincoln”, que conta a história do ex-presidente dos Estados Unidos.

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Citou também Karl Max, para justificar a importância do político que precisa ter convicção para alcançar seus objetivos. “Político sem convicção é como papel que o vento leva e não deixa marcas, não inspira a juventude, não constrói seguidores. Político tem que ter responsabilidade. E responsabilidade é a capacidade de manter o norte, conservar sua convicção, mas operar no presente”, afirmou.

Sobre o Proinveste, traçou linhas gerais da concepção do programa e fez um relato de como se deu a negociação desde a reabertura das conversas, em janeiro. Segundo Déda, ele só procurou a oposição (leia-se João Alves, Angélica e Amorim) após ter a concordância de Jackson, Valadares, do deputado federal Rogério Carvalho (presidente estadual do PT), do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B) e da bancada governista. Não deixou de citar o estímulo da presidente Dilma Rousseff (PT) para que ele continuasse insistindo na aprovação do projeto.

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“O Proinveste é o nosso norte, mas a nossa caminhada teria que ser feita levando em conta uma realidade inexorável da democracia: o Governo não tinha maioria na Assembleia Legislativa. E como aprovar sem convencer a oposição, sem prestar esclarecimentos aos seus líderes de que não comprometeria o futuro de Sergipe? E nós buscamos explicar e fomos construindo as condições”, justificou.

Para Déda, “não adianta procurar quem ganhou e quem perdeu”. “Aliás, quem ganhou é fácil, foi o Estado de Sergipe. Então, meu dever no dia de hoje não era fazer uma sanção escondida, burocrática. Era fazer um ato político em homenagem a política com p maiúsculo, em homenagem a uma característica da vida pública sergipana, que causa tanta inveja no Brasil: é que quando nós vamos para uma batalha, vamos mesmo para a batalha”, disse.

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Traçada a parte mais burocrática do seu pronunciamento, Déda foi franco e honesto sobre as dificuldades que a doença (um câncer no estômago, que enfrenta desde setembro) lhe impõe. “Eu não sou melhor do que ninguém, mas também não me sinto pior do que ninguém. Mas Deus me deu uma grande prova. Passei mal no dia de ontem. E o dia de ontem inteiro até a hora de dormir, estava preocupado como iria acordar hoje. Pedia a Deus que eu pudesse estar aqui, porque se eu não viesse, iriam interpretar de mil maneiras. Mas Deus é pai e meu deu forças para estar aqui”, relatou.

Prosseguiu: “E estou aqui por dois grandes motivos: primeiro, porque eu fiz da política a minha grande vocação, a minha vida. A política me deu tudo: prestigio, visibilidade, um salário, é do que vivo. Os sergipanos me deram algo difícil de encontrar num político brasileiro: quatro eleições do Executivo ganhas no primeiro turno (duas de prefeito, duas de governador). Como não retribuir? Como desistir, como deixar pra lá? Eu não consigo, eu não consigo, eu não consigo. Não sou capaz de decifrar os enigmas de Deus. Deus é insondável. O que ele está querendo com isso, não sei e nunca saberei. Mas me compete, na história, que é no terreno onde sempre operei, buscar fazer aquilo que me fez Marcelo Déda”, disse.

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E foi ainda mais sincero. “Não é fácil, não sou tão forte como vocês pensam. Eu choro. Mas tudo tem uma razão de ser. E o que me faz estar de pé, o que me faz passar os últimos 20 dias, enchendo o saco de Valmor (Valmor Barbosa, secretário da Infraestrutura), chamando ele três quatro vezes no meu gabinete, para me dar o cronograma de licitações, mandando ele viajar para São Paulo para encontrar projetista para acelerar os projetos, perguntando como vai ser cada obra, agoniado para que quando o dinheiro cair na conta possa começar a fazer as licitações, às vezes chegando cansado em casa sem conseguir voltar a tarde para o palácio, é o amor. Faço por amor ao meus filhos, ao meu povo, a Sergipe, e por um conceito que não pode faltar em nenhum governante, a responsabilidade”, disse.

Déda também falou sobre um possível afastamento temporário das atividades de governo. “Meus médicos estão pedindo para que eu tire uns 15 dias para me concentrar no tratamento. Comecei a fazer fisioterapia, massagens, terei uma agenda menos governista e mais dedista para cuidar deste corpo”, afirmou. Mas ressaltou que não renunciará ao mandato: “Quero dizer aos sergipanos que enquanto Deus me der força e a medicina conseguir me manter em pé, eu continuarei buscando trabalhar pelo Estado de Sergipe, dentro do mandato que o povo sergipano me deu, com o apoio de Jackson e dos meus secretários. Não acreditem que o Estado está parado. Tenho despachado sempre, de onde estou. Acompanho todas as questões de Sergipe. Só paro quando estou na quimioterapia. O Governo não para”, disse.

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No entanto, o governador lamentou não poder entregar ele próprio algumas obras. Foi neste momento em que mais se emocionou. “Temos sete rodovias para entregar. Não sei se estarei presente, mas vou autorizar o vice entregar, porque não quero que nada se atrase, em função de mim. É claro que tem obras que planejei, que escolhi fazer, como, por exemplo, o revestimento asfáltico de Santa Rosa do Ermírio a Sítios Novos. Meu coração fica pesado porque eu queria estar lá. Muito mais do que estar lá para cortar a fita, muito mais do que por vaidade, eu queria estar ali para ver aquilo que me fez entrar na política, que é o sorriso do meu povo, a felicidade da entrega da obra. A maior dor tem sido essa. Fazer a obra e não colher os sorrisos. No fundo é o maior ordenado que eu tenho, é o sorriso na face dos sergipanos. Hoje fiquem felizes todos, da oposição e do Governo, porque os senhores semearam sorrisos. Sorrisos que eu não sei se vou colher, mas quando forem colher, lembrem-se de mim”,  afirmou.

Foto: Marcos Rodrigues/Arquivo Pessoal 

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