Com apoio do PIB, Aécio busca a paz no PSDB
Pesquisa feita com cerca de 100 executivos das maiores empresas privadas do País revela que os homens de negócios preferem Aécio Neves, mas apostam na vitória de Dilma; na véspera da convenção nacional do PSDB, quando deverá assumir a presidência da legenda, o senador mineiro oferece cargos no comando tucano a alckmistas e serristas; em entrevista, afirma que 'o PT se contenta em administrar a pobreza'
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Minas 247 – Na véspera de assumir a presidência do PSDB, o senador e pré-candidato à presidência Aécio Neves (MG) faz costuras para garantir a paz dentro do partido – ainda dividido sobre o lançamento de seu nome –, ganha munição para apoiar seus discursos – uma pesquisa revela que o empresariado tem preferência por ele – e mantém suas duras críticas ao governo de Dilma Rousseff. A mais nova delas, feita em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira, é de que 'o PT se contenta com a administração da pobreza'.
Na conversa com o jornal do Rio de Janeiro, Aécio já assume um discurso de presidente do PSDB ao dizer que o partido entra numa nova fase de organização interna, mais interlocução com a sociedade e nova agenda para os próximos 20 anos. O tucano usa também uma defesa surgida há poucos dias na imprensa, a de que é o PSDB o pai dos programas sociais pelos quais o ex-presidente Lula, do PT, leva os créditos. "Vamos resgatar nossa história, mostrar que a matriz da transferência de renda é do governo do PSDB, e dar um passo além", afirmou.
Das críticas ao governo, ele vai desde o slogan do governo federal – "país rico é país sem miséria", sobre o qual diz: "Para nós, país rico é país com Educação" – passa pela inflação, como vem fazendo há meses, e aponta "ineficiência" como a maior fragilidade da gestão da presidente Dilma. "(...) Se há uma carência grande hoje é de gestão. O Brasil não anda, porque o governo é paquidérmico e não tem foco. O governo do PT parece se contentar com a administração da pobreza. Para nós, o objetivo é a superação da pobreza", diz o tucano.
Para ele, outro ponto essencial é "resgatar os pilares fundamentais da economia, que o PT manteve no início, mas veio flexibilizando". E promete: "Meta de inflação num governo do PSDB será no centro da meta". Por fim, garante que em sua campanha, mostrará que seu partido pode fazer melhor e que o PT, atualmente no poder, "se apropriou das ideias do PSDB", a exemplo, segundo Aécio, dos programas de transferência de renda, concessões de petróleo e gás e, agora, a modernização dos portos. "Resumo da ópera, quando o PT tucana, ele vai bem; quando o PT sucumbe ao seu viés autoritário, o Brasil vai mal".
Costuras
Para construir a paz no partido, atualmente dividido, Aécio já costura alianças, especialmente com tucanos paulistas – os mais resistentes com a definição de seu nome e que, no caso de alguns, ainda defendem a candidatura do ex-governador José Serra. Uma das estratégias é entregar postos chave da Executiva para nomes indicados pelo governador Geraldo Alckmin e por Serra.
Dois nomes incluídos com a aliança são o do deputado Mendes Thame, que assumirá a secretaria-geral do partido, e do ex-governador Alberto Goldman, que permanecerá na vice-presidência. O vereador Andrea Matarazzo é outro que deve ganhar um cargo na direção, a ser definida neste sábado, durante a convenção nacional do partido, em Brasília. Enquanto isso, o mineiro garante que está tudo em paz com os paulistas: "Tudo pacificado, o Serra inserido. Para alguém da qualidade da história política do Serra, sempre haverá espaço para contribuir".
Empresários preferem Aécio, mas acham que Dilma leva
Ponto a ser usado a favor de Aécio, uma pesquisa realizada com 97 presidentes das 200 maiores empresas do setor privado do País revela que, insatisfeita com o setor macroeconômico, a maior parte do empresariado brasileiro tem preferência pelo tucano.
Segundo o estudo feito pelo Fórum da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) no mês passado, 66% dos executivos votariam em Aécio – um crescimento significativo ante os 56% de agosto do ano passado.
Os dirigentes que são referência na comunidade empresarial, no entanto, acreditam que sua opinião não é a mesma do eleitorado. E apostam, ao menos a maioria deles (68%), que a presidente Dilma conquistará a reeleição em 2014.
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