Classe média de SP quer Paris, mas não quer pagar por isso, diz chefe da Sabesp

Para o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, a classe média paulista quer ter serviço de qualidade europeia, mas sem pagar a mais por isso; ele defende um pacto social por uma nova tarifa de água e esgoto no Estado; no modelo, por exemplo, uma conta de água mais cara para a classe média permitiria arrecadação suficiente para ampliar o saneamento dos mais pobres; "Não é razoável algumas entidades de classe cobrarem [a Sabesp] por um serviço de padrão europeu e, ao mesmo tempo, exigir uma tarifa que não é europeia. De maneira geral, no Brasil, a tarifa é baixa se comparada à de primeiro mundo. A velocidade com que queremos avançar ao padrão de primeiro mundo, no padrão suíço, depende da população", afirmou

Sao Paulo-SP 09 de Dezembro de 2014. 121.  Reunião COSEMA. Palestra "A Crise de Agua no Brasil", palestrante Jerson Kelman.   Na foto, Jerson Kelman. (foto: Tamna Waqued)
Sao Paulo-SP 09 de Dezembro de 2014. 121. Reunião COSEMA. Palestra "A Crise de Agua no Brasil", palestrante Jerson Kelman. Na foto, Jerson Kelman. (foto: Tamna Waqued) (Foto: Giuliana Miranda)


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SP 247 - O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, criticou a postura da classe média paulista, que, segundo ele, quer ter serviço de qualidade europeia, mas sem pagar a mais por isso. Kelan defende um pacto social por uma nova tarifa de água e esgoto no Estado.

De acordo com sua proposta, ainda a ser encaminhada à agência reguladora, uma conta de água mais cara para a classe média, por exemplo, permitiria arrecadação suficiente para ampliar os investimentos e resolver num prazo menor o deficit de saneamento –hoje 31% das moradias ainda não contam com tratamento de esgoto.

As informações são de reportagem de Eduardo Scolese e Fabrício Lobel na Folha de S.Paulo.

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No ano passado, a Sabesp, empresa de capital misto sob o controle do governo do Estado, lucrou R$ 2,9 bilhões, dos quais a empresa se compromete a reverter 75% em investimentos em saneamento.

'Não é razoável algumas entidades de classe cobrarem [a Sabesp] por um serviço de padrão europeu e, ao mesmo tempo, exigir uma tarifa que não é europeia. De maneira geral, no Brasil, a tarifa é baixa se comparada à de primeiro mundo. A velocidade com que queremos avançar ao padrão de primeiro mundo, no padrão suíço, depende da população. Os suíços pagam mais. Interessa a todos dar condições à Sabesp para que ela preste melhores serviços e, ao mesmo tempo, possa exigir isso dela. A classe média não pode ir para Paris e dizer querer que São Paulo seja igual a Paris, ou Londres, sem querer se comportar como parisiense e londrino.

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Outro ponto é que o preço do metro cúbico de água para casas não é o mesmo para prédios públicos e indústrias. Não é razoável que o metro cúbico de água em uma escola pública ou em um hospital possa custar quase oito vezes [a mais] o que custa a uma família de classe média. A ideia é diminuir a distância entre esses dois setores.'"

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