Celular e avanço de sinal, vilões do trânsito de BH
Dados do Detran-MG mostram números impressionantes: falar ao telefone móvel enquanto dirige dá 11 multas por hora na capital mineira; já avançar o sinal vermelho rende 15 multas a cada 60 minutos
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Minas 247 - Dois vilões do trânsito em Belo Horizonte: falar ao telefone celular enquanto dirige e avançar o sinal vermelho. Segundo série de reportagens do jornal O Tempo, as duas infrações respondem por boa parte das multas na capital mineira.
No caso do celular, apenas no primeiro trimestre já foram 23.473 multas. Dá espantosas 260 infrações por dia, ou uma média de 11 por hora. Já com relação ao avanço de sinal, os 39 detectores de avanço indevido em BH multaram este ano 318% a mais do que no ano passado. Nos três primeiros meses de 2012, foram nada menos que 38.810 autuações, ou 376 por dia e 15 por hora.
Leia abaixo a boa reportagem das jornalistas Natália Oliviera e Joana Suarez, no jornal O Tempo:
Falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo se tornou um hábito entre os motoristas de Belo Horizonte. Segundo dados do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), neste ano foram 260 infrações por dia, uma média de 11 por hora. Durante todo o primeiro trimestre deste ano, foram 23.473 motoristas multados. Para especialistas e responsáveis pelo trânsito na capital, o número é alarmante e mostra a despreocupação dos motoristas com a punição e com o perigo que a infração representa.
A reportagem de O TEMPO esteve nos cruzamentos do entorno da praça da Liberdade, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul da capital, um dos locais mais movimentados da cidade. Em apenas uma hora, 17 motoristas foram flagrados dirigindo e falando ao celular. Embora não divulgue os dados, o comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, tenente-coronel Roberto Lemos, diz que falar ao celular é a segunda infração mais cometida em Belo Horizonte e só perde para o estacionamento em local proibido.
O coronel explica que o problema se repete em todas as ruas da cidade. Segundo ele, os motoristas tentam burlar os agentes de trânsito fechando os vidros de seus carros. "Todos os dias, o número de multas é alarmante, todos os agentes registram ao menos uma. Por mais que o motorista tente fechar o vidro, os agentes conseguem vê-lo", explica. Dos 17 motoristas flagrados pela reportagem, dez estavam com os vidros fechados. Lemos alerta que os motociclistas também devem ficar atentos, pois também ficam sujeitos aos acidentes.
O auxiliar administrativo Izael Martins, 26, confessa que já dirigiu e atendeu o celular ao mesmo tempo, mas reconhece que é errado. "Às vezes, a gente tem urgência em atender uma ligação e acaba cometendo essa infração, mas eu sei que tira a atenção e que é perigoso bater", contou.
A arquiteta Aline Mattos, 38, já sentiu na pele os efeitos dessa distração. "Eu tinha mania de atender o telefone, me maquiar e fazer as unhas dirigindo, até um dia em que bati o carro e precisei fazer uma cirurgia no braço. Hoje, todas as vezes que preciso atender o celular, encosto o carro", disse.
Para a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em segurança no trânsito Heloísa Maria Barbosa, o problema é que as pessoas não consideram utilizar o celular e dirigir ao mesmo tempo uma infração.
"Elas não sabem o quanto é perigoso dirigir e falar ao celular, tira muito a atenção", disse. Segundo ela, por mais que as pessoas tenham curiosidade em atender o telefonema, elas devem encostar o carro.
Mesmo sem acreditar que dirigir e conversar ao telefone é um problema, muitos motoristas acabam aprendendo a lição depois que são multados. É a essa lição que o comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, tenente-coronel Roberto Lemos, credita a redução no número de infrações cometidas em Belo Horizonte.
No primeiro trimestre de 2012, houve uma redução de 35% das infrações registradas na capital em relação ao mesmo período de 2011. Em 2012, nos três meses, foram 23.473 enquanto, em 2011, foram 36.119. Ao longo de todo o ano passado, foram 134.332 multas.
"Não deveria ser assim, mas é só quando dói no bolso que as pessoas param de burlar a lei".
Avanço de sinal
Prestes a completar um ano em funcionamento, os 39 detectores de avanço de sinal espalhados por Belo Horizonte representaram um crescimento de 318% no número de multas aplicadas aos que não respeitam o sinal vermelho. Balanço do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) sobre os três primeiros meses deste ano mostra que, a cada dia, pelo menos 376 motoristas são multados na capital pela fiscalização eletrônica. A cada hora, são 15 infrações.
Entre janeiro e março foram 38.810 autuações, sendo 33.878 flagradas pelos radares e 4.932 por agentes de trânsito. No mesmo período de 2011, quando apenas os agentes - policiais militares e guardas municipais - registravam esse tipo de infração, foram 9.267 multados.
Em apenas seis meses de operação (de julho a dezembro de 2011), os radares registraram quase o dobro de todas as multas aplicadas pelos fiscais de trânsito ao longo de todo ano. As autuações feitas pelos agentes, por outro lado, caíram quase pela metade neste ano - passaram de 9.267 no primeiro trimestre de 2011 para 4.932 no mesmo período de 2012.
Embora não divulgue os dados, o comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, tenente-coronel Roberto Lemos, afirma que a fiscalização eletrônica ajudou a diminuir significativamente os acidentes nos cruzamentos mais perigosos. Segundo ele, na avenida Amazonas, esquina com a rua Conde Pereira Carneiro, na Gameleira, as ocorrências, antes constantes, praticamente acabaram com o radar. "Muitos motoristas ainda têm o costume de ver o sinal amarelo e acelerar, ao invés de diminuir, mas já estamos sentindo uma queda grande nas batidas", disse. Nem a PM nem o Detran-MG forneceram estatísticas de acidentes em cruzamentos.
Os aparelhos foram distribuídos nos locais com maior índice de acidentes na capital. A grande maioria está nos principais corredores de tráfego. A avenida Amazonas é a mais vigiada: tem sete radares. Em seguida, vêm a Andradas e a Afonso Pena, que têm, cada, cinco radares de avanço de sinal.
A contadora Thaiza Aparecida Braga, 24, foi multada em janeiro após avançar o sinal vermelho. "Não consegui parar quando vi o sinal amarelo porque estava em alta velocidade. Agora, fico de olho: amarelou, já paro".
O comandante do Batalhão de Trânsito alerta que muitos motoristas têm o costume de querer arrancar o veículo quando o sinal do pedestre começa a piscar indicando que o semáforo ficará verde. "Nessa hora, quem avançou o sinal na outra ponta vai de encontro com os apressadinhos".
iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popularAssine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247