Caso Chalita “parece repetição de práticas tucanas”
Para o ex-ministro José Dirceu, a revelação de uma suposta oferta de R$ 500 mil do deputado Walter Feldman para que se bancasse uma denúncia contra o peemedebista é "gravíssima" e tudo indica, segundo o petista, que o MP "prevarica" ao não ouvir o denunciante Milton Leme, quem primeiro citou o nome do tucano
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 – O ex-ministro José Dirceu considera "gravíssimas", caso verdadeiras, as acusações do ex-diretor da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) Milton Leme sobre a oferta de propina para bancar uma denúncia contra o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB). Segundo o petista, tudo indica que o Ministério Público Estadual "prevarica" em não investigar e em não querer tomar o depoimento de Leme, que diz ter havido uma proposta de R$ 500 mil por parte deputado tucano Walter Feldman, na época coordenador da campanha de José Serra pela Prefeitura de São Paulo. Tal atitude do órgão, na opinião de Dirceu, contraria o comportamento apresentado nos últimos anos, "ativíssimo contra os adversários do PSDB".
Leia abaixo a íntegra do texto de Dirceu sobre o assunto, publicado em seu blog:
Escândalo que envolve Chalita parece repetição de práticas tucanas
O escândalo já ocupa a mídia há alguns dias e eu tenho evitado comentá-lo, mas hoje um ex-diretor da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), Milton Leme, executivo no órgão na época em que o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) era o secretário de Educação do Estado, afirma ter recebido uma oferta de dinheiro para acusá-lo.
O escândalo foi deflagrado pelo analista de sistemas Roberto Grobman, que trabalhou com Chalita na Secretaria de Educação do Estado. Ele afirmou ao Ministério Público Estadual (MPE-SP), e depois à mídia, que Chalita, quando secretário, recebia malas de dinheiro e teve a reforma de um apartamento paga ppor uma empresa que trabalhava na área da educação, a COC, em troca de contratos na Pasta.
As acusações de Grobman levaram o MPE-SP a instaurar 11 inquéritos contra Chalita. Ao fazê-las, ele disse estar acompanhado pelo jornalista Ivo Patarra, que então trabalhava na campanha de José Serra. Patarra já confirmou que acompanhou Grobman quando ele foi fazer as denúncias.
A oferta de dinheiro a Milton Leme
A propina, R$ 500 mil, segundo conta Leme à Folha de S.Paulo, lhe foi oferecida num telefonema, por Roberto Grobman, para que ele sustentasse acusações de corrupção contra Chalita, De acordo com Leme, Grobman sugeriu que a origem do dinheiro era a campanha a prefeito do ex-governador José Serra, que no ano passado disputava a prefeitura paulistana com Chalita, na eleição vencida pelo prefeito Fernando Haddad.
Leme conta que Grobman lhe fez a oferta depois que os dois mantiveram um encontro no Shopping Higienópolis com o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), que trabalhava na campanha de José Serra. Leme diz não ter provas. Ele conta que procurou o MPE-SP para prestar depoimento ontem, mas os promotores se recusaram a ouvi-lo por considerarem impróprio na atual fase dos inquéritos.
"Não conheço os fatos nem as pessoas citadas", defendeu-se Serra ao falar à Folha sobre Roberto Grobman e Milton Leme. Feldman confirma o encontro no shopping com Leme e Grobman e que este fez acusações contra Chalita. Complementa que a conversa que teve com o denunciante "foi muito boba" e completa lembrando o que disse a Grobman: "Nós não trabalhamos com esse tipo de acusação. Se você tem alguma denúncia apresente ao Ministério Público. É onde esse tipo de investigação deve ser feita".
Evitando abrir investigação sobre José Serra e Walter Feldman
As acusações de Milton Leme, se forem verdadeiras, são gravíssimas. O fato inusitado é a recusa do MPE-SP de tomar o depoimento do denunciante ontem, evidentemente para evitar a abertura de uma investigação sobre o ex-governador José Serra e o deputado Walter Feldman. O que se verifica, pela leitura das denúncias é que todos os fatos narrados apontam para a campanha de José Serra e seus dossiês - como aliás disse o deputado Chalita ao defender-se quando da eclosão do escãndalo.
Os fatos são gravíssimos, e tudo indica que o MPE-SP prevarica em não ouvir o denunciante Milton Leme e em não investigar, contrariando seu comportamento nos últimos anos, ativíssimo contra os adversários do PSDB. Inclusive nas denúncias agora contra Chalita que o levaram a instauração de 11 inquéritos para apurar as acusações ao deputado.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247