Carl Hart: “É preciso parar de usar o termo cracolândia”

Professor de Psiquiatria na Universidade de Columbia, uma das 10 melhores do mundo, Carl Hart disse que ao usar o termo "cracolândia" é centrar o problema no uso de drogas; para Hart, em vez disso, é preciso focar em educação, saúde e oportunidades para essas pessoas marginalizadas

Professor de Psiquiatria na Universidade de Columbia, uma das 10 melhores do mundo, Carl Hart disse que ao usar o termo "cracolândia" é centrar o problema no uso de drogas; para Hart, em vez disso, é preciso focar em educação, saúde e oportunidades para essas pessoas marginalizadas
Professor de Psiquiatria na Universidade de Columbia, uma das 10 melhores do mundo, Carl Hart disse que ao usar o termo "cracolândia" é centrar o problema no uso de drogas; para Hart, em vez disso, é preciso focar em educação, saúde e oportunidades para essas pessoas marginalizadas (Foto: Charles Nisz)


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Revista Fórum - O professor de Psiquiatria e Psicologia da Universidade de Columbia, Carl Hart, afirmou que é preciso parar de usar o nome “cracolândia”. Hart visitou São Paulo nesta quarta (13) e quinta (14) para participar do lançamento da plataforma “Movimentos”, que congrega coletivos de periferias das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e tem, entre suas bandeiras, a luta contra a política da guerra às drogas.

No dia 13, Hart encontrou-se com lideranças do movimento negro e de movimentos de direitos humanos em um almoço no bairro da Barra Funda. Antes, visitou a “cracolândia” e disse que ficou muito impactado com a situação das pessoas. “Chamar aquele lugar de cracolândia é centrar o problema no uso da droga, não são usuários de droga, são pessoas pobres, marginalizadas, a quem falta educação, saúde e oportunidades”, afirmou.

O intelectual e ativista afro-americano é autor da obra Um Preço Muito Alto – A Jornada de Um Neurocientista Que Desafia Nossa Visão Sobre Drogas (editora Zahar). A obra inspirou o programa “Braços Abertos”, instituído na gestão de Fernando Haddad na “cracolândia”. Em entrevista à BBC, Hart classificou como “ridícula” a ideia de internação obrigatória para os usuários de crack como foi proposta pela atual gestão da prefeitura municipal.

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Hart ainda afirmou que se as drogas consideradas ilícitas fossem reguladas pelo governo, haveria uma redução profunda no comércio ilegal – que alimenta o tráfico – além de proteger o usuário de eventualmente consumir produtos sem nenhum tipo de controle. “O que difere de existirem drogas que são legalizadas, como o tabaco e o álcool, e as que não são é quem as usa e quem as produz”, afirma o professor. Uma forma de discriminar as pessoas negras e pobres é justamente classificá-las como usuárias de drogas ilícitas. Ele lembra ainda que nos Estados Unidos, a indústria do tabaco tem um lobby poderosíssimo, e por isso tem sua produção e consumo legalizados e regulamentados pelo governo.

Perguntado se a política de guerra às drogas é um mecanismo que sustenta o genocídio da população negra no Brasil e nos EUA, Hart concorda, porém diz que não é o único instrumento. Ele afirmou que a política de guerra às drogas sustenta o encarceramento em massa e a violência contra afro-descendentes e jovens pobres. Mas ele insiste que a guerra às drogas se sustenta em se deslocar o problema social para a questão do consumo de drogas e não à ausência de políticas sociais. Por isso, ele critica o uso do termo cracolândia – não é um local de usuários de crack, mas de pessoas pobres e negras.

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*Dennis de Oliveira é professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP)

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