Caminhada pela vida ou obscurantismo moderno?

Uma caminhada de 3 quilômetros pela orla da praia de Boa Viagem marcará o Dia Nacional de Valorização da Família, comemorado hoje (21), , no Recife, pela Igreja Católica; A expectativa é que 150 mil pessoas participem do evento; Enquanto criticam o aborto legal e o uso de drogas, por exemplo, 200 mil internações decorrentes de abortos acontecem anualmente no Brasil; Enquanto se criminaliza a mulher uma discussão séria sobre o assunto passa longe do Congresso e das igrejas em todo o país

Caminhada pela vida ou obscurantismo moderno?
Caminhada pela vida ou obscurantismo moderno? (Foto: DIVULGAÇÃO)


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Paulo Emílio_PE247- Uma caminhada de 3 quilômetros pela orla da praia de Boa Viagem, no Recife, marcará o Dia Nacional de Valorização da Família, comemorado hoje (21), pela Igreja Católica.  O evento, a 6ª Caminhada Arquidiocesana sim à Vida, deverá reunir fiéis de 109 paróquias da Arquidiocese de Olinda e Recife com o apoio de sete trios elétricos. O objetivo é denunciar e condenar práticas que ameaçam a vida, indo desde o aborto legal até o uso de drogas.

“Deus colocou em nossas mãos  a tarefa de cuidar da criação. Não devemos decidir quem deve morrer ou ser extinto”, disse o presidente da Comissão Arquidiocesana da Pastoral para a Vida e a Família, frei Dennys Pimentel, em entrevista ao Jornal do Commercio. No ano passado, 150 mil pessoas participaram da caminhada.

Enquanto “se defende o direito à vida” de bebês anencéfalos, por exemplo, são registradas cerca de 200 mil internações/ano e um sem número de mulheres morrem a cada ano no Brasil em função de problemas decorrentes de abortos inseguros no Brasil. Vale ressaltar que estes dados referem-se a casos registrados pelo Sistema Único de Saúde, número que na prática é subdimensionado, já que grande parte dos casos não aparece nas estatísticas. A estimativa é que ocorram até 1 milhão de abortos clandestinos pelo Brasil afora.  

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As estatísticas podem ou não ser confiáveis, mas o fato é que o problema existe.  Em 2009, em nome da vida, o Estado de Pernambuco apresentou ao mundo um caso chocante onde religião e direito se opuseram frontalmente. Uma criança de 10 anos acabou gravida de gêmeos após constantes abusos por parte do padrasto. Ela acabou submetida a um aborto legal e o arcebispo acabou por anunciar a excomunhão dos médicos e profissionais que participaram do procedimento, muitos deles católicos praticantes. Na ocasião, o arcebispo de Olinda e Recife dom José Cardoso Sobrinho chegou a declarar que “o aborto é mais grave que o estupro”.

Enquanto isso, contando com uma bancada forte no Congresso Nacional, católicos e evangélicos pressionam o Governo para que não ocorra a descriminalização do aborto. A mistura de religião com assuntos que dizem direito à mulher decidir ou não os rumos que deseja tomar, que dizem respeito à saúde pública, devem ser tratados como questões que vão além de princípios religioso ou do mero obscurantismo. Além disso, segundo a Constituição, somos um estado laico e como tal religião e assuntos de estado não se misturam, pelo menos em tese.

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É legítimo que o Congresso tenha representantes de todas as correntes de pensamento, das mais conservadoras as mais liberais. Mas os que ali estão devem representar os interesses da sociedade, visando melhorar as condições de vida da população. Mas este assunto específico é tratado como tabu, onde todos sabem que existe e nada fazem para alterar esta situação. Neste caso é mais fácil criminalizar a mulher, afinal de contas foi assim no passado e permanece até hoje, com poucas alterações ao longo do tempo. 

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