Câmara fiscaliza obras para Copa e Olimpíadas

Faltando menos de dois anos para a Copa de 2014, a organização dos jogos no Brasil preocupa deputados; ao longo dos últimos meses, foram criados na Câmara grupos específicos para acompanhar os preparativos para o mundial

Câmara fiscaliza obras para Copa e Olimpíadas
Câmara fiscaliza obras para Copa e Olimpíadas (Foto: Reprodução)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Agência Câmara- A infraestrutura requerida, a aplicação de dinheiro público, o cumprimento do prazo das obras e sua sustentabilidade, o sistema de transportes, a capacitação de trabalhadores e o aumento no número de turistas durante o mundial foram alguns dos temas discutidos na Casa. O andamento de algumas obras também foi conferido em visitas de parlamentares às cidades-sede da Copa.

O governo federal garante que o Brasil não fará feio. "O calendário está em dia, não há atraso. Nós acompanhamos as obras semanalmente", diz o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. "Temos apenas o plano A, que é concluir tudo antes do prazo. Há as obras essenciais para a Fifa [Federação Internacional de Futebol] e as que o governo acrescentou, como a ampliação de aeroportos e a infraestrutura de acesso aos estádios."

O governo promete entregar até 85% das obras até 2013, mas até abril desse ano só 20% delas haviam sido concluídas. "Temos ciência de que algumas obras estão atrasadas", admite o assessor especial de Grandes Eventos do Ministério do Esporte, Eugenius Kaszkurewicz.

continua após o anúncio

"Os relatórios do Tribunal de Contas da União são assustadores, eles mostram que há problemas de atraso", afirma o jornalista esportivo José Cruz. Ele também critica a falta de informações dos órgãos do governo. "A transparência existe, mas com atraso de seis, sete, oito meses. Então, contrariando o discurso do então presidente Lula de que teríamos a Copa mais transparente, isso não está acontecendo."

Estádios
Os estádios das 12 cidades-sede receberão R$ 6,8 bilhões. O ministro Aldo Rebelo reforça que seis deles – os de Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e Recife – serão entregues até fevereiro de 2013, a tempo da Copa das Confederações, marcada para o próximo ano.

continua após o anúncio

Os outros seis – em Cuiabá, Manaus, São Paulo, Natal, Porto Alegre e Curitiba – têm entrega prevista até o fim de 2013.

Em relação aos estádios, os deputados estão tranquilos. Eles acreditam que as arenas realmente ficarão prontas no prazo "[No Maracanã] já foram concluídos 59% das obras e as irregularidades encontradas pelo TCU [Tribunal de Contas da União] foram corrigidas", exemplifica o presidente da Subcomissão Permanente da Copa de 2014 e Olímpiadas de 2016, deputado Marcelo Matos (PDT-RJ). O Maracanã, no Rio de Janeiro, foi uma das obras visitadas pelos parlamentares.

continua após o anúncio

A subcomissão presidida por Matos é vinculada à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. Até o fim do ano, o grupo deve concluir um relatório sobre a situação dos aeroportos de Guarulhos e de Brasília, que ainda serão visitados.

Os parlamentares também estão tranquilos quanto à ampliação de aeroportos das cidades-sede. Conforme os dados do governo, 85% dos empreendimentos serão concluídos até 2013. Os investimentos no setor somam R$ 7,4 bilhões, sendo R$ 3,6 bilhões do setor privado.

continua após o anúncio

No entanto, um levantamento da Embratur estima que no dia do jogo da abertura da Copa do Mundo, que acontecerá em São Paulo, essa capital vai receber 600 voos a mais do que os programados. "Nós temos aeroportos preparados para receber esses voos?" pergunta o jornalista José Cruz.

Eugenius Kaszkurewicz garante que não haverá problemas. "Vários aeroportos subsidiarão esse movimento durante a Copa, inclusive bases militares que também serão utilizadas."

continua após o anúncio

Deputados criticam andamento de projetos de mobilidade urbana

As obras de melhoria da mobilidade urbana para a Copa do Mundo e as Olimpíadas preocupam os deputados, mas o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirma que o cronograma está em dia. Pelo calendário do governo, 80% dos empreendimentos serão entregues até dezembro de 2013. A previsão de investimentos em infraestrutura esportiva e de transporte é de R$ 27 bilhões.

continua após o anúncio

Apesar do otimismo do governo, os parlamentares ressaltam que em alguns casos, a opção será dar feriado nos dias de jogos. "Salvador não tem nenhum projeto de mobilidade urbana. Teremos que dar feriado nos dias dos jogos do Brasil", reclama o presidente da Comissão de Turismo e Desporto, deputado José Rocha (PR-BA).

Os feriados são a melhor solução na opinião do deputado Vicente Candido (PT-SP), que foi relator da Lei Geral da Copa (12.663/12), aprovada pela Câmara em março e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho deste ano. A lei, aliás, permite que a União decrete feriados nacionais nos dias de jogos da seleção brasileira. Estados e municípios poderão declarar feriados também nos dias de jogos em seus territórios.

continua após o anúncio

Hotéis

O aumento no número de visitantes nacionais e estrangeiros durante a Copa também preocupa os deputados. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil vai receber 600 mil turistas estrangeiros durante a Copa, e 3 milhões de brasileiros deverão se deslocar pelo País.

Hoje, o setor hoteleiro nas 12 cidades-sede do mundial tem capacidade para atender pouco mais de 400 mil turistas. Apesar disso, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, está tranquilo. "Não temos receio. O setor privado julga que o risco é a oferta de hospedagem ser superior à demanda", afirma.

Em audiência na Câmara, em junho deste ano, o Ministério do Turismo propôs como alternativas de hospedagem, campings públicos e hospedagens domiciliares.

O uso de navios para hospedagem está confirmado apenas nas Olimpíadas. Sete navios atracados no porto do Rio de Janeiro disponibilizarão cerca de 10 mil quartos, abrigando 24 mil pessoas.

Das 12 cidades-sede da Copa, cinco são litorâneas. Em todas elas estão sendo feitas obras portuárias (Fortaleza, Recife, Natal, Salvador, Rio de Janeiro).

Parlamentares reclamam da falta de preparo de profissionais para a Copa

Neste ano, a Comissão de Turismo e Desporto realizou diversas audiências para avaliar a qualificação dos profissionais que vão lidar com os 600 mil turistas estrangeiros que são esperados durante a Copa.

Segundo o Ministério do Esporte, a Copa do Mundo vai gerar 330 mil empregos permanentes e 380 mil temporários. Os profissionais serão absorvidos pelo evento nas áreas de hospedagem, alimentação, recepção, segurança e serviços em geral. Os novos trabalhadores atenderão a oito milhões de visitantes em 2014, 600 mil somente no mês da competição.

"A qualificação ainda não deslanchou. Os cursos precisam ser reavaliados e isso demanda tempo. Precisamos fidelizar o turista, o que ocorrerá se ele receber um bom tratamento", afirma o presidente da Comissão de Turismo, deputado José Rocha (PR-BA).

"As qualificações são feitas no escuro. O governo precisa fazer esse diagnóstico em cada cidade", reclamou o diretor-presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Moacyr Roberto Tesch Auersvald, num dos debates realizados pela comissão.

Para resolver o problema, o Ministério do Turismo pretende oferecer 250 mil vagas até 2014 em diversos cursos de capacitação profissional com recursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec).

Legado

Além de fiscalizar os preparativos para a Copa do Mundo, a Câmara está empenhada em discutir o legado do mundial. Os parlamentares questionam o destino que será dado aos estádios nas cidades que não têm times fortes de futebol, como Brasília e Manaus. Os investimentos, defendem os deputados, devem retornar para a população, mesmo após o torneio.

"A Câmara tem a dívida de construir esse legado imaterial. Deve pensar em políticas para a prática esportiva, a formação de atletas, o fortalecimento dos clubes", diz o deputado Vicente Candido (PT-SP), que foi relator da Lei Geral da Copa (12.663/12).

O jornalista esportivo José Cruz vê com reservas os planos de se aproveitar esse legado. "Quando o governo fala em legado temos que nos lembrar do legado anunciado pelos jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007, que foi um verdadeiro fracasso, um prejuízo enorme para a cidade, para a população, para o esporte principalmente."

"Precisamos de uma Copa do Mundo, de uma Olimpíada para projetar melhorias de uma cidade? Sem elas não seria obrigação dos governos fazerem melhorias?", questiona o jornalista.

Mas para o assessor especial de Grandes Eventos do Ministério do Esporte, Eugenius Kaszkurewicz, a Copa do Mundo é uma oportunidade. "Sim. É uma chance de ter esforços para que essas obras sigam adiante. Essas obras serão exemplos a serem seguidos pelas cidades, e para ter um transbordamento para toda a cidade ou toda a região."

 

 

 

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247