Caiado: “É meu último mandato na Câmara”
Com planos de disputar o governo de Goiás, líder democrata diz que não será mais mero "acessório", referindo-se à sua condição de coadjuvante na aliança regional com o governador Marconi Perillo; Caiado enfrenta, porém, defecções no próprio partido, que indicou o vice-governador e defende a manutenção da aliança pela reeleição do tucano
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Goiás247 - O deputado federal Ronaldo Caiado está mesmo disposto a bancar a sobrevida do DEM em Goiás. O partido se viu em situação delicada após o escândalo que aniquilou Demóstenes Torres – que era a maior estrela do partido até mesmo nacionalmente. A tática de Caiado é simples, pelo menos na cabeça dele: ser candidato ao governo de Goiás em 2014. Se não ser, vai se aventurar ao Senado.
Nesta semana o parlamentar buscou os holofotes da imprensa com declarações diretas. "É o meu último mandato na Câmara. Trabalho para disputar a majoritária", disse a seguidores do seu perfil no Twitter. "Não vou ser mais um acessório", afirmou no encontro do DEM em Goiânia, na segunda-feira, ao reforçar que vai pleitear a cabeça de chapa no próximo ano.
O anseio de Caiado é respeitado por aliados. Parlamentar experiente, figura de destaque na política goiana, homem de oratória ímpar e conhecido por ser mais que convicto em seus ideais, Caiado é o símbolo da direita ruralista num Estado agropecuário e com a economia sustentada pelo agronegócio.
O cenário no primeiro instante se mostra perfeito. Até porque Ronaldo Caiado não tem seu nome envolvido em escândalos e também é reconhecido por ser ético. Mas, nem tudo são flores para o deputado. Esses mesmos aliados só respeitam sua vontade. Concordar que é bom são outros quinhentos. Tudo porque o DEM é aliado do governador Marconi Perillo (PSDB) e tem o vice-governador José Eliton, que hoje é mais próximo de Perillo que de Caiado, seu padrinho político.
O deputado federal se alinha em Goiás com Vanderlan Cardoso (hoje sem partido, mas com um pé no PSC). Vanderlan foi prefeito de Senador Canedo, cidade satélite da Capital, e candidato ao governo em 2010, quando obteve cerca de 15% dos votos. Ele se apresentou como novidade e surpreendeu ao obter perto de 500 mil votos. Tanto que seu passe foi adquirido pelo PMDB de Iris Rezende. A parceria, porém, não deu certo e Vanderlan saiu do partido pela porta dos fundos.
Empresário de sucesso no ramo alimentício, Vanderlan vai se filiar ao PSC. Ele e sua esposa são evangélicos e têm força no segmento pentecostal. Seria a união da direita ruralista de Caiado com a direita cristã de Vanderlan.
Acontece que o primeiro obstáculo de Caiado está logo aí. Vanderlan já disse que não abre mão de sua candidatura. Ele quer tentar novamente ser governador. Os dois vão ter que se acertar. Como bom político, Caiado já avisou que não descarta uma aliança com Vanderlan. É esperar para ver. Os atritos sugerem que a verdadeira ambição de Caiado seja disputar o Senado. Se esse desejo se confirmar, é quase certo que Perillo lhe ofereça a vaga pela manutenção da aliança.
Fogo amigo
Se Caiado se mostra rebelde e disposto a enfrentar o governo o estadual, o mesmo não se pode dizer de deputados, vice-prefeitos e prefeitos do DEM. Ninguém quer ser contra o governo do qual fazem parte. "Não dá para Caiado sair criticando o governo no interior do Estado, enquanto fazemos parte dele", sentencia o deputado estadual Nilo Resende.
Nos bastidores, o comentário é um só: ninguém comprou a ideia da candidatura de Caiado. Nenhum integrante do DEM quer se indispor com Marconi Perillo. O cenário escancara o racha no partido e a realidade de que os deputados confiam no poder de recuperação Perillo e na reeleição do governador.
O vice-governador José Eliton mal fala com Caiado. A relação dos dois é péssima e Eliton deve se filiar ao PSDB até o meio do ano. Ele é homem de confiança do governador e sequer apareceu no encontro do DEM na segunda-feira, 18, deixando claro que não coaduna com os projetos de Caiado.
Rixa antiga
Todo o esforço de Caiado em se comportar como pré-candidato enquanto seu partido integra a base aliada do governo Perillo também esconde o desejo de provocar o "aliado". Os dois não se bicam desde o primeiro mandato de Perillo, quando Caiado o apoiou já como todo-poderoso do finado PFL em Goiás. O partido de Caiado queria espaço maior no governo do tucano, que buscava a reeleição.
O briga emblemática, porém, ocorreu em 2003, quando Perillo organizou uma filiação em massa de 23 prefeitos do PFL para o PSDB. O episódio ficou conhecido como a "cooptação dos prefeitos" e Caiado nunca engoliu a manobra.
Na eleição para prefeito de Goiânia, em 2004, o deputado não apoiou o candidato do governador, azedando ainda mais a relação. Em 2006, Caiado radicalizou e bancou Demóstenes Torres como candidato ao governo. O candidato de Perillo era Alcides Rodrigues (PP), que venceu a eleição, enquanto Demóstenes teve votação vexatória (3,5), ficando em quarto lugar.
Por todos esses fatores há quem diga que a candidatura de Caiado não decola. O deputado já vai começar a rodar o Estado para fortalecer bases eleitorais e apresentar seu projeto de governo, mas há diversas questões levantadas pelos analistas políticos de Goiás.
Sem apoio dos próprios companheiros, Caiado teria fôlego para enfrentar Perillo e o candidato da aliança PMDB-PT (que também está estremecida)? O melhor seria mesmo se unir a Vanderlan – outro que deseja ser candidato? Caiado vai mesmo ignorar a presença do vice José Eliton no governo? O deputado federal tem estrutura para enfrentar toda a base aliada que dá apoio irrestrito a Perillo?
São perguntas que surgem diante da volúpia com que Caiado se apresenta no debate eleitoral. O recado ele já deu: cansou de ser acessório.
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