"Cachoeira não teve nada com o meu governo"
Em entrevista ao jornal O Popular, o governador de Goiás antecipou o discurso que fará na CPI; segundo ele, os negócios da Delta representam cerca de 4% do valor contratado pelo governo goiano; sobre a casa, ele acusa o ex-vereador Wladimir Garcez de ganhar dinheiro às suas custas
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247 – É grande a expectativa sobre o depoimento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, nesta terça-feira. Ao jornal “O Popular”, o mais influente de Goiás, ele antecipou seu discurso. Marconi afirmou que o bicheiro Carlos Cachoeira não teve relações privilegiadas com seu governo e que se a casa negociada por ele por R$ 1,4 milhão tiver sido vendida por um valor maior, como suspeita a Polícia Federal, isso terá ocorrido por conta do ex-vereador Wladimir Garcez, que, segundo Marconi, teria ganho dinheiro às suas custas.
Leia, abaixo, a entrevista ao Popular:
“Quem tem de explicar alguma coisa é Wladimir e Walter Paulo”
A intenção do governador Marconi Perillo hoje no depoimento na CPMI no Congresso Nacional é convencer os deputados e senadores de que não tem nenhum envolvimento pessoal e de seu governo com o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ontem, o governador passou o dia em reunião com advogados e aliados políticos em Brasília, fechando os detalhes de seu pronunciamento de abertura no depoimento, que deverá durar cerca de 30 minutos, e se preparando para os questionamentos dos deputados e senadores.
“O inquérito tem cerca de 30 mil ligações, cerca de 200 citam meu nome e só há uma ligação minha para ele para lhe cumprimentar pelo aniversário. Não há nenhuma gravação que mostre direcionamento de meu governo a favor da Delta, de Cachoeira, ou de obras de seu interesse”, disse ontem o governador em entrevista ao POPULAR por telefone de Brasília.
Na avaliação de Marconi as gravações provam o contrário: “Em muitas delas eles aparecem me xingando ou reclamando de decisões de meu governo”, afirmou, reforçando que os contratos da Delta representaram apenas 4% dos contratos assinados pela Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). “Cachoeira não teve nada com meu governo.”
O governador acredita que a venda de sua casa está completamente esclarecida. “É simples: eu vendi; Walter Paulo (Santiago) comprou e Wladmir (Garcêz, ex-vereador) foi o corretor.” Marconi afirma que as dúvidas que surgiram em função de gravações em que Cachoeira e o ex-vereador negociam a venda da casa devem ser esclarecidas por Wladmir e pelo comprador. “Eu vendi a casa, recebi os cheques, coloquei o dinheiro no banco e declarei ao Imposto de Renda. Agi de boa fé. Se alguém tem de explicar alguma coisa é Wladmir e Walter Paulo”, afirmou.
Perguntando sobre o que entendeu das conversas entre o ex-vereador e Cachoeira nas quais os dois falam em negociação da casa por R$ 2 milhões e até R$ 2,3 milhões, o governador afirmou: “Ele (Wladmir) ganhou dinheiro às minhas custas”.
O governador disse que já lhe perguntaram se hoje faria o mesmo negócio, mas ele é enfático: “Se eu soubesse dessa confusão eu nem teria mudado daquela casa”. O governador também afirma estar tranquilo em relação às denúncias feitas pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni de que recebeu R$ 90 mil, em dois depósitos de R$ 45 mil, de empresas fantasmas ligadas a Cachoeira em pagamento por seu trabalho para sua campanha eleitoral em 2010. “Ele foi injusto. E terá de provar suas acusações. O ônus da prova é dele”, afirmou.
Marconi revelou ter sido orientado por advogados na semana passada a não ir ao depoimento à CPI, mas que se recusou a seguir a orientação. “Eles poderiam obter uma liminar na Justiça, mas não aceitei e disse que se eu não fosse à CPMI eu abandonaria a vida pública” e que vai prestar o depoimento de hoje “em respeito aos goianos”. O governador garantiu também não ter intenção de usar a CPI para fazer denúncias contra adversários políticos nem que pretende acusar o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de perseguição política durante seu depoimento.
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