Bueno diz que Santiago mentiu na CPI
Deputado Rubens Bueno (PPS-PR) mostra documentos que, segundo ele, comprovam negócio entre Walter Paulo Santiago e Carlos Cachoeira na aquisição do terreno do Jockey Club de Goiânia; o administrador da empresa Mestra havia dito na CPI que não tinha negócios com o bicheiro
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247– O empresário Walter Paulo Santiago foi questionado durante sessão da CPI do Cachoeira, nesta terça-feira, sobre uma parceria que teria com Carlos Cachoeira para comprar o terreno do Jockey Club de Goiânia, mas negou com veemência possuir qualquer tipo de sociedade com o bicheiro. Sobre isso, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) mostrou documento que, segundo ele, comprova o negócio. O parlamentar disse que tem contratos e recibos no valor de R$ 2,435 milhões, assinados pelo proprietário do Jockey e pelo representante da empresa Mestra, Alex Marcório Santiago, filho do empresário. "Quero pedir ao presidente da CPI para que tome as providências dessa mentira", afirmou Bueno.
O advogado de Santiago justificou o fato como sendo venda de títulos, e não do terreno. "Não houve venda porque a área do Jockey jamais poderia ser vendida", disse, em referência a uma doação feita ao clube. Bueno pediu providências para o presidente da CPI desta terça, deputado Paulo Teixeira, em relação à suposta mentira do depoente.
Anteriormente, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) acentuou uma contradição na fala do dono da Faculdade Padrão e de outras empresas, apontado como o comprador de uma casa de luxo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Santiago diz ter pago o imóvel, vendido a R$ 1,4 milhão, em dinheiro. O governador, porém, já disse em entrevista ter recebido o pagamento por meio de três cheques, assinados em nome de seu sobrinho, Leonardo Almeida Ramos. "Não sei nada de cheque", disse o depoente.
O deputado do PSOL afirmou que ou o governador de Goiás foi enganado em relação à versão dos pagamentos ou o episódio se trata de lavagem de dinheiro. A compra foi feita por meio da empresa Mestra, de investimentos imobiliários, a qual é administrada por Santiago. Outra contradição diz respeito à origem do dinheiro. Na primeira versão, o depoente disse que se tratava de empréstimos – não soube dizer de onde, já que foram feitos por seu contador. Depois, afirmou que o valor estava guardado em casa, e que se tratavam de "sobras" de suas empresas.
Relator do requerimento de convocação do empresário, o senador José Pimentel (PT-CE) questionou sobre o traslado do dinheiro que pagou a casa, mas Santiago afirmou que não se lembrava. "Eu deixo de responder". Contou, porém, que fez o pagamento dentro de sua própria residência a duas pessoas, Lúcio Fiuza e Wladimir Garcez, em pacotinhos com notas de R$ 100 e R$ 50. Em resposta, o senador disse sobre o depoente: "Ele teve o cuidado de dizer que o dinheiro foi pago em notas de R$ 50 e de R$ 100, mas não se lembra de onde vieram R$ 1,4 milhão".
Questionado por mais de uma vez sobre a estranha forma de pagamento que fez para quitar a casa – em dinheiro e num valor tão alto (os R$ 1,4 milhão foram pagos à vista) –, Santiago encarou o fato como sendo comum e disse ainda que sequer tinha conta bancária. Depois, lembrou-se de uma conta no Bradesco, mas voltou a afirmar que não usa cheques.
Leia aqui noticiário anterior do 247 sobre a sessão de hoje, encerrada às 14h.
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