Brayner vê "muito trabalho pela frente" para Jackson

Colunista político Diógenes Brayner afirma que o governador em exercício terá que lidar com questões internas da base aliada, como problemas de relacionamento dentro do PMDB, o pedido de mais espaço do PSD e do PC do B, além de tentar atrair novos aliados para filiações nos partidos até outubro; "é mais ou menos assim que está o cenário que precisa ser acomodado nestes próximos 60 dias para reduzir outros problemas que virão até o pleito de 2014. Não será difícil deixar cada um em seu lugar e manter a força da aliança, mesmo que precise trabalhar muito para conquistar novos partidos ou mesmo atraentes adesões. Mas é uma trabalheira grande, mesmo que o PT assegure o apoio a Jackson ao Governo e que esteja acalmando os seus secretários, pondo fim a uma situação de mal estar", avalia

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Sergipe 247 - O jornalista Diógenes Brayner, colunista do Correio de Sergipe e do Faxaju, afirma que o governador em exercício Jackson Barreto, que também é presidente estadual do PMDB e pré-candidato à sucessão de Marcelo Déda (PT) no Governo em 2014, "terá muito trabalho pela frente" para harmonizar apoios novos e interesses difusos dentro da base aliada.

Confira artigo na íntegra:

Puxa, quanto trabalho

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Jackson Barreto (PMDB), como governador em exercício, presidente regional do seu partido e pré-candidato ao Governo em 2014, terá muito trabalho pela frente. O maior deles será o de sedução. A partir deste mês inicia-se a contagem regressiva para novas filiações e trocas de partidos, que se encerra dia 06 de outubro. Apesar de ter 60 dias pela frente, o tempo é como se fosse fração de segundos.

Presidentes de outros partidos naturalmente estão de mangas arregaçadas para manter seus correligionários e atraírem novos. Mas Jackson Barreto, como candidato a governador no próximo ano e exercendo o mandato, tem que segurar partidos da base aliada, evitar algum mal estar que provoque incômodo a integrante de legendas que formam a aliança, além de tentar conquistar novas siglas para fortalecer a composição.

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Dentro do próprio PMDB, Jackson Barreto passa por um problema: o ex-chefe da Casa Civil, Jorge Alberto, peemedebista histórico e ex-deputado federal, está com as malas prontas para deixar o partido. Pretende retornar à Câmara Federal e tem convites de duas legendas para ser candidato. Uma aliada ao Governo e outra da oposição. Ainda não se definiu pela qual.

Alberto está indignado porque foi exonerado da Casa Civil do Governo, recentemente, com a assinatura de Jackson, que está no exercício do mandato: “como sou demitido pelo presidente regional do partido ao qual sou filiado e ainda me mantenho nele?” Pergunta-se.

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A resposta não é difícil: a nomeação de Silvio Santos para a Casa Civil foi feita pelo governado licenciado Marcelo Déda, titular do mandato. Jackson Barreto, na interinidade, apenas cumpriu um ato já determinado pelo titular. Não dá para bater de frente com quem, mesmo afastado para tratamento de saúde, é o governador de fato eleito pelo povo.

É que as mudanças não foram bem definidas. Silvio era secretário da Saúde e assumiu interinamente a Casa Civil já há alguns meses. A pedido (o que é uma ordem) de Marcelo Déda, Jackson Barreto afastou Jorge e oficializou Silvio. Para Jorge Alberto, como presidente do PMDB, JB deveria ter mantido-o na Casa Civil, deixando Silvio na Saúde.

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Não seria fácil, porque na interinidade as coisas se complicam para decisões que contrariem o dono do mandato. É preciso também olhar por esse ângulo...

O PSD é uma legenda que não reclama diretamente a “dor” que sente. Mas “geme” quando está em “casa”. Jamais deixará a aliança, até porque o partido tem à frente o governador Marcelo Déda, mas não está satisfeito com a parte que lhe coube na administração. Gostaria de uma Secretaria de maior porte e melhores condições.

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Mas, o quê fazer? Quando anunciou que faria a reforma no Governo, Marcelo Déda disse que não poderia deixar o PSD de fora e, à época, já se cogitava a Secretaria do Trabalho ou a de Esporte e Lazer. O partido ganhou a primeira, indicando o ex-vereador Fábio Mittidieri, candidato a deputado federal, para ocupá-la. Tudo dentro do formato sugerido pelo próprio Marcelo Déda.

Nada que alarme, mas o PCdoB, que também participaria da Administração, continua de fora e em total silêncio. Mas entre membros da legenda há reclamação pela falta de nomeação. Não é para preocupar, mas dentro de uma coligação é natural que os partidos reivindiquem posições na estrutura de um Governo que ajudou a construir.

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É mais ou menos assim que está o cenário que precisa ser acomodado nestes próximos 60 dias para reduzir outros problemas que virão até o pleito de 2014. Não será difícil deixar cada um em seu lugar e manter a força da aliança, mesmo que precise trabalhar muito para conquistar novos partidos ou mesmo atraentes adesões.

Mas é uma trabalheira grande, mesmo que o PT assegure o apoio a Jackson ao Governo e que esteja acalmando os seus secretários, pondo fim a uma situação de mal estar.

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