Brasil não se vê como nação e o inimigo passou a ser o pensar diferente, diz professor

Economista e professor da UFRGS Pedro Fonseca diz que o estado de radicalização atualmente reinante no Brasil o faz lembrar “a Espanha antes da Guerra Civil, quando para um espanhol, o principal inimigo era seu vizinho”; para ele, “o Brasil não se enxerga como nação e o principal inimigo do brasileiro passou a ser o pensar diferente e essa fragmentação atrapalha a constituição de um pacto nacional"

Brasil não se vê como nação e o inimigo passou a ser o pensar diferente, diz professor
Brasil não se vê como nação e o inimigo passou a ser o pensar diferente, diz professor (Foto: Manoela Frade)


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Por Manoela Frade, em Portal Adverso - Para o economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pedro Fonseca, “o Brasil não se enxerga como nação e o principal inimigo do brasileiro passou a ser o pensar diferente”. Essa radicalização, disse, o faz lembrar “a Espanha antes da Guerra Civil, quando para um espanhol, o principal inimigo era seu vizinho. Essa fragmentação atrapalha a constituição de um pacto nacional”. A análise foi feita durante a palestra ‘Conjuntura e Projeto Econômico para o Brasil’ realizada na noite de quarta-feira, 5, na sede da ADUFRGS-Sindical em Porto Alegre.

Na opinião do professor, o Brasil vive uma crise de identidade e uma ausência de projeto de nação. “Somos diferentes, sim, mas temos um mesmo destino comum, só que não dialogamos”. Para ele, pensar esse projeto depende de consensos construídos dentro de um ambiente democrático, com estabilização econômica e a defesa do meio ambiente. “É inadmissível qualquer projeto sem essas três coisas”.

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Na palestra, Pedro Fonseca repassou a história econômica do país para contextualizar o cenário atual de “crise econômica, política e ética”. Para isso, o professor analisou as escolhas de cada um dos últimos governos (Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer). E afirmou que o Brasil vive um impasse com uma cisão elite/nação. “Chamo de radicalismo e irracionalismo a falta de conteúdo numa discussão no Brasil. Hoje ela é meramente emocional”. Segundo ele, as redes sociais refletem o quadro de extremismos. “O Brasil hoje é incapaz de qualquer diálogo para chegar em um consenso”.

A problema, afirmou, é que para estabelecer um projeto de nação, ele precisa ser de Estado, não só de um governo, e para isso, a sociedade deve se reconhecer nele. “Não acredito em projeto de cima para baixo. O marco civilizatório é esse, para pensar daqui para diante. Não é repetir o passado. Atualizar um projeto é pensar em novas bases”.

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Oportunidade

Um dos caminhos possíveis, a reforma tributária, defendeu, é uma oportunidade de criar um novo pacto social. “Fala-se muito de corte de gastos, mas temos que ver a questão dos impostos. Nem tanto aumentar a carga tributária, mas melhor distribuí-la”.

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Hoje, 51% da arrecadação brasileira vem da tributação indireta. “Aquele imposto que a pessoa paga sem sentir, como o imposto sobre o consumo”, explicou. O problema disso é que não interessa a faixa de renda, todos pagam de maneira igual sobre o consumo. “Por isso, nos países desenvolvidos a tributação direta é maior. Paga-se menos sobre o consumo e mais sobre a propriedade, por exemplo”. No Brasil, apenas 22% da arrecadação vem da tributação direta (18% do Imposto de Renda e 4% sobre a propriedade).

O professor apresentou um quadro mostrando a discrepância entre o imposto direto pago no Brasil e em outros países. No Brasil há quatro faixas de renda e uma alíquota máxima de 27,5%. Na China, por exemplo, que na opinião do professor conseguiu executar um projeto de desenvolvimento, há nove faixas e uma alíquota máxima de 45%. Na Holanda, são quatro faixas e alíquota máxima de 60%. Veja no quando abaixo:

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