BR Foods compra briga com produtores de leite

Unidade da Brasil Foods, em Bom Conselho, no Agreste do Estado, tem capacidade para processar 300 mil litros dirios, mas s estaria conseguindo captar 200 mil. Alm disso, 15% do leite estaria sendo descartado por falta de qualidade. Sindicatos ligados ao setor e rgos vinculados ao Governo Estadual negam a informao.

BR Foods compra briga com produtores de leite
BR Foods compra briga com produtores de leite (Foto: Marcello Casal JR/ABr)


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Bruna Cavalcanti_PE247 – É tempo de vacas magras no Estado. Pelo menos no que se refere à qualidade, produção e fornecimento do leite em Pernambuco. A Brasil Foods, empresa formada pela fusão entre a Sadia e a Perdigão, afirma ter dificuldades relacionadas à qualidade da matéria-prima. Uma das unidades da empresa, localizada na cidade de Bom Conselho, Agreste do Estado, tem capacidade para processar 300 mil litros por dia, no entanto, só está conseguindo captar 200 mil. Cerca de 15% do leite seria descartado por falta de qualidade. As críticas levaram os produtores estaduais a vincularem uma nota paga nos principais jornais de Pernambuco rebatendo a BR Foods.

As informações foram repassadas pelo presidente de Assuntos Corporativos da Brasil Foods, Wilson Mello Neto, na semana passada, em Pernambuco, durante evento de lançamento de uma unidade de margarinas orçada em R$ 140 milhões . No ano passado, a empresa chegou a anunciar uma expansão de 600 mil litros diários, produção que acabou não sendo concretizada pelos problemas enfrentados pela companhia. Além da unidade de Bom Conselho, que tem um investimento de R$ 280 milhões e emprega diretamente 264 funcionários, a Brasil Foods possui ainda uma fábrica em Vitória de Santo Antão - voltada para a produção de embutidos -, Mata sul do Estado, com um investimento de R$ 300 milhões e mais de 1,1 mil empregos diretos e 510 indiretos.

“Se o leite em Pernambuco não fosse bom porque tantas indústrias desse setor estariam se instalando no Estado? Porque a Brasil Foods não viu isso antes?”, questiona o engenheiro químico Domingos Sávio Dornelas. Vinculado ao Programa do Leite, que está ligado à Secretaria de Agricultura do Governo do Estado, é ele o gestor responsável pelo controle de qualidade da matéria-prima em Pernambuco. De acordo com Dornellas, o percentual apresentado pela Brasil Foods não corresponde à realidade. “Todos os laticínios são inspecionados. Até porque se não fossem, não estariam funcionando”, minimiza Dornelas.

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Questionado sobre a nota que daria ao controle de qualidade do leite no Estado, Dornelas é enfático: “Sete”. De acordo com ele, a nota regular refere-se a um problema que está longe de ser resolvido pelo Governo. “Temos um problema sim relacionado às queijarias que funcionam, na maioria das vezes, sem autorização. No entanto, aos poucos, estamos tentando ter um maior controle, mas, não é fácil fiscalizar essas pequenas empresas em todo o Estado”, afirma.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e produtos derivados do Estado de Pernambuco (Sindileite), Albérico Bezerra, a Brasil Foods “exagerou” nos números apresentados à imprensa. “Hoje, mais de 70 da produção estadual de leite é inspecionada. Sabemos que o ideal é chagarmos em torno de 90% e estamos fazendo um esforço muito grande, junto com o Governo, para melhorarmos essa qualidade”, explica Bezerra. Pernambuco produz hoje mais de dois milhões de litros de leite por dia. Na nota veiculada na imprensa, os produtores ressaltam que o aquecimento do consumo resultou em uma concorrência mais acirrada entre as empresas, fazendo com que os produtores investissem em melhorias genéticas do rebanho e também em qualidade.

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No entanto, para o presidente do Sindileite, o Estado vem enfrentando problemas relacionados ao abastecimento e fornecimento de leite. “Além de grandes laticínios e empresas que vieram para cá nos últimos anos, houve também um aumento significativo no consumo do produto entre as classes D e E. Os produtores acabaram não conseguindo acompanhar todo esse crescimento acelerado e essa procura no mercado. Algumas indústrias que vieram pra cá pensaram que seriam atendidas imediatamente, mas isso não vem acontecendo mesmo”, pondera Dornelas.

 

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