Bolsa: ações ou fundos de ações?
Saiba como avaliar qual a melhor alternativa ao seu caso, se mais vantajoso ter carteira prpria ou investir atravs de fundos. Gesto e custos so fatores determinantes
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Luciane Macedo _247 - Ações ou fundos de ações? Embora os dois tipos de investimento não sejam excludentes, a dúvida se apresenta para grande parte dos investidores que querem começar a investir em renda variável e se posicionar na Bolsa de Valores, mas não sabem se têm um capital adequado ou sentem-se inseguros por não conhecer o suficiente do mercado para escolher que ações comprar e como fazer bons negócios.
"Custos e gestão são as principais diferenças entre o investimento direto em ações ou através de fundos", explica Mauro Calil, educador financeiro e professor do Instituto Nacional de Investidores (INI). "Investir em um fundo, para pequenas quantias, pode custar menos do que negociar ações na Bolsa por causa das taxas, que podem pesar muito no bolso neste caso". Segundo Calil, juntar dinheiro investindo em fundos de ações para só depois começar a montar uma carteira própria é uma boa alternativa para quem não dispõe de capital suficiente para diversificar as compras na Bolsa.
"A partir de R$ 30 mil, já é possível conseguir uma boa diversificação em carteira própria", aponta Calil. A diversificação é crucial porque dilui os riscos do investimento em renda variável, seja em Bolsa ou através de fundos. Por isso, a orientação do professor do INI é para que os investidores pesquisem não só as taxas (veja abaixo), mas também usem do mesmo empenho para conhecer as regras e estratégias dos fundos. Calil lembra, ainda, que o investimento em fundos precisa ser contemplado em longo prazo.
Para quem não conhece o mercado acionário, os fundos de ações também podem ser uma via de entrada mais amigável aos novatos, por causa da gestão. Com carteira própria, é preciso saber avaliar os momentos mais adequados de compra e venda para realizar lucros. E tanto a análise fundamentalista quanto a grafista requerem conhecimento e uma boa dose de prática na Bolsa. Quando investe em cotas de um fundo de ações, por outro lado, o investidor também leva junto uma gestão profissional.
"Uma das razões de existir dos fundos de ações é justamente atender às pessoas que acham que não têm conhecimento de mercado, para que elas transfiram a responsabilidade das escolhas das ações para gestores profissionais", comenta André Paes, diretor de análise e estratégia da Infinity Asset Management. "Quem aplica em um fundo de ações contrata um gestor profissional, que é pago para obter um retorno melhor do que o índice proposto ou benchmark", completa Paes.
"Se o investidor conseguir um desempenho igual ao da Bolsa com carteira própria, ótimo", comenta. "Mas é difícil para a pessoa física, no longo prazo, bater o Ibovespa, a não ser que tenha muito tempo e dedicação, além de uma boa corretora para auxiliar." Na avaliação de Paes, não é falta de capacidade que atrapalha muitos investidores na Bolsa, mas falta de tempo. "As pessoas trabalham, não têm como ficar estudando o mercado ou analisando empresas nas horas vagas".
Pedro Ozores, sócio da Guepardo Investimentos e responsável pelo relacionamento com investidores, também enfatiza o fator tempo. "A pessoa física muitas vezes se aventura a comprar ações sem saber o que está comprando ou porque acha que está fazendo um bom negócio", comenta. "Mas, no mercado, você encontra ações que têm volatilidade altíssima, e fundos que aplicam nestas ações, com um retorno inferior ou igual ao CDI em cinco anos", continua. "Então, para quê correr risco para ter o mesmo retorno que o CDI"?
Segundo Ozores, 60% dos investidores que aplicam nos fundos com gestão da Guepardo, que começou como um clube de investimentos, são pessoas físicas. "Selecionamos poucas e boas ações e temos volatilidade menor que a Bolsa com rentabilidade maior". Ozores explica que a estratégia da Guepardo é investir a fundo na análise qualitativa do universo de empresas da Bolsa, com uma série de questionários e filtros, para depois concentrar os investimentos em cinco a 15 empresas.
"Muitas vezes, apostamos em empresas que não estão no Ibovespa ou que estão fora dos holofotes dos grandes bancos e das pessoas físicas", diz Ozores. "Nossa análise é bottom up, olhamos primeiro para as empresas para depois olhar para o setor", assinala. "Também usamos a análise quantitativa, mas o valor da empresa não é suficiente, aprofundamos no aspecto qualitativo para evitar armadilhas de preço", ressalta. "Gostamos de negócios fáceis de serem compreendidos e difíceis de serem copiados".
Outro aspecto importante a ressaltar sobre fundos de ações é a diversidade de opções disponível no mercado. Existem fundos extremamente conservadores, como também os que oferecem riscos mais acentuados, permitindo alavancagem. "Os fundos alavancados usam derivativos para tentar simular estar comprado no mercado acima do seu próprio patrimônio", explica Paes, da Infinity. "É uma questão de apetite ao risco investir neste tipo de fundo".
As principais diferenças
Carteira própria
A gestão é do investidor
Quem decide que ações comprar ou vender, quando e a que preços, com o objetivo de realizar lucros, é o próprio investidor. Ele tem mais liberdade, mas o custo é justamente saber o que está fazendo para não perder dinheiro na Bolsa. O investidor pode usar as carteiras recomendadas da corretora (semanal, mensal, de dividendos, de small caps), entre outras fontes de informação sobre o mercado, para lhe ajudar a identificar boas oportunidades de acordo com seus prazos e objetivos
Fundos de ações
A gestão é profissional
O investidor deposita sua confiança na estratégia de gestão do fundo, sem ter de se preocupar em como fazer os melhores negócios com o mercado de ações em alta ou em baixa ou ter de analisar a fundo empresas ou setores específicos. O investidor tem menos liberdade, decide apenas quanto aplicar, em que momentos e quando entrar ou sair do fundo. É o gestor quem terá de buscar os melhores resultados, mas cumprindo estritamente o que está definido no estatuto do fundo
Fonte: professor Mauro Calil
Quanto custa investir?
Conheça taxas e tributos que incidem sobre ações e fundos de ações
Ações | Taxas
Taxa de custódia
Valor mensal cobrado pela guarda das ações pela Bolsa e pelos serviços oferecidos pela corretora. Varia entre corretoras e pode ser gratuita
Taxa de corretagem
Valor cobrado pelas corretoras pelo acesso ao mercado, para realizar as ordens do investidor junto à Bolsa. Varia entre as corretoras e pode ser uma porcentagem da operação realizada ou um valor fixo
Emolumentos
Valores que a Bolsa cobra pela negociação das ações, pagos diretamente pela corretora
Ações | Tributos
Vendas mensais de ações no valor de R$ 20 mil ou menos ficam isentas de Imposto de Renda
Acima de R$ 20 mil, a alíquota do Imposto de Renda sobre o ganho de capital é de 15% -- no caso de day trade, 20%
Mesmo com a isenção, todas as operações estão sujeitas ao Imposto de Renda na fonte à alíquota de 0,005% -- no caso de day trade, 1%
Fundos de ações | Taxas
Taxa de administração
Valor anual que os cotistas pagam pela prestação de serviço do gestor, do administrador e demais instituições presentes na operacionalização diária do fundo. Varia muito de uma instituição a outra, e nem sempre há uma relação direta ou oposta entre o valor da taxa de administração e o desempenho do fundo
Taxa de performance
Cobrada do cotista somente quando a rentabilidade do fundo supera a de um indicador de referência (benchmark) e serve para remunerar uma boa administração. Existe uma periodicidade mínima para sua cobrança e nem todo fundo cobra essa taxa
Taxa de resgate antecipado
Serve de incentivo para que o investidor permaneça com seus recursos aplicados por um prazo mínimo pré-determinado, e nem todo fundo cobra essa taxa
Fundos de ações | Tributos
A alíquota do Imposto de Renda sobre os rendimentos no momento do resgate de cotas é de 15%
Resgates efetuados em menos de 30 dias a partir da data de aplicação estão sujeitos ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que varia entre 96% (um dia depois) e 3% (29 dias depois) sobre os rendimentos
Fontes: BM&FBovespa e Anbima
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