Blunderbuss: Jack White de bobo não tem nada
Cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor e empresário de sucesso, essa figura simpática e curiosamente pálida, lembrando os personagens de Tim Burton, conquistou o respeito e a admiração de muita gente
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Fábio de Castro Portela _Sul 21- Jack White é o cara do momento. Cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor e empresário de sucesso, essa figura simpática e curiosamente pálida, lembrando os personagens de Tim Burton, conquistou o respeito e a admiração de muita gente. Não somente fãs, mas também muitas estrelas do meio musical, reconheceram o talento de White, que transcende o gênero do Rock n’ Roll e o estigma de Rockstar.
Blunderbuss, título do ultimo trabalho musical de Jack, entre outras coisas, num contexto de expressão da língua inglesa, significa “desajeitado, ou alguém que seja fácil de se passar a perna”. Ironicamente o termo não se aplica ao criador do álbum, um artista acostumado a alcançar o topo das paradas musicais mundo afora com seus variados projetos e conjuntos. Uma mente criativa que não foge dos riscos inevitáveis de estar constantemente se reinventando.
Para ilustrar a super-produtividade desse inquieto músico, e identificar o caminho de desenvolvimento artístico até Blunderbuss, eu vou citar os principais projetos cronologicamente. Sua história de sucesso começou no “The White Stripes”, por volta de 1997. Sempre vestidos de vermelho, preto e branco, Meg White, sua ex-mulher, na bateria, e Jack nos vocais, produção e demais instrumentos, conquistaram o mundo com sua música influenciada pelo blues, o folk, o rock, e o country misturado a uma atitude sonora do garagerock.
O single “Seven Nation Army”, do álbum “Elephant”, explodiu em todo o planeta em 2003, invadindo as rádios, as pistas de dança e ficando eternizada na “Playlist de Todos os Tempos”. Em 2005, enquanto ainda em atividade com o White Stripes, formou o The Racounters. A banda obteve sucesso, comercial e de crítica, com os dois discos lançados, “Broken Boy Soldiers”, de 2005 e “Consolers of The Lonlely”, de 2008, sendo “Steady as She Goes”, do primeiro disco, a música mais conhecida. Nessa grupo dividiu os vocais e as composições, tocando guitarra com seus amigos. Em seguida criou o “The Dead Weather” no começo de 2009. Dessa vez White assumiu a bateria e dividiu os vocais com Alison Mosshart, a frontwoman vocalista do The Kills.
O guitarrista e tecladista do Queens of Stone Age, Dean Fertita, e o baixista do Racounters, Jack Lawrence, completaram o projeto. Todos grandes músicos de bandas consagradas. Aliás essa é uma das características cruciais do Mr.White : ele se junta sempre a grandes talentos para criar algo novo. Com essa formação lançou mais dois discos, mas desta vez através do seu selo musical, o Third Man Records. “Horehound” foi lançado em 2009, e “Sea of Cowards” em 2010. Em 2011 o The White Stripes anuncia o fim da banda. Próximo capítulo “Blunderbuss”.
Nem todo músico é um artista, nem todo artista é um bom músico e nem todo produtor é um artista profissional, mas Jack White consegue mais do que isso: como um excelente aluno aprendeu com os mestres do passado à tirar um som único para servir de suporte à sua criatividade. Seja com técnicas de gravação analógicas, ou instrumentos e efeitos vintage, o importante é conseguir em disco o som mais orgânico, potente e intuitivo possível. Jack dá continuidade ao legado de gente como Led Zepellin, Jimi Hendrix e todos os grandes nomes do blues e do rock n’roll. Fiel a uma estética respeitável, seguro de sua incrível capacidade de estar conectado ao presente e apostando no futuro, quando arrisca em novos formatos, esse mago do século 21 cria novas referencias para um mercado saturado. A verdade é que a indústria fonográfica é carente de artistas realmente talentosos. Nesse álbum Jack agrada quem gosta de música de verdade. Em Blunderbuss todas músicas são compostas e escritas por Jack.
Ele produz e toca todos instrumentos na gravação : vocais, guitarra, violões, baixo, bateria, piano e piano rhodes, recebendo também convidados em algumas faixas. O disco tem os famosos riffs de guitarra ferozes de Jack em momentos de rock n`roll potente e visceral, mas tem também músicas com melodias muito bem trabalhadas. Fã declarado de Bob Dylan, White derrama seu amor pelo country em vários temas do álbum. Tudo que apresenta um tom de balada vem acompanhado de uma dinâmica diferenciada, nunca descambando para a “baba”. Backing vocals e fraseados criativos, por vezes sutis, também colorem a produção da obra. A riqueza maior desse trabalho está justamente no cruzamento e mistura de estilos, usando timbres e instrumentos variados para criar uma linguagem própria, atual, que de certa forma celebra uma parte importante da história da música, mas ao mesmo tempo ousa em arranjar os ingredientes de uma nova maneira. A faixa “I’m Shakin’”, um rock clássico e com um balanço incrível, é um exemplo claro disso. Um som que só quem conhece muito de equipamentos e sabe tocar de verdade consegue tirar. Parece simples, mas não é. Além de ter um riff muito “pegajoso”, é uma música extremamente bem produzida e lembra muito o Led Zepellin.
Eu não quero analisar música a música, porque tira um pouco do mistério que envolve uma primeira audição. “Weep Themselves to Sleep”, “Freedom at 21”, “Trash Tongue Talker” e “Love Interruption” já dão uma boa noção da qualidade desse trabalho, que apesar de ter a maioria das letras escritas na primeira pessoa, não soa egoísta, ou megalomaníaco. Escute, ouça, aprecie, saboreie, é sem dúvida um dos melhores discos do ano e é muito mais do que um álbum de “Rock”.
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