BH sedia congresso mundial com presença de 64 países
Começou o Congresso Mundial do Iclei, organização internacional que desenvolve soluções de desenvolvimento sustentável. Evento está pela primeira vez na América Latina e reúne representantes de 64 países
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Minas 247 - Com a presença do governador Antônio Anastasia, do prefeito Márcio Lacerda e da ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, foi iniciado o Congresso Mundial do Iclei (sigla em inglês para Governos Locais pela Sustentabilidade), com participação de representantes de 64 países.
O evento será em endereços diferentes da capital e terá palestras, workshops e reuniões com foco em sete temas chaves, entre eles “cidade eficiente no uso de recursos” e “economia urbana verde”. Mais de 1,2 mil participantes se inscreveram, entre os quais 79 prefeitos.
Confira a matéria do jornalista Tiago de Holanda, do jornal Estado de Minas
Durante a abertura ontem à noite, no Sesc Paladium, no Centro da capital, do Congresso Mundial do Iclei, organização internacional que desenvolve soluções de desenvolvimento sustentável, o presidente da entidade, David Cadman, previu mudanças radicais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial. Ele salientou que as cidades estão vivendo um momento de transformação em busca de alternativas para garantir a biodiversidade e a preservação do meio ambiente. “Se as pessoas são o que elas comem, as cidades são o que elas consomem. Por isso, precisamos levar uma vida mais inteligente no contexto da sustentabilidade”, explicou.
A solenidade contou com show de Milton Nascimento e as presenças do governador Antonio Anastasia, da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do prefeito Marcio Lacerda, além do secretário-geral da Rede etropolis, Alan Le Saux, entre outras autoridades. A ministra lembrou que a necessidade de mudança do modelo de desenvolvimento para resolver problemas ambientais surgiu na Conferência de Estocolmo em 1972 e que, desde então, as movimentações dos países não pararam. “É importante agir com consciência e reverter a ideia de que desenvolvimento sustentável envolve só a questão ambiental”, disse.
Antes da abertura oficial, várias atividades ocorreram ontem. O diretor-executivo da ONG 8-80 Cities, Guilhermo Peñalosa, ministrou workshop “Transformar cidades através de projetos de espaços públicos: mobilidade sustentável e parques urbanos”.
Debates
Alguns vêm de metrópoles, outros vivem em pequenas cidades. Eles falam línguas diversas, mas todos se fazem a mesma pergunta: como viver de forma mais saudável, sem danificar o meio ambiente? Prefeitos, outras autoridades municipais e especialistas vindos de 64 países participam do Congresso Mundial do Iclei, que é realizadopela primeira vez na América Latina.
O congresso tem palestras, reuniões, assembleias, workshops e outras atividades, realizadas em cinco endereços da capital mineira. Entre os palestrantes estão o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o embaixador da França para as negociações de mudanças climáticas e coordenador executivo da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Brice Lalonde.
As discussões abrangem sete temas-chave, como “cidade eficiente no uso de recursos” e “economia urbana verde”. Mais de 1,2 mil participantes se inscreveram, entre os quais 79 prefeitos. Domingo, último dia do evento, será lançado o documento “Mensagem para o Rio”, que terá sugestões de políticas públicas em meio ambiente e será enviado à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, iniciada quarta-feira.
Trânsito Assim como BH, Buenos Aires sofre com o aumento exponencial da frota de carros de passeio e os consequentes engarrafamentos. Para ajudar a resolver o problema, foi tomada uma medida enérgica: em 10 ruas da área central da cidade, das 10h às 18h, é proibido o trânsito de carros. “Só podem táxis, veículos de transporte público e alguns outros serviços”, explica Javier Corcuera, presidente da Agência de Proteção Ambiental da capital argentina. “Muita gente criticou (a proibição), mas antes havia muito mais ruídos, poluição.”
Em sua exposição, na tarde de ontem, em um encontro sobre mudanças climáticas, Corcuera mostrou outra medida para aliviar o tráfego intenso, mais familiar aos belo-horizontinos. A cidade portenha criou, desde 2008, 100 quilômetros em ciclofaixas e abriu 22 estações de empréstimos de bicicletas. “Hoje, 10% de todas as viagens em Buenos Aires são feitas de bicicleta. Muitos jovens passaram a adotá-la”, comemora. No início, para impedir que os carros invadissem as ciclofaixas, foi preciso separá-las da rua com blocos de concreto. “Nas cidades latinas, o problema é que o automóvel se sente rei”, critica.
Reciclagem
Jorge Herrera é prefeito de San Rafael, pequena cidade de 40 mil habitantes localizada no sul da Costa Rica, América Central. Nunca havia vindo a BH e achava que, no Brasil, falava-se “brasileño”. Mesmo assim, as práticas que Herrera implementou em seu município podem inspirar os gestores públicos mineiros. Os habitantes de San Rafael, conta ele, não tinham o hábito de separar resíduos para facilitar a reciclagem. “Durante cerca de 10 meses, educamos as pessoas nas escolas, colégios, associaçõevs de bairro”, diz o prefeito.
Depois da etapa inicial de conscientização, foi criado um centro de reciclagem e a prefeitura calcula que hoje 80% da população faz coleta seletiva de lixo. “Com o centro só gastamos aproximadamente 5 mil dólares por mês. Os outros gastos se pagam com a venda do material reciclado”, diz Herrera. Atualmente, um dos grandes desafios de San Rafael é descartar corretamente o lixo encanado no precário sistema de saneamento. “Os resíduos não são tratados e deságuam no rio. Esse é um problema encontrado em toda a América Latina”, afirma ele, que já palestrou em vários países do continente.
Em Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, as cicatrizes da segregação racial ainda são notadas na periferia. É o que explica o prefeito de lá, Parks Mpho Tau. Nas áreas ricas, que antigamente eram território quase exclusivo de brancos, distribuem-se parques e muitas áreas verdes. Nas zonas mais pobres, para onde os negros foram marginalizados, as plantas rareavam. “Estamos levando parques para essas regiões. Nos últimos quatro anos, plantamos 200 mil árvores”, explica Tau, que vai expor as medidas na noite de domingo.
Assim como Minas Gerais, Joanesburgo também sofre com a mineração. “As minas de ouro antigas poluíram com metais pesados algumas fontes de água. Se não remediarmos isso em dois anos, essa água pode contaminar o suprimento da cidade”, diz o prefeito. Coincidências ou não, são muitas as semelhanças entre os problemas relatados pelas prefeituras no congresso do Iclei.
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