BH é a capital do teatro? Os artistas acham graça…
Pesquisa do Ibope mostra que a população da capital mineira é a que mais frequenta teatro no país. Mas artistas e produtores, embora satisfeitos com o levantamento, são céticos quanto a isso. Na terra do grupo Galpão (foto), ainda falta muito para as artes cênicas ganharem seu devido valor
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Minas 247 - Uma pesquisa feita pelo Ibope está dando o que falar no meio cultural de Belo Horizonte. Ela aponta que, entre os moradores das demais capitais do país, o belo-horizontino é o que mais frequenta os espaços teatrais. Será?
Para atores e produtores envolvidos com a área, isso não é bem verdade.
Leia trecho da matéria de Julia Guimarães, do jornal O Tempo:
Surpresa, desconfiança, satisfação. Entre integrantes da classe artística da cidade, a notícia de que Belo Horizonte é a capital brasileira cuja população mais frequenta teatro no Brasil (juntamente com Rio de Janeiro) gerou reações e interpretações diversas, mas com um fundo de espanto comum.
Divulgada pelo Ibope no fim do mês passado, a pesquisa perguntou a 20.736 pessoas de todas as classes e sexos, em nove capitais brasileiras, se elas haviam ido ao teatro pelo menos uma vez ao mês nos últimos 30 dias. Em Belo Horizonte, 15% da população respondeu que sim, deixando para traz capitais conhecidas pelo público consolidado de teatro, como São Paulo (12%) e acima da média nacional, que é de 11%. A pesquisa foi realizada entre julho de 2011 e agosto de 2012.
Se, por um lado, o espanto com os números vêm da dificuldade que alguns produtores e atores enfrentam diariamente para conseguir uma média razoável de público em suas apresentações, por outro, a existência de eventos que colocam o teatro na pauta do dia, como o Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte (FIT-BH) e a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, surgem como fatos que explicam a colocação de Belo Horizonte.
"Quando penso no cenário teatral da cidade, vejo que ela tem coisas muito legais, que ajudam a formar público e a mantê-lo. O FIT-BH é um dos maiores festivais do continente, que criou um enraizamento com a cidade de forma muito madura. E a Campanha de Popularização também possui sua grandeza, não só em termos numéricos, mas na relação com BH, são dois meses em que a cidade inteira fala de teatro, vai para a fila comprar ingresso. Eventos como esses colocam o teatro na pauta cotidiana", avalia Gustavo Bones, ator do Grupo Espanca!, que também afirma ter bom público na sede do grupo, situada no hipercentro da capital.
Se por um lado, Belo Horizonte se diferencia por seus festivais, por outro, a sazonalidade de tais eventos gera baixa no resto do ano. Para o produtor Rômulo Duque, presidente do Sinparc, há um mistério entre o resultado da pesquisa e a carência de público entre março e dezembro. "Com exceção dos maiores teatros da cidade, que recebem atrações de fora, como o Sesc Palladium e o Grande Teatro do Palácio das Artes, a média de público aqui é muito fraca fora da alta temporada. E se pensarmos que apenas 30% da nossa população tem poder aquisitivo para consumir arte e lazer, aí que a situação da capital fica ainda mais difícil. Temos que analisar a pesquisa com calma, porque infelizmente não é isso que vejo nos teatros da capital", afirma.
Também para Maurício Canguçu, ator do sucesso "Acredite, um Espírito Baixou em Mim", a notícia contradiz sua percepção empírica. "Já ficamos cinco anos em cartaz com ‘Acredite’ em São Paulo, o ano todo, com casa cheia. Em BH, não me arrisco a fazer temporadas regulares se o teatro for um pouco maior. Mas dou pulos de alegrias em ver essa informação e acho que ela está muito ligada à presença dos principais festivais da cidade".
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