Avani Stein mostra foto, risco e cor na Ímã

Exposição 'Poética Dissonante' será aberta nesta terça-feira 13, para convidados, na Ímã Foto Galeria; mostra que expressa o jazz em imagens abre para o público no dia 21; leia críticas de Alex Solnik e Paulo Klein e assista a vídeos com a artista

Avani Stein mostra foto, risco e cor na Ímã
Avani Stein mostra foto, risco e cor na Ímã


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247 - A Ímã Foto Galeria abre nesta terça-feira 13, para convidados, a exposição "Poética Dissonante", da fotógrafa Avani Stein. Colocados em exibição pela primeira vez em conjunto, os trabalhos da artista gaúcha traduz o jazz em imagens. Para deixar as obras como estão, Avani fez intervenções com canetas hidrográficas, tintas, agulhas e estiletes. A exposição abre para o público no próximo dia 21 e fica em cartaz até 20 de janeiro.

Leia abaixo textos críticos de Alex Solnik e Paulo Klein, sobre a exposição e a artista, e assista a vídeos com entrevistas de Avani.

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As novas fotos impossíveis de Avani Stein,
por Alex Solnik

Acreditem ou não, Avani Stein já teve quatro vidas.

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Na primeira vida, Avani é uma jovem judia do Hashomer Hatzair. Um movimento de esquerda rumo a Israel, comportamento espartano e anti burguês.

Na segunda vida, Avani é uma dona de casa burguesa casada com um industrial cercada de criadas e que jamais coloca o pé na cozinha. Nem tem nada a fazer.

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Na terceira vida, ela troca o marido industrial por um repórter desempregado alguns anos mais novo que ela. Nasce a Avani fotógrafa. Suas fotos são capas dos jornais mais badalados do Brasil: Folha de S. Paulo e Jornal da Tarde. Ela é reconhecida por seus retratos em preto e branco. É disputada pelas publicações. É a fotógrafa das fotos impossíveis.

O Paulo Patarra e o Hamilton Almeida Filho queriam uma foto do Zé Bétio, o homem do chapéu, para o primeiro número de Repórter 3, em 1978. Missão para Avani. As palavras mágicas que a mobilizaram:

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"Ninguém jamais fotografou o Zé Bétio. Ele não deixa. É muito feio. Será que você consegue?"

Ela foi atrás com a ideia fixa de fotografar o que era proibido. Entrou no estúdio da Rádio Record, aproveitou um momento de distração e deu o click fatal. Ele reagiu, tentou agarrar, exigiu o filme de volta.

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Avani entregou. Mas o filme velado. A foto saiu com a legenda em letras garrafais: furo jornalístico.

Depois o homem do chapéu ficou amigo de Avani, convidou para jantar na fazenda.

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BEIJO ROUBADO

Um amigo meu, não importa quem, diz o seguinte, aos risos, logo que cito o nome Avani Stein: "Ela jogou uma taça de vinho em mim num restaurante." (Há muitos e muitos anos, é claro. Essa Avani é danada!)Mas Avani contesta. Não se lembra, depois contesta. "Não joguei vinho nele. Ele é que me beijou."

"Um beijo roubado?" pergunto, numa tarde de sol no bar Empanadas.

"Roubado."

Duas versões do mesmo fato. Vinho na cara? Ou beijo na boca?  E as fotos também podem ter duas versões? Podem. Avani descobriu que podem. Na quarta vida ela rompe com o jovem e talentoso repórter para recuperar a sua identidade. As fotos não são apenas registros. Agora, elas têm marcas, riscos, tinta, raiva, doçura, paixão. Duas ou mais versões.

BARDI NO CHÃO

Não a vejo há anos, ela é ainda a mesma. Usa aqueles óculos que se transformam em seus olhos, é mignon e fala gauchês, esse idioma que não é falado, mas cantado.

Linda, bela, gostosa – eram três palavras que podiam ser aplicadas a ela. E a quarta e quinta: puta fotógrafa!

Imprevisível. Um dia, o Pietro Maria Bardi a agarrou pelo braço e saiu correndo com ela num espaço do MASP.

A certa altura, ela brecou e ele se esborrachou no chão!

Pinta e borda

Na Praia da Ferrugem Avani se encontra com o que faz de melhor. "Trabalhadora e criadora", como gosta de ser chamada por ela própria. Mostra os trabalhos para mim. Me surpreendo pela beleza, pelo movimento, pela agilidade. Como ela chega a isso? Nem ela sabe. Passa horas em cima da foto. E então a transforma, riscando com prego, pintando, mexendo, extraindo o que a foto original não tinha.

Ela começou com isso ao invocar, certa vez, com uma foto sua, uma foto banal de uma cama. Não parou mais. As pessoas adoraram. Ali estava uma coisa de que ela e os outros gostavam. Desaparece o real, dando lugar a um imaginário no qual não há mais foto, há imagens em cima de um papel.

Do papel Avani pulou para o pano, bordando nele as mesmas imagens do papel.

Produz, desde 1995, os trabalhos agora exibidos em conjunto, pela primeira vez, na  exposição da Ímã Foto Galeria.

As novas fotos impossíveis de Avani Stein.


'Jazz aqui é rave', por Paulo Klein

A arte de Avani Stein rompe a incômoda linha divisória - imaginária, que separa a Fotografia da Arte Contemporânea. Avani abandonou o fotojornalismo de qualidade já nos anos 90 - quando era comparável à Maureen Bisilliat e à Claudia Andujar - para abraçar as artes com recursos que dessem vazão, ao seu incontrolável desejo expressivo.

A fotografia foi, assim, apenas um, entre os muitos elementos, suportes e materiais que constituem sua obra vasta e diversificada. Além de imagens selecionadas de seu baú de fatos e lembranças, Avani utiliza canetas hidrográficas, tintas várias, estiletes, agulhas e interfere com linha, borda, costura e arranha a imagem como quem cuida de feridas, como quem constrói patchworks e infesta com micróbios da fuzarca a imagem desinfeta.

Mas a arte de Avani Stein, originada no campo da Fotografia, não se curva à arte de escrever com luzes, contamina a mídia, fere o corpo do papel e subverte o 'mundinho careta' da fotofashion.

Se suas paisagens, naturezas semi-mortas e personagens maculados constituem uma galeria de frames fantasmagóricos, a arte vasta de Avani adquire também climas de arte tecida, de mundos bordados e entrelaçados em construções 'penelopianas' que a aproximam de artistas – que eu me lembro agora - como Louise Bourgeois (Fr 1911- US 2010), Sheila Hicks (US 1934) e Artur Bispo do Rosário (Br 1911- 1989) – os dois últimos presentes na #30bienal de São Paulo), colocando-a à  nível de grandes nomes da arte contemporânea.

Com longa trajetória no campo da imagem, Avani Stein acumula décadas de vida e arte em obra singular e, ao mesmo tempo, templo da compulsão e da devoção, do engenho, da poética dos retalhos e dos pontos em cruz.

Avani Stein, não obstante, aceitou o desafio proposto por Egberto Nogueira e produziu série de trabalhos especialmente para esta mostra, com suas improvisações aliadas a grandes gênios do jazz, paixão de tantos entre nós. Em suas mãos encantadas, com processos ácidos que penetram fundo e sensualmente a pele dos retratos, estão manjares visuais a partir de fotos icônicas de Thelonius Monk, John Coltrane, Milles Davis, Nina Simone e Billie Hooliday, entre outros, no melhor estilo Warhol.

Avani deu assim - de corpo e alma - asas aos seus delírios, aos nossos delírios e improvisos, para oferecer uma coleção que aproxima todas as paixões.

Mas, o fascínio maior desta exposição é presenciarmos esta jam session muito além das imagens referentes, na qual a arte de Avani Stein se reinventa a cada novo dia, a cada nova manhã.

Confira vídeos com a artista:


Vídeo produzido para o Workshop Foto Arte de Avani Stein:


Avani no programa 'Starte', da Globo News:




Entrevista de Avani Stein ao Jornal da Gazeta:

 

Paulo Klein, fotógrafo e crítico de arte

Association Internationale Des Critique D' Art – Paris

Associação Brasileira de Críticos de Arte – SP

Coleção  Avani Stein "Poética Dissonante"

Quando: de 21 de novembro a 20 de janeiro 2013

Onde: Rua Fradique Coutinho, 1239 - Vila Madalena

Horário: segunda a sexta das 10h às 19h

e  sábado das 10h às 17h

Contato para  a imprensa: Egberto Nogueira (egberto@terra.com.br)

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