Atualizando a carteira de investimentos
Dentro de um cenário de crise, chegamos no momento de reavaliar e ponderar como estão nossas finanças pessoais
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Já estamos na metade do ano de 2012. O contexto de crise econômica permanece, porém, assumiu novos endereços. Além de Grécia, Irlanda e EUA, a onda da depressão financeira assolou a Espanha, que, tendo nos últimos anos surfado numa onda imobiliária transformada agora em bolha, abala-se de forma inconteste frente à ausência de liquidez bancária e coloca na forca a moeda única, o Euro.
As autoridades monetárias da zona do euro já apresentam propostas para salvaguardar os movimentos futuros para que as bases de sustentação da União Européia não caiam e levem os países centrais à crise.
A Espanha captou recursos a custos astronômicos nas últimas semanas, colocando em xeque se realmente irá conseguir se recuperar para honrar os pagamentos de sua dívida soberana. Além disso, alguns bancos já declararam baixa liquidez.
O desalento espanhol é tal que o rei Juan Carlos apóia-se nos resultados que a seleção de futebol poderá trazer da Eurocopa 2012 para dar novo ânimo a sua população, que sofre com alto nível de desemprego, principalmente entre os mais jovens.
No Brasil, juros baixando, endividamento familiar aumentando, máquina pública ineficiente e ausência de investimentos em infraestrutura (sem falar da corrupção), consolidam um momento econômico estável, com baixo crescimento econômico, nível de inflação na meta superior e percepção de que este modelo apoiado no consumo das famílias tem severa restrição sobre o mover da economia.
Dentro deste cenário, de forma bastante resumida, chegamos na hora de reavaliar e ponderar como estão nossas finanças pessoais. Em específico, devem-se ponderar os valores investidos, ou seja, avaliar a forma como a qual estamos contribuindo para a Previdência Privada (se estamos), quais as novas opções de aplicação financeira, taxas de administração, cesta de serviços e etc. (a análise das dívidas e os fluxos de pagamentos serão tratados nos próximos artigos.)
Os investimentos baseados nas carteiras de Renda Variável sofreram severamente no último mês, devido às flutuações negativas do mercado externo e alteração do dólar. Muitos que detinham aplicações em fundos de investimento atrelados ao dólar, tiveram no último mês um extraordinário desempenho, graças à ascensão da cotação da moeda estrangeira.
Faz-se necessário um alerta a quem deseja entrar aportando novos investimentos nestes fundos cambiais: mesmo que o retorno tenha sido altamente positivo no último mês, não se espera uma manutenção da lucratividade nestes fundos, tornando-os assim uma rentabilidade fora da curva normal de rendimentos.
Logo, com um custo de cota elevado, àqueles que decidirem canalizar seus recursos para tais fundos poderão levar um período mais elástico no retorno do investimento.
As alterações das regras da poupança fizeram muitos reavaliarem se seu dinheiro estaria bem alocado ou não, principalmente devido à queda de sua rentabilidade. Reitero que, para quem possui recursos com valores inferiores a R$ 5 mil, a manutenção do investimento em poupança é o mais indicado, principalmente por se tratar de um produto altamente líquido. Funciona na verdade quase como um colchão para as emergências.
Outros que já possuem recursos mais vultosos poderão se arriscar, dependendo do perfil, em investimento na bolsa de valores e/ou CDBs ou LCIs.
Para quem não tem pressa nem data para retirar o capital investido, a Bolsa de Valores, via compra direta ou fundos de investimentos atrelados a ações, podem ser uma ótima alternativa. Atenção para a taxa de administração que os fundos praticam atualmente, tanto para àqueles com carteira variável como aqueles que se apóiam na renda fixa.
Este alerta para a taxa de administração é muito importante: dependendo da rentabilidade média, uma "inofensiva" taxa de administração de 2 ou 3% ao ano, poderá consumir até 20 ou 25% da rentabilidade do fundo, principalmente com a queda das remunerações das aplicações de renda fixa e contínua queda da taxa SELIC.
Para quem possui um perfil mais moderado, CDBs e LCIs são ótimas alternativas. As LCIs são relativamente mais novas, e vem ganhando espaço do CDB na carteira de renda fixa devido a sua base tributária (isenção de Imposto de Renda).
Alguns bancos já operam com este produto com valores de investimentos muito atrativos. Lembro que a maioria dos CDBs e LCIs possuem uma classificação média quanto à restrição de liquidez, o que significa dizer que deverão ser obedecidas datas e prazos contratuais para o resgate.
Não podemos descartar ainda o tesouro direto, que trará em breve uma nova redução nos valores mínimos de investimentos. Os títulos públicos garantem boa rentabilidade, mas devemos ter atenção especial na escolha de qual indexador (se referenciado pela inflação, SELIC e etc.).
A Previdência Privada está diretamente ligada às variáveis idade e tempo de contribuição. Para quem inicia as contribuições na juventude, pode-se escolher um portfólio agressivo, com maior parte dos recursos atrelados à renda variável. Justifica a escolha devido ao horizonte temporal, que garantirá um ganho ao final das oscilações da bolsa de valores.
Já àqueles que irão sacar seu benefício em menos de 3 a 5 anos, a renda variável deve ser restringida ao mínimo possível, uma vez que, os ciclos econômicos podem afetar diretamente a rentabilidade do patrimônio aplicado, fazendo com que, na data de retirada dos recursos o ciclo esteja em baixa, materializando-se um prejuízo.
Dentro da escolha dos produtos de Previdência Privada, deve-se atacar o item chamado taxa de carregamento, buscando minimizá-lo ao máximo possível.
Enfim, cada produto de investimento citado com certeza renderia artigos mais aprofundados. Em síntese, o objetivo é chamar a atenção para o momento de ponderar sobre a carteira de investimentos e analisar suas rentabilidades.
Caso não estejam atrativos, uma reavaliação da carteira de investimento é necessária, e dependendo do custo de oportunidade, faz-se necessário o resgate imediato da aplicação financeira.
Antônio Teodoro é economista e professor
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