Ato contra Feliciano termina em ‘Beijaço’

Centenas de pessoas protestaram nesta quarta-feira 26, em Porto Alegre, pedindo a queda do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias; manisfestação ocorreu na Esquina Democrática, no centro da capital, durou cerca de uma hora e encerrou com um 'Beijaço' entre os casais homossexuais

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Rachel Duarte, Sul 21 - Centenas de pessoas protestaram nesta quarta-feira (26), em Porto Alegre, pedindo a queda do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). Segundo os protestantes, a força do povo que derrubou o aumento das passagens no país pode influenciar no recuo da negociação entre os partidos aliados da base do governo Dilma que permitiram a nomeação do parlamentar. O ato ocorreu a partir do meio dia, na Esquina Democrática, no Centro da capital gaúcha. A manifestação durou cerca de uma hora e encerrou com um 'Beijaço' entre os casais homossexuais.

Diferente de outras manifestações recentes na cidade, o grito contra a influência do fundamentalismo religioso nos direitos humanos foi dado por uma minoria. No começo do ato, apenas os líderes dos partidos de esquerda que organizaram a manifestação no Facebook (PSOL e PSTU) estavam em volta da bandeira do arco-íris estendida no chão. Aos poucos, representantes dos movimentos sociais LGBT e ativistas dos direitos dos homossexuais começaram a se unir ao manifesto.

A imprensa gaúcha esteve presente de forma massiva, bem como a Brigada Militar. "Podemos ficar tranquilos pessoal porque estamos muito seguros agora. A Brigada Militar está cuidando de nós. Eu só me pergunto onde eles estão quando os neonazistas atacam gays em Porto Alegre", indagou uma estudante ao megafone.

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De forma revezada, os manifestantes alertavam as pessoas que passavam próximo ao protesto. "Ele (Marco Feliciano) não nos representa e não representa os direitos humanos de modo geral. A cura gay é um retrocesso. A real cura que precisamos é a do Congresso Nacional", criticou o membro do Grupo Desobedeça, Roberto Steitenfus.

Pedestres foram convidados a assinar Estatuto da Diversidade Sexual

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A auxiliar de enfermagem Maria Celeste Hennemann (55 anos), que passava pela Rua dos Andradas na hora do almoço resolveu parar para ver o ato. Convidada a assinar a petição pela aprovação do Estatuto da Diversidade Sexual proposto pela Comissão de Diversidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela fez questão de colaborar. "Homossexualidade não é doença. Ninguém tem que interferir no direito da sexualidade do outro. Homossexuais são iguais a heterossexuais. Ambos pagam impostos iguais e são cidadãos iguais", disse. Indignada com a política, ela aprovou os protestos ocorridos na cidade e no país nos últimos dias. "Eu acredito que estamos no começo de uma transformação para saldar a dívida dos políticos para com as demandas do povo. Eles não remuneram bem a polícia, médicos e professores, não é a toa que saúde, segurança e educação seguem sendo as principais reivindicações", disse anunciando que pretende ir ao próximo protesto de Porto Alegre.

A mesma vontade nutre a jovem Gabriela de Oliveira (17 anos), atendente de lanchonete na Rua da Praia. "Eu ainda não fui a nenhum. Pretendo ir. Só acho que pode ser mais pacífico. Não precisa quebrar nada ou roubar as lojas. Isto eu não concordo", falou. Vestida com o uniforme do trabalho, ela caminhou por entre os manifestantes para ler as frases dos cartazes e entender a causa do novo protesto na cidade. "Eu concordo. Vejo diariamente gays sendo xingados na rua. Passam na frente do meu trabalho e vejo eles serem provocados", disse.

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União dos movimentos sociais poderia ter ampliado o ato

O ato desta quarta-feira reuniu um número consideravelmente menor nas ruas do que na última mobilização, na segunda-feira (24). Para o coordenador do Grupo Nuances, Célio Golin, "não podem acontecer atos descolados, avulsos". Ele defende que o novo momento do país deve ser aproveitado de forma estratégica para garantir as pautas das minorias esquecidas pelos governantes e violadas com propostas conservadoras no Congresso. "O governo federal foi conivente com a entrega da vaga para o PSC que indicou o Marco Feliciano na CDHM. Propostas como a que ele apresentou e aprovou pedindo a 'cura gay', que já teve a discussão de mérito superada há 50 anos, temos que impedir. Queremos a renúncia do Feliciano", afirmou.

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Para a representante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Cláudia Prates, isto só será possível com a organização dos próximos protestos. "Incentivar manifestações individuais não é um problema em si, mas contribui para que não consigamos dar visibilidade para nossas pautas. Temos uma pluralidade de reivindicações, o que demonstra que estamos pensando, mas, temos que nos unir. Hoje tivemos 200 pessoas aqui, poderíamos ter tido 10 mil", comparou.

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

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