As lições de Goethe para Goiás
Dr. Fausto vendeu a alma ao diabo, em troca de poder. Que pacto foi feito entre Perillo e Cachoeira?
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Qual é o legado do governo Marconi Perillo (PSDB)? O que vai ficar para posteridade? O jovem que venceu em 1998 um velho cacique da política (Iris Rezende) tomou posse prometendo um governo de austeridade: um “Tempo Novo” de combate a corrupção e de tolerância zero com a criminalidade. Este discurso de paladino da moralidade talvez tenha sido a verdadeira fonte de inspiração para Demóstenes Torres (ex-DEM), que seria eleito senador em 2002, no mesmo pleito que reelegeu Perillo.
Passados 14 anos há uma distância abissal entre as promessas do “Tempo Novo” e as águas da cachoeira quem engolfam o Palácio das Esmeraldas. O que mudou?
No seu discurso de posse na Assembléia Legislativa de Goiás, em 1º de janeiro de 1999, o jovem governador fez muitas assertivas. Vejamos alguns trechos:
1 – “Nenhum governo pratica impunemente o individualismo em detrimento do coletivo”.
2 – “Não somos a província dos coronéis. Não somos gente atrasada olhando o próprio umbigo. O que vamos mostrar ao país é que aqui não é terra de meia dúzia”.
3 – “Na área de segurança o Estado tem que assumir esta tarefa de devolver as ruas das cidades para seus cidadãos de bem. Se cada um é obrigado a se trancar atrás de suas grades e de seus cães de guarda é porque os bandidos ocuparam as praças. Alguém deveria responder por isto. A polícia tem de ser honesta e eficiente para que cada um se sinta protegido”
3 – “Já temos nossa regra: tolerância zero com o crime e a impunidade com eficiência máxima na polícia”
4 – “A polícia não quer mais o bandido. Nem dentro e nem fora de sua corporação. O combate ao crime nas ruas é tão importante quanto a corrupção de costumes dentro da corporação, a corrupção que também cria condições para os desmandos e o desrespeito com o cidadão de bem”
5 – “Vamos desmilitarizar o Detran, denunciar e expulsar os corruptos, vigiar cada milímetro Cepaigo, fazer revisão das penas e criar grupos de gerenciamento de crises”.
6 – “A Quinta estratégia do governo de um tempo novo pode ser resumida na palavra “democracia”. Não governaremos para um pequeno grupo”
Na política há os fatos e os bastidores. É fato é que o aparelho de segurança pública do governo atual foi dominado pelo crime organizado.
Outro fato é que nestes 18 meses do Governo Marconi, Goiás tornou-se terra fértil para os negócios dos jogos ilegais (caça-níqueis, casas de apostas, jogo do bicho). A jogatina cresceu graças a penetração do crime organizado nas forças policiais do Estado.
O Estado do “Tempo Novo”, que deveria ter tolerância zero com o crime passou a registrar crescimento nas ocorrências de furtos, assaltos e latrocínicos.
Nos bastidores talvez esteja a chave da incoerência entre o discurso moralista do governador de antanho e o caos instalado na máquina estatal do presente. Tal qual Dr.Fausto, que fez pacto onde oferece sua alma a Mefistófeles em troca de glória e poder, Marconi teria recorrido aos serviços de Cachoeira para vencer as eleições em 2010. Ao final da trama escrita pelo escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, o personagem Fausto engana o demônio. A trama Marconi-Demóstenes-Cachoeira ainda não chegou ao fim, sendo incerto seu desfecho, porém a alma daquilo que um dia se chamou “Tempo Novo” está irremediavelmente perdida.
Marcus Vinícius edita o www.marcusvinicius.blog.br
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