Argentinos mandam cada vez mais na Usiminas
Desde a entrada da Techint como sócia da siderúrgica, em janeiro, mais de 20 portenhos foram contratados para ocupar cargos de comando na empresa. Empresa garante que a relação com os funcionários brasileiros vai bem, mas será?
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Minas 247 - Parecia inevitável, mas não deixa de ser surpreendente a intensidade e a velocidade a contratação de argentinos para postos de comando na Usiminas. Desde a entrada oficial da Techint, gigante ítalo-argentina que entrou como sócia em janeiro, já são 23 executivos argentinos contrataso para cargos de comando.
Um relatório recente do Deutsche Bank elogia muito a empresa, dizendo que as mudanças no perfil do comando darão resultado satisfatório. Mas o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Ipatinga, Luiz Carlos Miranda, é mais cético: “Se eles vieram para cá para mudar a cultura da empresa, principalmente em Ipatinga, vão dar com os burros n'água”, afirma.
Laia trecho da reportagem de Marcos de Moura e Souza, do Valor Econômico:
O espanhol virou a língua estrangeira mais falada na Usiminas. A empresa contratou este ano 23 argentinos para ocupar cargos de comando. São gerentes, gerentes gerais e diretores. A maior parte chegou até meados do ano, os últimos há pouco mais de um mês. Eles foram trazidos pelo atual diretor-presidente, o também argentino Julián Alberto Eguren, que assumiu o comando da empresa em janeiro após a entrada da Ternium, da gigante ítalo-argentina Techint, como sócia da siderúrgica mineira.
Os argentinos se tornaram o grupo de expatriados mais numeroso da empresa - embora eles e outros estrangeiros não representem mais do que 10% dos profissionais em cargos de gestão. A interação entre argentinos e os funcionários brasileiros, diz a empresa, tem sido muito proveitosa. Mas quem conhece iniciativas de "importação" de profissionais para comandar equipes no exterior diz que desgastes e desajustes são inevitáveis nesses casos.
Os 23 argentinos vieram todos da Ternium e firmaram contrato para ficar no Brasil por três anos. Alguns já haviam trabalhado diretamente com Eguren que, antes de se mudar para o Brasil, trabalhou no México. O grupo foi distribuído entre Belo Horizonte, Ipatinga (MG), São Paulo e Cubatão (SP). A maioria está em cargos novos - como diretoria de supply chain - ou em vagas que haviam sido congeladas, diz Vanderlei Schiller, vice-presidente de recursos humanos e desenvolvimento organizacional da Usiminas.
Mas por que tantos argentinos em cargos de comando? Não haveria na empresa gente com experiência e conhecimento suficientes para as posições? Essas e outras dúvidas provavelmente vêm martelando na cabeça dos funcionários da Usiminas que passaram a lidar diretamente com os recém-chegados estrangeiros. "Foi uma opção para tornar o corpo gerencial da Usiminas mais qualificado", diz Schiller. "É uma questão de experiência. A maioria desses executivos já passou por outros países e viveu desafios semelhantes aos que a organização enfrenta atualmente".
Schiller nota diferenças na forma como os brasileiros e os argentinos atuam nestes primeiros meses de convivência na Usiminas. Até que ponto isso tem a ver com as culturas de cada uma das empresas - Usiminas e Ternium - ou com a nacionalidade é algo difícil de avaliar. "No lado brasileiro, há mais flexibilidade e voluntariedade. No outro, um estilo um pouco mais disciplinado e focado", diz o vice-presidente. Mas não são, acrescenta ele, diferenças gritantes. Além disso, a junção da experiência internacional com a vivência local têm começado a produzir resultados positivos em um momento em que o setor siderúrgico patina em todo o mundo, diz.
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