André X Márcio: "enfim, foi a direita contra a esquerda, e vice-versa"

Em artigo, secretário de Organização do PT Estadual, Lucas Rios, avalia debate entre os dois deputados federais André Moura (PSC) e Márcio Macêdo (PT), que se deu na última quinta, no encontro com jornalistas; "se pôde presenciar um duelo, travado no mais alto nível do debate de ideias, entre as teses conservadoras e historicamente ligadas a grupos e partidos políticos de direita, ali representados por André, e as progressistas, ligadas à esquerda em geral, representadas por Márcio"

André X Márcio: "enfim, foi a direita contra a esquerda, e vice-versa"
André X Márcio: "enfim, foi a direita contra a esquerda, e vice-versa"


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Sergipe 247 - O secretário de Organização do PT Estadual, advogado Lucas Mendonça Rios, produziu um artigo sobre o debate entre os dois deputados federais André Moura (PSC) e Márcio Macêdo (PT), que se deu na última quinta-feira (9), no encontro com jornalistas. No texto, Lucas Rios avalia que o embate entre os dois parlamentares histórico. 

"Primeiramente, porque estavam ali dois jovens parlamentares, integrantes de uma geração que, num futuro não muito distante, comandará os destinos político-administrativos do nosso estado, como bem ressaltou, aliás, o colega advogado Emanuel Cacho, que lá também se encontrava. Em segundo lugar, porque se pôde presenciar um duelo, travado no mais alto nível do debate de ideias, entre as teses conservadoras e historicamente ligadas a grupos e partidos políticos de direita, ali representados pelo deputado André, e as progressistas, ligadas à esquerda em geral, representadas pelo deputado Márcio", avalia.

Confira a íntegra do artigo produzido para o Sergipe 247:

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Enfim, foi a direita contra a esquerda, e vice-versa

Na semana em que, finalmente, houve a aprovação do Proinveste pela Assembléia Legislativa de Sergipe, a nosso sentir ocorreu outro fato político de relevo, envolvendo representantes dos dois principais agrupamentos políticos protagonistas do debate havido em torno do referido empréstimo disponibilizado pelo Governo Federal: o encontro, numa mesma mesa, lado a lado, dos deputados federais Márcio Macedo (PT) e André Moura (PSC), num evento havido no Facebaar, o já bem conhecido no meio político “Cabaré de 5ª”.

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O relevo não se deve ao encontro propriamente dito, afinal os deputados são colegas de Parlamento e, comumente, dividem os mesmos espaços, mas ao legítimo e democrático confronto de teses dele decorrente. Acabou sendo, por isto, um embate cujos efeitos a história política de Sergipe certamente registrará. E por quê?

Primeiramente, porque estavam ali dois jovens parlamentares, integrantes de uma geração que, num futuro não muito distante, comandará os destinos político-administrativos do nosso estado, como bem ressaltou, aliás, o colega advogado Emanuel Cacho, que lá também se encontrava.

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Em segundo lugar, porque se pôde presenciar um duelo, travado no mais alto nível do debate de ideias, entre as teses conservadoras e historicamente ligadas a grupos e partidos políticos de direita, ali representados pelo deputado André, e as progressistas, ligadas à esquerda em geral, representadas pelo deputado Márcio.

Ao escolher como tema da sua exposição inicial a Proposta de Emenda Constitucional que reduz a maioridade penal, o deputado André Moura fincou pé de um lado, o daqueles que enxergam o Estado como uma entidade de caráter eminentemente repressivo, apartado das responsabilidades que deve assumir no sentido de garantir o desenvolvimento pleno dos seus cidadãos.

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Por outro lado, o deputado Márcio Macêdo, apesar de dirigir sua fala inicial à exposição da MP 589/12 (que refinancia dívidas de Estados e Municípios com o INSS), não se eximiu de assumir também seu lado, diametralmente oposto ao do deputado do PSC, posicionando-se a favor dos princípios que informam o dever de proteção, pelo Estado, da criança e do adolescente, que se encontram inscritos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, e que têm ganho cada vez mais força nos debates legislativos, como se pôde ver na recente aprovação do Estatuto da Juventude pelo Congresso Nacional.

A defesa da criminalização juvenil (num sentido eminentemente jurídico) é comumente acompanhada da criminalização (num sentido político), por exemplo, do bolsa-família, das cotas sociais e raciais para ingresso em universidades e das políticas afirmativas em geral, da união homoafetiva, dos direitos trabalhistas e previdenciários, etc. Não raro vemos uma convergência conservadora e reacionária em torno destas questões, convergência esta que repele todo e qualquer esforço progressista no sentido de garantir e/ou ampliar direitos civis e sociais empreendido seja pelo Governo Federal, pelo Congresso Nacional, pela sociedade civil organizada e, até mesmo, em alguns casos, pelo Poder Judiciário.

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Ao manifestar-se contra a redução da maioridade penal, o deputado Márcio Macêdo representou, naquele momento, a defesa de uma história construída por homens e mulheres e por um conjunto de forças políticas identificadas, mais remotamente, com o combate à ditadura militar, depois com a redemocratização e com o enfrentamento do neoliberalismo, e, mais recentemente, com as políticas de consolidação e ampliação de direitos sociais, e que, enfim, defendem um Estado que, ao invés de excluir, inclui, ao invés de criminalizar, protege, ao invés de oprimir, garante, ou seja, um Estado indutor do desenvolvimento econômico-social e que não prescinde da participação popular na discussão, elaboração e execução de políticas públicas.

Já do deputado André Moura, bem... Considerando suas origens e seu lócus político atual, não se poderia esperar outra coisa senão se colocar, comodamente, ao lado dos conservadores e reacionários.

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Foto: Facebook PSC Jovem Propriá

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