André Moura defende Marcos Feliciano, o pastor homofóbico e racista

Marcos Feliciano, que diz que africanos são amaldiçoados, que Aids é um câncer gay e quer criminalizar terreiros, bateu o pé e quer ser presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria da Câmara; o líder do PSC, André Moura, concorda, mas a sociedade organizada protesta; votação, que seria nesta quarta-feira, foi adiada para a manhã de quinta; redes sociais fervem com o tema; sergipanos entram no debate e questionam defesa de André Moura; assessor de prefeitura do PSC diz que Marcos Feliciano mudou de posição e acusa críticos de intolerância, mas é difícil engolir este argumento

André Moura defende Marcos Feliciano, o pastor homofóbico e racista
André Moura defende Marcos Feliciano, o pastor homofóbico e racista


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Valter Lima, do Sergipe 247 – É extremamente complicado defender uma candidatura para a presidência da Comissão de Direitos Humanos de um parlamentar que já produziu declarações racistas e homofóbicas. E ainda mais, quando este candidato é um líder evangélico, religião que prega abertamente contra os direitos igualitários de gays, lésbicas, travestis e transexuais, que não aceita o casamento entre pessoas do mesmo sexo – muito menos a adoção de crianças.

Ainda assim é este caminho que o deputado federal sergipano André Moura, líder da bancada do PSC na Câmara, optou trilhar ao defender – e manter – o nome do também deputado federal Marcos Feliciano, que é pastor, para a presidência de uma comissão que defende minorias, termo este que os evangélicos rejeitam quando se trata dos homossexuais. É uma contradição objetiva, muito clara.

O tema tomou conta do noticiário e é frequente nas redes sociais. Nesta quarta-feira (6), dia em que, praticamente, todas as comissões foram formadas na Câmara, a de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) teve sua eleição suspensa em decorrência de protestos de grupos que não aceitam o nome de Marcos Feliciano. Mesmo diante da recusa, André Moura, voz do PSC, se recusa a dialogar, não cogita lançar outro candidato do mesmo partido para a vaga e ainda diz que “a sociedade não pode julgar antecipadamente” o pastor-deputado-candidato.

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Mas ele se esquece de que não é antecipado o julgamento. É posterior ao que já foi dito por Marcos Feliciano. Para o pastor, o problema da África negra é "espiritual" porque "os africanos descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé". Este mesmo líder evangélico já se referiu à Aids como "o câncer gay" e defende um projeto de lei que obriga o Conselho Federal de Psicologia a aceitar "terapias de reversão da homossexualidade". E é o mesmo que quer criminalizar terreiros e pais e mães de santo. Será realmente um julgamento antecipado, André Moura?

Pelas redes sociais, sergipanos têm se colocado contra a indicação de Marcos Feliciano e a defesa de André Moura. O procurador do Estado Marcos Póvoas tuitou que não há como acreditar que o pastor-deputado tenha mudado de posicionamento. “Se ele não respeitava ate ontem, não vai respeitar agora. Isso vem do grego, demagogia. É uma ignomínia isso. A partir de agora ele defenderá o direito dos gays? Vai mudar de opinião sobre os negros africanos? Sou um cidadão que não concorda com declarações discriminatórias e desumanas”, afirmou, pelo Twitter.

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O coordenador nacional da Juventude do PT, Jefferson Lima, que é sergipano, também tuitou sobre o caso. “O líder do PSC e deputado sergipano André Moura indicando e defendendo hoje o que há de pior na política: o racista, o homofóbico e o preconceituoso”, afirmou Jefferson, ressaltando que continuará lutando para que Marcos Feliciano não seja o presidente da CDHM.

Em resposta a essas críticas, o radialista Marcos Aurélio, secretário da comunicação de Pirambu/SE, município administrado pelo PSC, saiu em defesa de Feliciano e de André Moura. “Só uma pergunta sobre a polêmica na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados: a intolerância não é também uma agressão, sendo que este cidadão tem reiterado várias vezes que não é homofóbico, nem preconceituoso e que respeitará todos? Quando alguém diz algo, não tem o direito de se arrepender?”, questionou.

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Na Câmara, o sergipano André Moura afirmou que a candidatura de Feliciano não será retirada para atender aos apelos dos militantes ligados à bandeira de direitos humanos. “Está mantida a candidatura do deputado Marco Feliciano. É uma decisão da bancada, do partido. Ele é de nossa inteira confiança. O fato de defender determinadas bandeiras não significa que ele, como presidente da comissão, vá trabalhar de forma tendenciosa”, enfatizou.

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB/RN) criticou a forma como os militantes de direitos humanos e os parlamentares que são contra a indicação de Marcos Feliciano impediram a eleição do novo dirigente do colegiado. “O que aconteceu com a Comissão de Direitos Humanos e Minoria não honra esta casa, esta Casa precisa primar pela ordem, pelo respeito e, sobretudo, pelo processo democrático”, afirmou.

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Henrique Alves anunciou que a votação será realizada nesta quinta-feira, 7, às 9h. “Faço um apelo aos senhores que forem contra: se ausentem, votem pelo ‘não’ ou até mesmo se retirem da Comissão, mas cumpram com os seus deveres regimentais”, finalizou. A questão é que a sociedade organizada não quer se ausentar do debate e não quer aceitar uma indicação tão controversa.

Ao líder do PSC, o deputado sergipano André Moura, um questionamento: se o partido que ele representa não admite dialogar sobre a mudança de candidato, que, comprovadamente possui impedimentos para assumir tal cargo, que garantias a sociedade terá de uma vez sendo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria, ele estará disposto a agir com neutralidade, diante de temas que o incomodam e o desagradam? É difícil engolir esse argumento, parlamentar! 

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