Amazon tenta avanço no Brasil enquanto rivais locais prosperam

A presença física e o rápido crescimento nas vendas online têm levado o Magazine Luiza aos altos escalões do comércio eletrônico no Brasil, impulsionando suas ações a acumularem alta de mais de 500 por cento no ano passado e de cerca de 20 por cento este ano.

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 (Reuters) - Claudia Maria de Oliveira é desconfiada em relação a compras online, mas enquanto navegava em uma rede social recentemente, a brasileira de 49 anos de idade viu uma oferta de sanduicheira do Magazine Luiza.

Ela deixou de lado suas dúvidas e clicou no botão “comprar”. Dois dias depois ela buscou sua primeira compra online em um shopping center de São Paulo.

“Eu corri o risco”, disse Oliveira, que trabalha fazendo faxina em escritórios. “Se eu tiver qualquer problema com isso, pelo menos eu sei que posso voltar à loja.”

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A presença física e o rápido crescimento nas vendas online têm levado o Magazine Luiza aos altos escalões do comércio eletrônico no Brasil, impulsionando suas ações a acumularem alta de mais de 500 por cento no ano passado e de cerca de 20 por cento este ano.

A empresa aposta em suas raízes profundas no mercado local para sobreviver à entrada da Amazon, que está acelerando as operações no Brasil, seis anos após entrar no país.

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A Reuters informou que a Amazon está mirando um importante galpão em Cajamar (SP), negociando um acordo para transporte de mercadorias e reunindo fornecedores locais de produtos eletrônicos a perfumes e eletrodomésticos.

No entanto, a gigante norte-americana pode ter dificuldades para dominar o varejo no Brasil da mesma forma que faz em outros lugares, de acordo com uma dúzia de executivos, analistas e investidores entrevistados pela Reuters.

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Eles comparam o estado atual do comércio eletrônico brasileiro com o mercado dos Estados Unidos há 10 anos, exceto que neste caso do Brasil, o lento avanço da Amazon deu tempo para que os rivais se preparassem.

Diferente da Amazon, empresas que cresceram no Brasil têm décadas de experiência com os consumidores e com o emaranhado de burocracia, habilidades cruciais para sobrevivência no varejo local.

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“Nós vemos espaço para vários players”, disse Eduardo Carlier, gestor de fundos da AZ Quest Investimentos, um grande acionista do Magazine Luiza. “Nós acreditamos que esse modelo de winner-take-all que vigorou nos Estados Unidos será comedido no Brasil.”

A Amazon não quis comentar.

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INÍCIO LENTO

Com a maior economia da América Latina e uma população de mais de 200 milhões de pessoas, o Brasil é crucial para os planos de expansão global da Amazon. No entanto, assim como na China e na Índia, onde enfrentou forte competição, a Amazon está recuperando o tempo perdido.

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A gigante norte-americana entrou devagar no Brasil em 2012, com livros eletrônicos e físicos e, então, filmes via streaming, em um mercado de rápido crescimento do comércio eletrônico.

Em outubro do ano passado, a maior varejista do mundo abriu um markeplace no Brasil, plataforma para outros vendedores em seu site, para uma gama de produtos físicos.

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As ações da Magazine Luiza, da concorrente B2W,e do Mercado Livre, caíram quase 20 por cento com a notícia, mas se recuperaram rapidamente nas semanas seguintes.

Os papéis dessas empresas continuam subindo este ano, conforme a economia brasileira retoma o crescimento e as empresas adotam estratégias que poderiam ter sido tiradas da própria agenda da Amazon.

O bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann e sócios da 3G Capital, fundo de investimento por trás da fusão Kraft Heinz, investiram pesado na B2W por meio da Lojas Americanas. Esse apoio permitiu que a B2W investisse agressivamente em logística própria, marketplace e integração das operações com a Lojas Americanas.

A B2W usa o nome “Prime” para seu clube de compras com entrega rápida por meio de anuidade, o mesmo nome usado pela Amazon para um serviço semelhante em outros mercados. No Brasil, a Amazon usa Prime apenas para seus serviços de streaming de vídeo.

O Mercado Livre, fundado em Buenos Aires há duas décadas, replica o modelo de marketplace do eBay na América Latina e se segurou contra a Amazon no México. No Brasil, o Mercado Livre lidera as vendas online, segundo a empresa de pesquisa Euromonitor, e sua unidade cresceu 80 por cento no ano passado, gerando quase 60 por cento da receita líquida.

Varejistas brasileiras também estão recebendo ajuda do Vale do Silício. O Google, da Alphabet, informou seus anunciantes brasileiros no ano passado sobre as incursões da Amazon em mercados como Índia e México para ajudá-los a se preparar, disseram duas pessoas com conhecimento do assunto.

A chefe de varejo do Google no Brasil, Claudia Sciama, reconheceu que clientes brasileiros tinham perguntando o que poderia significar o crescimento da Amazon no Brasil.

“O que nós fizemos é um estudo exploratório para entender como eles podem entrar em diferentes mercados”, disse Sciama, que não forneceu detalhes.

Por Brad Haynes

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