Aliados no Recife, PT e PSB voltam a trocar farpas

O clima entre PT e PSB no Recife está esquentando, apesar de integrarem o mesmo palanque; Enquanto o prefeito Geraldo Júlio (PSB) critica a gestão do seu antecessor, João da Costa (PT), por uma suposta "herança maldita", o ex-prefeito rebate as acusações para defender a sua gestão; Agora, aliados do PSB dão o troco; Diante deste cenário, assim como o PT, em 2012, o PSB pode não ficar imune de conflitos políticos, o que prejudica, sobretudo, as pretensões de Campos, eventual candidato a presidente

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PE247 – O clima entre PT e PSB no Recife está ficando cada vez mais tenso, apesar de integrarem o mesmo palanque. Enquanto o prefeito Geraldo Júlio (PSB), apadrinhado político do seu correligionário e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, critica a gestão do seu antecessor, João da Costa (PT), por uma suposta "herança maldita", o ex-prefeito rebate as acusações para defender a sua gestão. Agora, aliados do PSB na Capital dão o troco, o que estremece a relação entre as duas legendas. Escalado como um dos principais interlocutores da administração socialista no Recife, o secretário municipal de Governo, Sileno Guedes, afirma que a atual gestão tem "compromisso de quatro anos e não de sete meses" com o povo recifense. Diante deste cenário, assim como o PT, em 2012, o PSB pode não ficar imune de conflitos políticos, o que prejudica, sobretudo, as pretensões de Campos, eventual candidato a presidente da República.

O posicionamento do secretário veio após o ex-prefeito João da Costa dizer que houve uma frustração de expectativas na sociedade com relação ao governo de Geraldo Júlio. Já as manifestações do petista foram consequência das insinuações do atual gestor de que estaria governando sob uma "herança amaldiçoada". Em meio ao clima que vem esquentando, Guedes sai em defesa do prefeito.

"Eu não enxergo frustração. O governo tem avaliação positiva. Dos 195 itens do programa de governo, estamos trabalhando em 105. Temos muitas respostas para dar à população e não temos receio. Vamos cumprir o programa de governo. Ele está correspondendo às expectativas. Tem mais pessoas que aprovam do que desaprovam. Temos muito trabalho pela frente. O prefeito assumiu compromisso de quatro anos, não sete meses", declarou o secretário à Folha de Pernambuco.

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No atual quadro político, os pessebistas resolveram adotar um novo mote para defender o governo do PSB. Trata-se de um levantamento interno da prefeitura segundo o qual Geraldo Júlio teria 72% da aprovação. Além disso, chegou a circular nos bastidores que o prefeito Geraldo Júlio teria "autorizado" os integrantes de sua equipe a apontarem os principais problemas da gestão anterior.

As críticas de João da Costa à gestão do atual prefeito ocorrem num momento em que os oposicionistas também vêm apertando o cerco contra o atual governo e insinuam, a exemplo da vereadora Priscila Krause (DEM), que administração do PSB é uma continuidade da anterior, que, inclusive, tinha a legenda socialista na vice do PT– o atual secretário estadual de Governo, Milton Coelho.

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O fato é que, diante da eventual postulação de Eduardo Campos à Presidência da República, o prefeito Geraldo Júlio tem a missão de fazer do atual governo uma espécie de "vitrine" do PSB, o que alavancaria os apoios de lideranças políticas e, principalmente, de eleitores à possível candidatura do governador ao Palácio do Planalto no próximo ano. Aparentemente, o chefe do Executivo pernambucano, que tem como uma das principais marcas a aglutinação política decorrente do seu jogo de cintura, prefere deixar o prefeito junto com os seus aliados tomarem as providências para darem um ponto final nas trocas de alfinetadas.

Após assistir às consequências da maior crise política da história do PT recifense, que perdeu a hegemonia de 12 anos frente à Prefeitura do Recife (PCR), com prévias marcadas por conflitos internos, denúncias de fraudes e até ataques pessoais, Campos não estaria disposto a ver o PSB lidar com problemas políticos num ano anterior ao da eleição presidencial. Resta saber qual será a conduta do governador para não deixar a sua "vitrine" sofrer possíveis desmoronamentos, ainda que modestos.

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