Agnelo: "Respeito a CPI, mas convocação é injusta"
Governador Agnelo Queiroz reage à sua convocação, por 16 votos a favor contra 12, na CPI do Cachoeira; "a organização criminosa tentou mas não conseguiu atuar aqui. As investigações da Polícia Federal comprovam que não houve nenhum atendimento aos interesses deste grupo no GDF"
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247 – O governador Agnelo Queiroz foi surpreendido pela suas convocação à CPI do Cachoeira, feita nesta quarta-feira 30, por 16 votos a favor contra 12. E reagiu com um posicionamento político de crítica ao gesto. "Respeito do trabalho da CPI, mas a minha convocação é injusta", disse ele, no Palácio do Buriti, no final da tarde. "Uma organização criminosa tentou, mas não conseguiu penetrar no governo do Distrito Federal. As investigações da Polícia Federal comprovam que não houve aqui nenhum favorecimento a esse grupo". Ele se prepara, agora, para, quando chamado – ainda não há data – prestar todas as informações no sentido de ajudar nas investigações.
O governo do Distrito Federal divulgou uma declaração sobre a convocação. Confira na íntegra:
Declaração do governador Agnelo Queiroz sobre a convocaçãopara depor na CPMI
"Respeito o trabalho da CPI, mas é injusta esta convocação. Essa organização criminosa tentou fazer negócio no Distrito Federal e não conseguiu. O meu governo não deixou. As gravações comprovam que eu não atendi aos interesses desse grupo. Por isso, eles usaram todos os meios, tentaram me derrubar"
Abaixo, noticiário anterior de 247:
247 – PT e PMDB entraram juntos na CPI do Cachoeira. Mas, graças a uma sucessão de decisões conflitantes na comissão, parecem ter rachado de vez. Depois de os petistas terem apoiado, na terça-feira 29, a quebra de sigilo da Delta Construções em nível nacional – que pode levar à implicação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no negócios da empreiteira –, os peemedebistas descontaram no governador do DF, Agnelo Queiroz, convocado nesta quarta-feira 30 para depor.
O que os petistas aparentemente não esperavam era que o PSDB, que não se opôs à convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), acabasse se tornando o responsável por evitar a ida de Sérgio Cabral para a CPI. Cabral ficou de fora graças aos votos de três dos cinco parlamentares do PSDB – a votação ficou em 17 contra e 11 a favor.
Caso os três membros do PSDB tivessem votado pela convocação de Cabral, caberia ao presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), definir a questão – para não se comprometer, ele poderia acabar convocando o correligionário. A suspeita de acordo foi apontada pelo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). Ele disse que PMDB e PSDB "fizeram um acordo claro" para livrar Cabral, apesar de representantes de seu partido também terem votado a favor da liberação do governador do Rio.
O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), negou o acerto. "Cabral não foi chamado por um motivo apenas: não teve seu nome diretamente ligado a Cachoeira. Se isso acontecer no futuro, vamos pedir que ele venha", disse, numa clara mudança de discurso, já que, no início de maio, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) informava o protocolo de um pedido de convocação de Cabral.
O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), evitou falar em acordo, mas avisou: "mesmo aqueles que não foram chamados desta vez podem ser chamados no futuro". Devido à abertura do sigilo da Delta em nível nacional, a convocação de Cabral pode acabar ganhando corpo. Isso se, até lá, PT e PMDB ainda não tiverem voltado a se entender.
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