Agamenon Sobral, vereador da miopia eleitoral, desconhece democracia
Vereador do PP de Aracaju conclama retorno da Ditadura, ataca colegas de parlamento, como Iran e Lucimara, faz críticas nada aproveitáveis a sindicatos e agora desrespeitou o jornalista Ivan Valença; na falta de argumentos, na ausência de propostas para a cidade e demonstrando total despreparo para o cargo que ocupa, o vereador Agamenon Sobral serve apenas ao processo de descrédito do poder legislativo; como bem afirmou Ivan Valença, parlamentar precisa urgentemente aprender como funciona o poder legislativo; mas não só isso: precisa aprender a conviver em sociedade
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EDITORIAL, Sergipe 247 – Ele já defendeu o retorno da Ditadura Militar; fez críticas esdrúxulas a movimento sociais e sindicatos; atacou, sem qualquer respeito, colegas do parlamento. E, no mais recente devaneio, mirou sua verborragia, contra o jornalista Ivan Valença. O autor de tantos impropérios é o vereador por Aracaju, Agamenon Sobral (PP), que denominou o jornalista de “mentiroso e desinformado”. E por que o parlamentar disse isso? Justamente, porque Ivan Valença apontou em sua última coluna dominical, publicada no Jornal da Cidade, alguns dos muitos entreveros nos quais Agamenon se meteu na Câmara.
Ao comentário do jornalista Ivan Valença: “Na bancada de apoio a João, na Câmara Municipal, o vereador Agamenon Sobral vem se destacando pelo papel de “brucutu” que desempenha. Esta semana ele se pegou com o líder da oposição, Iran Barbosa, porque queria um aparte de qualquer jeito, embora Iran tivesse prevenido, logo no início, que não pretendia dar apartes para não quebrar a sua linha de pensamento. Mesmo assim, ele continuou a insistir no pedido de aparte até que Iran perdeu a calma e insistiu para que a Mesa garantisse sua palavra, do contrário teria que bater nas portas da Justiça para valer o seu direito de falar. O “brucutu”, antes de Iran, fez um violento discurso contra a greve dos professores estaduais, conclamando inclusive os pais de alunos a levarem a gurizada às escolas como meio de pressionar para pôr fim à greve. Entende o “brucutu” que o ponto dos professores deveria ser cortado”.
O colunista também lembrou outra ação destrambelhada do vereador novato: “De outra vez, ele pegou uma discussão violenta com a vereadora Lucimara Passos, que só não o levou para a Comissão de Ética porque esta ainda não está formada”. E encerrou: “Muitos entreveros do “brucutu” com outros vereadores certamente vão se seguir. É preciso que alguém do seu partido, o PP, ou outros vereadores da bancada de João ensine a ele como funciona o poder legislativo”. Por isto, Agamenon foi ao plenário da Câmara na quarta-feira (12) para responder a Ivan, tentando desqualificá-lo por já ser idoso: “Este jornalista é mentiroso ao afirmar que eu desconheço o regimento da Casa. Ele é desinformado”.
Em defesa de Ivan saíram os vereadores Iran Barbosa e Lucimara Passos, além do Sindicato dos Jornalistas do Estado (Sindijor-SE). “Ivan é um profissional com uma história de trabalho séria e respeitada. No lugar de agredir, devemos buscar aprender com o acúmulo de suas experiências e respeitar seus longos anos de estrada, pelo menos foi assim que aprendi em casa”, disse Lucimara.
"Minha solidariedade ao jornalista Ivan Valença e a todos os jornalistas de uma forma geral, porque quando alguém se dirige a qualquer profissional e critica a sua capacidade por causa da sua idade age com desrespeito. É preciso ter mais respeito com os idosos, especialmente no campo do jornalismo. Esta é uma profissão em que a experiência pesa muito e não dá pra agredir estes profissionais e desmerecer as pessoas por elas estarem com a idade avançada. Podem verificar, as grandes referências no campo do jornalismo são exatamente aquelas que têm mais experiência acumulada, com todo respeito aos jovens que chegam", disse, por sua vez, Iran Barbosa.
A nota do Sindijor-SE: “repudiamos a ação do vereador que, como membro de uma casa legislativa e representante eleito pelos aracajuanos, deveria dar o exemplo, por estar vereador numa Casa plural onde, presume-se, seja espaço de debates e de ideias. Sendo assim, não deviria usar a tribuna da maneira que usou, para discordar do texto do jornalista de forma agressiva e preconceituosa, atingindo não só o profissional, mas toda uma categoria e também a população idosa, ao reputar à idade do jornalista, que é um idoso, o motivo por estar produzindo supostas inverdades em sua coluna, presumindo, no seu raciocínio, que o mesmo já não pode ser jornalista. Um disparate sem tamanho, ainda mais se tratando de um profissional que lida com informação e saber, que só se enriquecem e se aprofundam com a maturidade”.
Lembrou ainda o sindicato que “infelizmente, tem sido recorrente no Estado a agressão aos profissionais da comunicação, em especial a jornalistas”. “Atualmente vivemos em um estado democrático de direito onde a liberdade de expressão deve ser assegurada e a integridade dos profissionais de comunicação garantida. Alguns empresários e políticos sergipanos têm dado maus exemplos, pois, ao se sentirem atingidos pelos textos de algum jornalista que não comunga das suas ideias e pretensões, acham-se no direito de agredi-lo e até ameaçá-lo”, ressaltou.
E voltou ao alvo principal da nota: “o vereador Agamenon Sobral tem chamado a atenção da sociedade aracajuana e sergipana ao usar da tribuna, em várias oportunidades, para clamar, com fervor e saudosismo, pelo retorno da ditadura militar, que perseguiu, torturou e matou brasileiros no período de 1964 a 1985, e também para agredir trabalhadores em luta por melhores condições de trabalho e de salário, a exemplo das suas maldosas intervenções na Câmara de Vereadores para destratar a luta dos professores da rede estadual e da rede municipal de Aracaju e dos médicos”.
Na falta de argumentos, na ausência de propostas para a cidade e demonstrando total despreparo para o cargo que ocupa, o vereador Agamenon Sobral serve apenas ao processo de descrédito do poder legislativo. Suas intervenções são vazias, são agressivas e destoam justamente do modelo político vigente pelo qual ele foi eleito representante do povo. Na democracia, parece não saber o vereador, há espaço para manifestações sociais, para greves, para diversidade de opiniões, com as quais Agamenon Sobral transparece, sem cerimônia, seu total desconforto.
Alçado ao mandato de vereador com apenas 1.616 votos, em decorrência da miopia da legislação eleitoral, o parlamentar do PP passa a impressão, como bem afirmou Ivan Valença, que precisa urgentemente aprender como funciona o poder legislativo. Mas não só isso. Precisa aprender a conviver em sociedade, na República Brasileira, baseada nos pilares do Estado Democrático Brasileiro, que tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
Foto: Andressa Barreto/CMA
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