Aécio ressurge com inferno astral petista
Senador envia projeto de lei para contrapor-se ao projeto de Dilma para a conta de luz, critica a política econômica, articula com Alckmin para aproximar-se dos paulistas e defende ida de Marcos Valério ao Congresso. Aécio Neves, enfim, entra no jogo pela sucessão de Dilma -- e, maior novidade, não mais se esforça para esconder isso
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Heberth Xavier _Minas 247 - O senador Aécio Neves está animado. Depois da má performance de seu PSDB nas eleições municipais, ele e seu partido enfim receberam “boas” notícias para a disputa eleitoral daqui a dois anos. O inferno astral de Lula e do PT foram a injeção de ânimo para Aécio ressurgir -- agora, mais concentrado e decidido. O senador mineiro está marcando o governo Dilma sob pressão.
Nesta quarta-feira, ele tentava livrar-se da pecha de torcer contra a redução da conta de luz -- como se sabe, Aécio articulou a resistência dos tucanos ao projeto de lei do governo federal que, na prática para o consumidor, significará redução da tarifa de energia.
Sabendo disso, o ex-governador mineiro apresentou projeto zerando as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a conta de luz dos brasileiros. A medida garantiria queda de pelo menos 9,25% na conta de luz em 2013. Não mexe nos impostos estaduais -- que são os grandes vilões da tarifa --, mas, de qualquer modo, traz Aécio também para esse campo.
O neto de Tancredo Neves não para de articular-se politicamente. Também na quarta, ligou para o governador paulista e companheiro tucano Geraldo Alckmin. Vem de São Paulo, como se sabe, os maiores obstáculos, dentro do PSDB, à candidatura Aécio.
Nos últimos dias, ocupou a mídia falando grosso com o governo Dilma. Aliás, mandou recado aos colegas de partido que o inimigo, em 2014, chama-se “Dilma”, não “Lula”. Aproveitou a divulgação do “pibinho” e centrou fogo na economia. Agora, volta-se também contra o PT, partido que deveria, na sua opinião, estar “de luto” depois das últimas denúncias.
Até o mensalão, que até há pouco era evitado diretamente por Aécio, passou a figurar em sua fala. O senador de Minas sabe que, em última análise, a relação de Marcos Valério com o PSDB do estado é mais antiga. Não é bom, assim, cutucar a onça.
Mas o ex-governador mineiro foi um dos defensores do convite a Valério para falar no Congresso. Para o publicitário, já condenado e com pouco a perder, uma boa relação com a oposição pode ser o caminho para obter uma redução de pena significativa.
Para quem era elogiado ou criticado -- dependendo de onde vinha a análise -- justamente por não se apresentar diretamente ao debate, Aécio surpreende. Certamente recuará em alguns momentos, raposa política que é. Mas entrou no jogo e, talvez até mais importante, não mais esconde isso de ninguém.
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