“Aécio não fará baixaria, mas falará de projetos”
Em entrevista exclusiva ao 247, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), principal articulador político do grupo aecista, garante que, em 2014, campanha vai se distanciar de temas como aborto ou questões pessoais. “Aécio não se reuniu em pleno pós-Natal com economistas à toa. Estamos construindo um projeto alternativo para o país”
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Heberth Xavier_247 - Nada de aborto, questões religiosas ou temas parecidos que marcaram a última eleição para a presidência da República, em 2010. Se o candidato da oposição for mesmo o senador mineiro Aécio Neves (PSDB-MG), a campanha em 2014 será uma disputa de projetos.
Quem garante é o deputado federal Marcus Pestana, também tucano de Minas Gerais. Em entrevista exclusiva ao 247, Pestana garante que o foco de Aécio, em seus próximos passos rumo à candidatura, serão a economia e as políticas sociais. “Queremos uma disputa de projetos, pois o Aécio tem essa característica, ele não é um radical que briga com o que tem e o que não tem para chegar ao poder”, disse Pestana. “E queremos isso porque temos projetos distintos do PT.”
O deputado mineiro é, hoje, o braço-direito do ex-governador de Minas no Congresso Nacional e nas demais articulações políticas. Presidente estadual do PSDB, ele diz que Aécio Neves está pessoalmente “muito empenhado” na construção desse projeto alternativo para o país. “Ele não reuniria em seu apartamento, em pleno pós-Natal e durante horas, economistas experientes para debater a economia brasileira e mundial”, afirmou. “Não faria isso à toa, ou seja, o PSDB vai construir um projeto e apresenta-lo à população, que escolherá o que quer.”
Veja alguns trechos da conversa com o 247:
AÉCIO POLÍTICO
“Estou na vida pública desde há muito tempo, e nunca vi uma pessoa com a noção do timing político como a que o Aécio demonstra. Ele administra o tempo na hora certa, é impressionante. Sabe ter paciência para esperar e, na hora de agir, faz sem pestanejar”
REUNIÃO COM ECONOMISTAS
“O Aécio fala por sinais. Aliás, ele costuma dizer que, na política, muitas vezes os sinais valem mais do que mil palavras. Então você vê: por que alguém se reuniria, em pleno pós-Natal, durante horas, com economistas importantes, para discutir a economia brasileira e mundial? Porque o Aécio está pessoalmente empenhado em pensar alternativas para o Brasil ficar melhor no cenário econômico. Depois do PIB decepcionante deste ano, e das expectativas ruins para o futuro próximo, o Brasil precisa repensar-se nessa área”
(clique aqui e leia mais sobre a reunião de Aécio com Arminio Fraga, Edmar Bacha, Pedro Malan e Fernando Henrique Cardoso)
DENUNCISMO
“A corrupção existe no país, é preocupante como se espalhou e demonstra uma forma patrimonialista de ver o estado. A população se preocupa com isso, mas temos de ter claro que isso não está no centro decisório dela. Ela quer viver bem. Apenas 10%, ou 15% dos eleitores votam ideologicamente. O resto quer apenas melhor a vida, o que é absolutamente legítimo. E o Aécio tem essa noção. Sabe que vai ganhar a eleição se mostrar seus predicados pessoais, e convencer o eleitor que há um projeto diferente, e melhor, para o país. As pessoas precisam sentir que nosso projeto é melhor”.
2014
A Dilma continua popular, claro. Mas porque há uma sensação da população que ainda é favorável a seu governo. A questão é: isso vai continuar? Não torcemos contra, mas há erros na condução do país que podem nos custar caro. Tem muita coisa que não está andando, os estímulos do governo à economia não estão surtindo efeito, e o PIB decepcionante deste ano reflete isso. E, no futuro, em 2014, por exemplo, essa percepção favorável ao governo Dilma pode ser atingida.
POLÊMICA DA ENERGIA
Esse é um bom exemplo. No início, a população pode estranhar nossa posição, achar que somos contra a conta de luz mais barata. É claro que não. Mas há uma questão de responsabilidade com o país. E acho que a sociedade vai entender que está sendo cometido um erro quando os apagões se generalizarem, que é o que, aliás, começa a ocorrer. Essas coisas vêm com o tempo, mas podem comprometer uma sensação favorável ao governo que existe hoje”
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