ACM se desgarra da velha direita

Aguns dirão que a avaliação é precoce, mas merece destaque a postura do prefeito de Salvador, o jovem 'conservador' de 33 anos, ACM Neto, do DEM; sem sectarismo, ele se aproximou do governador Jaques Wagner, do PT, rompendo, assim, com dogmas do passado; aberto a todas as forças políticas, rejeitou o sectarismo do PSDB e já começa a costurar alianças com partidos de esquerda, como o PDT

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Romulo Faro - Bahia 247

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), tem posto por água a baixo todas as expectativas da chamada oposição raivosa da Bahia e, quiçá, do Brasil. E também dos partidos de esquerda.

Na campanha de 2012, seu principal adversário, o petista Nelson Pelegrino (PT) - derrotado pela quarta vez na disputa pela gestão da capital baiana, foi um dos que mais levantaram a discussão de que o democrata de 33 anos traria de volta à Bahia as velhas práticas do falecido ACM, o 'xerife' baiano por duas longas décadas.

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PCdoB, PSB e PT, principalmente, falavam que o herdeiro do chamado carlismo traria de volta a prática da "política do chicote".

Erraram feio. Desde a campanha, na verdade.

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ACM Neto pregava sua independência na corrida eleitoral, mas dizia que conversaria com quem fosse necessário para trazer de volta o brilho da primeira capital do Brasil, a Salvador de Castro Alves, de Dorival Caymmi, de Jorge Amado, onde o poeta Vinícius de Morais ficou encantado com a tarde de Itapuã e sua água de coco.

Enfim, romantismo à parte, ACM Neto está fazendo mais do que prometeu.

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Com toda humildade possível, procurou o governador Jaques Wagner - o petista que acabou o carlismo em 2006 - para lhe levar a presidente Dilma Rousseff, sua correligionária e amiga, com quem se encontrou para pedir ajuda.

E tem sido assim. Enquanto a esquerda 'ideológica', leia-se PT (não o governador. Esse, não), PSB e PCdoB, dizia que o neto de ACM ia formar um governo duro e intolerante com o 'conservador' PSDB, o democrata procurou outra linha, a do diálogo.

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Em onze dias de governo, o prefeito 'carlista' já procurou o governador Jaques Wagner pelo menos duas vezes e, em uma delas, com humildade e cortesia, pediu ajuda para realizar a maior festa de concentração popular do planeta.

O democrata admitiu que sozinho não teria condição de realizar a festa, graças ao desastre chamado João Henrique de Barradas Carneiro (PP), que devastou Salvador durante seus oito anos consecutivos de governo (dois mandatos).

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Além do carnaval, ACM Neto já pediu ajuda ao governo do estado também para pôr o metrô, a maior vergonha da cidade, nos trilhos. O prefeito anunciou que já iniciou estudos e entregará ao Estado a gestão do metrô, que é construído há 13 anos.

Outra lição que o jovem democrata deu aos pessimistas e aos raivosos foi o anúncio da implantação do programa de cotas para o ingresso na gestão pública municipal.

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Esse, aliás, também foi um dos pontos altos de Pelegrino e da 'esquerda ideológica' durante a campanha.

Diziam que ACM Neto era contra a política de cotas para garantir acesso dos negros às universidades. Mais uma que caiu por terra.

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O prefeito do DEM e a esquerda

Difícil seria imaginar um partido de esquerda procurar o prefeito do DEM para oferecer a mão. Mas aconteceu.

O presidente nacional do PDT, ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, veio a Salvador conversar com o diretório local e com o governador Jaques Wagner sobre 2014.

Contudo, seu último compromisso, sem aviso prévio, foi uma visita ao Palácio Thomé de Souza, onde fica o gabinete do prefeito, na entrada do universal Pelourinho.

Em conversa com a imprensa, Lupi e Alexandre Brust, o presidente do PDT na Bahia, disseram que o partido, através do veterano e único representante na Câmara, vereador Odiosvaldo Vigas (seis mandatos consecutivos), não criaria problema.

"O PDT nunca será contra a cidade. Não faremos oposição sistemática. Vamos votar com o prefeito sempre que o assunto for a favor de Salvador".

Postura igual tem adotado o recém-criado PSD, PP e PRB. Os partidos não vão compor bloco da oposição. Este, por sua vez, como dito em todo o texto, será composto apenas de PT, PCdoB e PSB.

Vale destacar, PSD, PDT, PRB e PP compõem piamente a ampla e esmagadora base do governador Jaques Wagner na Assembleia Legislativa. Dos 63 parlamentares, o governador tem consigo 46.

Então, paira a dúvida. Onde está o carlismo, o qual a 'esquerda ideológica' tanto temia na campanha?

A postura do prefeito, por tabela, acaba por servir de exemplo também à direita conservadora. É inegável que ela existe.

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