ACM Neto oferece 'cachimbo da paz' a Lula e ao PT
"Eu não tenho nada de pessoal contra o ex-presidente. Acho que esse assunto, graças a Deus, foi sepultado nesta eleição. Meus adversários não poderão mais usar isso. Foi um momento da minha vida, que é normal para quem estava começando, e o momento hoje é outro", afirma o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto, sobre o episódio "infeliz" do discurso em 2005 no qual disse que seria "capaz de dar uma surra" no então presidente Lula
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Bahia 247
O prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), exaltou a vitória nas eleições municipais dos que chamou de "protagonistas" da CPI que investigou o mensalão, em 2005: Eduardo Paes (PMDB), Gustavo Fruet (PDT) e Arthur Virgílio (PSDB), além dele próprio.
Em entrevista à Folha, publicada na edição de hoje, o democrata comentou sobre o episódio, no mesmo ano, no qual disse que seria "capaz de dar uma surra" no então presidente Lula, argumentando que estaria sendo vítima de grampos.
A 'surra' foi uma das principais armas usadas pelo adversário derrotado Nelson Pelegrino, do PT; e pelo próprio Lula em toda a campanha pela Prefeitura de Salvador.
Na entrevista de ontem, ACM Neto, em bom estilo, disse que sua vitória põe fim ao assunto de uma vez por todas. Porém, com humildade, preferiu dizer que seu êxito não representa o que muitos têm especulado como 'surra eleitoral' no ex-presidente, mesmo depois de ele ter vencido o 'deus' do povo e o 'todo-poderoso' PT.
O democrata, que receberá a segunda capital mais endividada proporcionalmente à sua receita, diz que tomará medidas impopulares, logo no início da gestão, para equilibrar as finanças municipais.
Ao admitir que o DEM retoma suas forças com o comando da terceira maior capital do Brasil, ACM não se auto intitula o salvador do DEM e prefere dizer que "qualquer um" que tivesse vencido daria mais relevância ao partido. O democrata mais uma vez exaltou a figura do seu falecido avô, o ex-governador e ex-senador da República Antônio Carlos Magalhães. Abaixo trechos da entrevista.
Folha – Com a sua vitória, o DEM volta a ser protagonista na política nacional?
Antônio Carlos Magalhães Neto – Várias vezes foi preconizada a morte do Democratas, e ele está aí, vivo, e vai continuar. Qualquer que fosse o prefeito eleito da terceira maior cidade do Brasil, seu partido teria relevância. Então, pela importância de Salvador, é claro que o Democratas saiu vitorioso. Nós entramos sem nenhum prefeito de capital e saímos com dois [incluindo Aracaju/SE].
O sr. disse que ligou para o vice-presidente Michel Temer, após a apuração, para ele ser seu interlocutor no Palácio do Planalto.
Estaremos com ele nesta semana. Eu quero construir as pontes com o governo federal, tanto com o vice-presidente, quanto os ministros e a presidente. No momento certo, com o devido ritual, eu quero estar com todos eles.
O que o senhor tem a oferecer em troca?
Primeiro, um prefeito comprometido. E, no campo político, a garantia de que ambos vão poder capitalizar e ter os créditos devidos de tudo o que fizerem em Salvador. Vou saber reconhecer e aplaudir o governador e a presidente.
O sr. espera seguir os passos de nomes como o ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa [hoje governador do PR], bem avaliado mesmo na oposição?
Espero. Tenho alguns espelhos e ele é um deles. É um grande exemplo e pretendo, sim, tomar as medidas necessárias para que Salvador tenha um grande gestor. Claro, não há que se esperar que, da noite para o dia, vamos resolver todos os problemas. Com trabalho e com empenho, não tenho dúvida de que a gente conseguirá.
Como o sr. viu o avanço do PSB nestas eleições? É um possível aliado para 2014?
O PSB é um partido que cresceu, tem um grande nome nacional, que é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e acho que o Democratas tem que ter diálogos não só com ele, mas com todos os partidos.
Há rumores de que o senador Aécio Neves já o sondou para o PSDB. Há chance de o sr. ser vice da chapa dele para a Presidência, em 2014?
Aécio é meu amigo e tenho com ele uma relação extremamente próxima, mas só falo de 2014 em 2014.
Em entrevista à Folha, em 1999, o sr. disse que tinha o sonho de ser presidente da República.
A partir dessa entrevista com Mônica [Bergamo], eu aprendi que não existe pergunta mal feita, existe resposta mal dada. Então, não vou cair na sua (risos). Eu tinha 19 anos de idade.
Sua vitória, no contexto que foi, representa uma "surra eleitoral" em Lula?
(Risos) Não, veja, quem ganhou foi a cidade. Eu não tenho nada de pessoal contra o ex-presidente. Acho que esse assunto, graças a Deus, foi sepultado nesta eleição. Meus adversários não poderão mais usar isso. Foi um momento da minha vida, que é normal para quem estava começando, e o momento hoje é outro. Agora, tem uma coisa interessante: os quatro protagonistas daquela CPI hoje são prefeitos: Eduardo Paes, Gustavo Fruet, Arthur Virgílio e ACM Neto.
O sr. rejeita o rótulo do carlismo, mas diria que seu avô mais ajudou ou atrapalhou?
Deu muito mais bônus que ônus, muito mais. Se não fosse assim, eu não era prefeito de Salvador hoje. A base inicial nossa foram os eleitores que sempre admiraram o senador Antonio Carlos. Agora, a minha capacidade de construir um arco muito mais amplo, de quebrar paradigmas, foi o que permitiu que a gente construísse a nossa vitória.
O grito na festa da vitória, no seu comitê, foi "Ô, ACM voltou!" ACM voltou?
Rapaz, veja bem... Já não tenho mais idade para cair em pegadinha. O que posso dizer a vocês, é o seguinte: nós vamos iniciar um novo momento na politica de Salvador e meu governo vai ser o governo de todos. Dos carlistas e dos não carlistas.
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