ACM Neto e Pelegrino trocam farpas em debate
No primeiro confronto televisivo do segundo turno, os candidatos à Prefeitura do Salvador ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) escolheram o tema 'corrupção' para esquentar os ânimos; o petista lembrou até que o ex-governador Antônio Carlos Magalhães tinha boa relação com seu correligionário José Dirceu, que já foi condenado por todas as acusações do 'mensalão' pelo STF; "Quem andava muito ligado a José Dirceu era o senador Antônio Carlos Magalhães", disse o petista
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Bahia 247
O primeiro debate televisivo entre os candidatos que disputam a Prefeitura do Salvador no segundo turno, ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) começou morno, mas esquentou nos questionamentos de tema livre. No início, tal qual no primeiro turno, questionamentos e considerações que muito pouco interessam o eleitor foram predominantes.
ACM Neto, para justificar a 'necessidade' de ser eleito, usa como fator predominante a "má" gestão que o governador Jaques Wagner, do PT, tem feito.
Pelegrino mais uma vez resolveu cansar os telespectadores com o exaustivo discurso petista do "alinhamento", tese na qual todos os candidatos do Partido dos Trabalhadores usaram Brasil a fora para tentar convencer o cidadão de que o prefeito de uma cidade precisa ter alinhamento político partidário com o governador do estado e com a presidente da República para fazer uma boa gestão. Se o prefeito for de partido de oposição, segundo os petistas, sua gestão tem tudo para ser um desastre.
No segundo bloco o debate ficou mais animado, pois os candidatos questionaram entre si temas livres e trocaram farpas. O primeiro a perguntar foi o democrata. "Por que o senhor fracassou na tentativa de combater o crime organizado?", questionou em referência à atuação de Pelegrino à frente da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos no governo Wagner.
Pelegrino não respondeu e preferiu dizer que "o time que está perdendo" na Bahia não é o dele, mas o de Neto, e desviou completamente o foco do questionamento para dizer mais uma vez que ACM Neto é aliado ao prefeito João Henrique (PP). Enfim, sobre a pergunta do democrata, Pelegrino se limitou a dizer que "Ao contrário dele (Neto), que só administrou negócios da família, eu fiz administrações bem qualificadas".
O postulante do DEM replicou e disse, olhando para as câmeras, que o petista tentou esconder sua experiência como titular da pasta.
Na tréplica, Nelson Pelegrino afirmou que ACM Neto precisa assumir suas relações. "Assuma o PMDB, assuma Geddel". Ele classificou a aliança do democrata com o PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima como "um filme já visto" e relacionou a atual situação de Salvador. Por fim, Pelegrino partiu em defesa do governador (que não é candidato a prefeito) ao dizer que a Bahia ainda tem problemas de segurança pública, mas que o governo tem investido "muito" no setor.
Na vez de Pelegrino questionar, ele pediu que Neto avaliasse a saúde pública em Salvador. O democrata aproveitou para atacar o PT do adversário, que comandou a Secretaria Municipal da Saúde na desastrosa administração de João Henrique. "Você se lembra que o PT indicou dois secretários de Saúde, inclusive o senhor Luiz Eugênio Portela? Sabe quem indicou? Segundo João Henrique, ele foi indicado por Pelegrino", provocou Neto ao lembrar de casos polêmicos, como o assassinato do servidor Neylton Souto, encontrado morto dentro da secretaria.
Pelegrino respondeu. "Veja que ele não faz críticas ao prefeito João Henrique. A Saúde de Salvador também era um caos na época de Imbassahy (ex-prefeito e hoje deputado federal) e também esteve nas páginas de jornais, como no caso Aldeli Rocha".
Em novo questionamento, ACM Neto perguntou a Pelegrino se era verdade os "boatos" que tem ouvido de que, se eleito, o petista acabaria o Bolsa Família. O candidato do PT retomou o questionamento anterior, sobre saúde. "Quem andava muito ligado a José Dirceu (ex-ministro do governo Lula condenador recentemente no julgamento do mensalão) era o senador Antônio Carlos Magalhães". E a questão foi parar em Brasília. "Ele não fala do mensalão do DEM. Não fala de Demóstenes, que era líder do partido dele, nem de Arruda", continuou Pelegrino, que esgotou seu tempo sem responder o questionamento do adversário.
ACM Neto insistiu sobre o Bolsa Família. "Nem se a presidente Dilma quisesse acabar, ele não poderia, porque ele está garantido na lei", afirmou o democrata. "Eu defendi a expulsão de Demóstenes e Arruda, diferente do PT", rebateu ACM Neto sobre os comentários de Pelegrino em relação à corrupção.
"Quem fazia homenagens a José Dirceu era o senador Antônio Carlos Magalhães", retrucou Pelegrino. "O prefeito dele, João Henrique, deixou de cadastrar 22 mil famílias em Salvador", acusou.
O debate esfriou um pouco no terceiro e no quarto bloco com questionamentos dos jornalistas e com perguntas de temas sorteados. No último bloco, ACM Neto e Nelson Pelegrino fizeram suas considerações finais, que sempre têm tom emotivo.
Na ordem do sorteio, o democrata foi o primeiro. Agradeceu aos aliados, à família e ao eleitor que o pôs na frente no primeiro turno. Depois dirigiu a palavra aos soteropolitanos que votaram nos candidatos que já estão fora da disputa, que votaram nulo ou que não votaram. O democrata pediu que uma nova eleição acontecesse no segundo turno, e pediu uma chance para administrar e colocar em prática seus projetos de campanha. "Escute o seu coração".
Pelegrino também agradeceu à sua família e aliados e declarou estar feliz pelo seu crescimento na campanha. O petista tentou se prevalecer do rótulo de 'candidato dos pobres' e se dirigiu à população carente de Salvador. Pelegrino disse que é "apaixonado" por Salvador e destacou a necessidade de um prefeito que governe com participação popular.
"Para nós, o Bolsa Família não é uma desculpa em véspera de eleição. Fomos nós que criamos, querem roubar a autoria do presidente Lula". O candidato do PT encerrou sua fala com o convite aos eleitores para o comício com a presença da presidente Dilma Rousseff, que acontece nesta sexta (19) em Cajazeiras.
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