A quem interessa uma divisão entre PT e PMDB?
O vereador Robson Viana (PMDB) tem criado as maiores polêmicas sobre as eleições de 2014; primeiro, ao sugerir que o prefeito João Alves Filho (DEM) seja o candidato ao Senado, na vaga destinada ao governador Marcelo Déda (PT), e, segundo, ao levantar supostas dificuldades de apoio do PT e do PSB à candidatura de Jackson Barreto ao Governo do Estado; enfraquecida politicamente, a base governista dificilmente conseguirá reverter o quadro em que se encontra atualmente, com minoria na Assembleia e com dificuldades de relacionamento entre os que integram a base; a divisão do grupo só interessa à oposição
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Valter Lima, do Sergipe 247 – A impressão que se tem diante das mais recentes declarações dadas por integrantes do PT e do PMDB é de que há um processo de esfriamento das relações entre os dois partidos. O vereador Robson Viana (PMDB) é, neste contexto, o responsável por criar as maiores polêmicas, primeiro, ao sugerir que o prefeito João Alves Filho (DEM) seja o candidato ao Senado, na vaga destinada hoje ao governador Marcelo Déda (PT), e, segundo, ao levantar supostas dificuldades de apoio do PT e do PSB à candidatura de Jackson Barreto ao Governo do Estado.
Em entrevista que concedeu na manhã desta segunda-feira (10) ao radialista Gilmar Carvalho, na Ilha FM, Robson afirmou que “na hora que é para Jackson, tudo fica mais difícil”. Ele disse ainda que é sua vontade uma aliança entre Jackson e João Alves e que está trabalhando e conversando para que isto se concretize. Ao justificar a aliança, o vereador lembrou o acordo feito entre o governador Marcelo Déda (PT) e o senador Eduardo Amorim (PSC) em 2010.
Robson foi bem objetivo: “Eu quero que todo mundo continue junto e deixe a gente encaminhar o processo. A gente não pode trabalhar com amadorismo. A eleição de 2014 será bastante difícil. Precisamos dialogar. E isso vai partir de Jackson, com o PT, o PSB, o PSD, o PDT e se puder ampliar e se fortalecer mais, melhor ainda. Irei trabalhar para que Jackson saia fortalecido”.
A entrevista que Robson concedeu nesta segunda foi motivada pelas declarações dadas pelo presidente do PT, Rogério Carvalho, ao radialista George Magalhães, na última sexta-feira (7). Lá, Rogério disse que se o PMDB não quiser caminhar com o PT e nem lhe dar a devida importância, os petistas seguirão outro caminho e poderão até mesmo lançar uma candidatura própria a governador.
Já no domingo (9), em entrevista ao Jornal da Cidade, Rogério, ao ser questionado sobre uma aliança entre PMDB, PT e DEM, disse encontrar mais dificuldades do que encaminhamentos positivos para este acordo. Segundo ele, este ajuntamento pode até ocorrer, desde que o PT mantenha seu espaço na chapa de 2014, que seria a candidatura ao Senado. Em outro momento da entrevista, curiosamente, Rogério concordou com Robson: quem deve guiar o pleito do ano que vem é Jackson. É ele o cabeça da chapa.
Jackson tem sido aquele que menos fala em público sobre as questões eleitorais. Tem agido com cautela. No entanto, mais do que isso, ele precisa acalmar os ânimos daqueles que estão dentro da sua base, a exemplo de Robson Viana. Se o vereador não lhe é porta-voz, como afirmou na semana passada, o vice-governador deveria cobrar do aliado mais cautela e cuidado em suas declarações. Da mesma forma, se não é interessante para o PT este rompimento, seus integrantes também devem baixar a guarda e defender a unidade do grupo.
Enfraquecida politicamente, a base governista dificilmente conseguirá reverter o quadro em que se encontra atualmente, com minoria na Assembleia e com dificuldades de relacionamento entre os que integram a base. A divisão do grupo só interessa à oposição. Isto é óbvio.
Tanto é assim que o líder da oposição, o deputado estadual Venâncio Fonseca (PP) já expressou, com a ironia que lhe é peculiar, sua opinião a respeito dos desentendimentos entre os governistas. “Será que se o Governador Marcelo Deda não estivesse com problema de saúde, aliados estariam rifando ele e o PT da chapa majoritária?”, perguntou hoje, através da sua conta no Twitter. Quando a ação de um grupo serve como munição para o adversário, algo não vai bem.
Na base governista, está faltando unidade. Sem a compreensão exata do atual momento político, o grupo que hoje governa o Estado só facilitará a chegada da oposição ao poder. A um ano das definições finais para o pleito de 2014, ainda é possível buscar o fortalecimento necessário ao sucesso nas urnas. Mas para isso, é preciso dialogar mais internamente e vocalizar menos para fora.
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