A pedido de senador, MEC estuda colocar escola cívico-militar em Terra Indígena

Comandado por Abraham Weintraub, o ministério da Educação estuda a proposta do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que enviou um pedido à pasta solicitando a construção de uma escola cívico-militar na Terra Indígena (TI) Moscow, em Roraima

Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro
Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)


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Igor Carvalho, Brasil de Fato | São Paulo (SP) - Em agosto do ano passado, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) enviou um pedido ao Ministério da Educação (MEC) solicitando a construção de uma escola cívico-militar na Terra Indígena (TI) Moscow, que está localizada no município de Bonfim, em Roraima, estado que representa. Desde então, a medida está sendo estudada pela pasta chefiada por Abraham Weintraub, entusiasta do modelo.

Em fevereiro, a Coordenação-Geral de Educação Indígena, Quilombola e do Campo, subordinada ao MEC, enviou um parecer ao ministro, recomendando que a comunidade seja escutada sobre a proposta. “Dessa forma, considerando o exposto acima, sugerimos que a prefeitura de Bonfim, realize a devida consulta, como prevista na Convenção 169/OIT, aos povos indígenas da Comunidade Moscow para que possam decidir sobre a adesão à proposta", diz o texto.

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O senador Chico Rodrigues admite que não escutou membros da TI Moscow antes de enviar a proposta. “Conversei com outros membros da comunidade indígena na nossa região. Baseado nessas conversas, sugerimos que fosse na fronteira com a Guiana, pois são índios instruídos. Em havendo a concordância do MEC, ela não será instalada sem a aprovação deles”, conta o parlamentar.

Sobre sua motivação para o envio da solicitação, Rodrigues explica. “Primeiro, temos que dar ocupação de qualidade para mais de 500 crianças e é preciso ensinar os valores do patriotismo a essas crianças, para que defendam nossas fronteiras", afirma,

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“É inaceitável”

Luis Ventura, membro do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na região Norte, condena a ideia. “É uma proposta inaceitável, do ponto de vista de uma educação específica e diferenciada, que é um direito dos povos indígenas e que se constrói de acordo com seus próprios projetos de vida. É bom considerar que a educação indígena em Roraima, tem um peso significativo, os povos conseguiram avançar bastante na construção de uma educação escolar indígena", afirma.

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Diego Inácio Gomes, Parixara, morador da TI Moscow afirma que a proposta não atende a necessidade da comunidade indígena. “O que é mais importante lá na comunidade é uma escola agrícola, que a gente precisa muito naquela região. Porque lá, precisamos bastante (instrução) para a agricultura familiar.”

Processo

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Após a secretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares recomendar uma visita técnica, ainda não realizada, o processo foi encaminhado para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O Brasil de Fato teve acesso aos documentos via o coletivo Fiquem Sabendo.

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