"A Dama do Mar” ganha montagem inédita em São Paulo
Clássico do norueguês Henrik Ibsen estréia este sábado no Teatro Nair Bello
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A negação ou a afirmação do desejo? Esse é um dos grandes embates de “A Dama do Mar”, peça que estréia neste sábado (30/06/12), no Teatro Nair Bello, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. O clássico texto do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) ganha montagem inédita em São Paulo pelas mãos do premiado diretor Sérgio Ferrara (“Pobre Super-Homem”, “Pororoca”, “O Casamento Suspeitoso”, dentre outros) e tradução de Valderez Cardoso Gomes. Escrito em 1888 e inicialmente intitulado “A Sereia”, “A Dama do Mar” (Fruen fra havet) pertence à fase simbolista de Ibsen e é considerado um de seus textos mais poéticos.
“A Dama do Mar” gira em torno do drama de Élida Wangel, uma mulher que se casou com um médico viúvo, pai de duas filhas e foi morar em uma pequena cidade. Dr. Wangel a ama profundamente, mas ela não sabe como amá-lo porque se atormenta com a lembrança do estrangeiro (um marinheiro) que prometeu vir buscá-la um dia para se casarem. Quando ela ainda era jovem, teve um rápido e intenso romance com este homem, quase um estranho para ela. Ele juntou seu anel ao dela e jogou-os ao mar assumindo que aquilo era um noivado para sempre e que ele voltaria um dia para buscá-la. Sem filhos, ociosa e dependente, teve apenas um filho, morto ao nascer, sua única alegria é mergulhar no mar. A atração de Élida pelo mar é símbolo de sua busca e renúncia de liberdade pessoal. A trama mostra o debate de Élida entre a resignação da vida doméstica, burguesa, ao lado de um obscuro médico de aldeia, e a aventura com um estrangeiro, desconhecido, mas que, talvez, signifique a liberdade.
“A Dama do Mar” fecha a trilogia dessa fase simbolista de Ibsen encenada por Sergio Ferrara. Em 2007, Ferrara dirigiu “O Inimigo do Povo”, em comemoração ao centenário de morte do dramaturgo. Em 2008, montou texto inédito de Ibsen, “O Imperador e Galileu”, e que contou com Caco Ciocler no elenco. “A composição de ‘A Dama do Mar’ agrada-me pela leveza, não apenas no pensamento e na descrição das imagens e das cenas, mas na composição de cada frase. O que mais me chamou a atenção em Elida foi a compreensão de que havia uma necessidade de independência para afirmar a sua escolha livre. Renunciar ao casamento, pedir o divórcio para realmente escolher livremente. Eis a grandeza de Elida. Pouco importa o que ela escolherá”, explica o diretor Sérgio Ferrara.
Para a montagem, Ferrara procurou igualmente fazer escolhas simbólicas. A cenografia e o figurino são de J.C. Serroni. A ênfase está na cor branca. No centro do palco, está um ciclorama inserido numa plataforma de madeira. Ele faz às vezes de uma ponte que leva ao mar, ao infinito. O espaço cênico busca trabalhar a sensação de infinito e imaterialidade que a cor branca sugere, realçando esse drama da fase simbolista de Ibsen. O figurino baseou-se na obra do pintor norueguês Peter Severin Kroyer (1851-1909) e é realista, para se contrapor à poesia da obra.
Serviço:
A Dama do Mar, de Henrik Ibsen. Direção de Sérgio Ferrara.
Temporada: de 30/06 a 02/09/12, sextas, às 21h30, sábados, às 21h, e domingos, às 18h
Local: Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569 – 3º Piso
Ingressos: 50 reais
Censura: 16 anos
Capacidade: 200 lugares – com acessibilidade (rampa de acesso, banheiros e elevadores)
Duração: 90 minutos
Gênero: Drama
Informações: 11 3472-2414
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