A Copa da Rússia será segura para os brasileiros?

O atentado desta segunda-feira em São Petersburgo despertou um alarme: a Copa de 2018, para a qual o Brasil foi o primeiro país a se classificar, será alvo de atentados terroristas? Diretamente envolvida em grandes questões internacionais, como a Síria, a Turquia e a Crimeia, a Rússia é, sim, um potencial alvo de atentados; no entanto, depois do ataque de hoje, Moscou recebeu uma onda de solidariedade internacional, que se contrapõe à "russofobia" que imperava no Ocidente, e as autoridades locais, assim como a Fifa, também garantiram que o país está pronto para receber os torcedores; a novidade é que todos terão que circular com uma identidade especial para entrar nos estádios e nos sistemas de transporte público

O atentado desta segunda-feira em São Petersburgo despertou um alarme: a Copa de 2018, para a qual o Brasil foi o primeiro país a se classificar, será alvo de atentados terroristas? Diretamente envolvida em grandes questões internacionais, como a Síria, a Turquia e a Crimeia, a Rússia é, sim, um potencial alvo de atentados; no entanto, depois do ataque de hoje, Moscou recebeu uma onda de solidariedade internacional, que se contrapõe à "russofobia" que imperava no Ocidente, e as autoridades locais, assim como a Fifa, também garantiram que o país está pronto para receber os torcedores; a novidade é que todos terão que circular com uma identidade especial para entrar nos estádios e nos sistemas de transporte público
O atentado desta segunda-feira em São Petersburgo despertou um alarme: a Copa de 2018, para a qual o Brasil foi o primeiro país a se classificar, será alvo de atentados terroristas? Diretamente envolvida em grandes questões internacionais, como a Síria, a Turquia e a Crimeia, a Rússia é, sim, um potencial alvo de atentados; no entanto, depois do ataque de hoje, Moscou recebeu uma onda de solidariedade internacional, que se contrapõe à "russofobia" que imperava no Ocidente, e as autoridades locais, assim como a Fifa, também garantiram que o país está pronto para receber os torcedores; a novidade é que todos terão que circular com uma identidade especial para entrar nos estádios e nos sistemas de transporte público (Foto: Ana Pupulin)


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Por Henrique Sobreira, do 247 – Nesta segunda-feira 3, às 2h30 da tarde, uma bomba explodiu na estação de metrô de Teknologicheskiy Institut, em São Petersburgo, matando 11 pessoas e deixando outras 45 feridas, segundo estimativas das autoridades locais. A apenas 75 dias do início da Copa das Confederações e a 437 dias da Copa de 2018, para a qual o Brasil foi a primeira seleção a se classificar, o atentado levanta uma questão: até que ponto a Rússia será um país seguro para os milhares de brasileiros que viajarão ao país para torcer pela equipe de Tite?

Nesta tarde, as autoridades de segurança russas já classificaram tal ação como um ato de terrorismo. Além disso, lideres mundiais já expressaram sua solidariedade ao governo russo e até mesmo o CEO da Apple, Tim Cook, escreveu seu primeiro tweet em russo para manifestar suas condolências pelas vítimas. A solidariedade internacional chega num momento importante em que muitos países no Ocidente vinham manifestando uma espécie de "russofobia" – nos Estados Unidos, por exemplo, os democratas culparam a inteligência russa por sua derrota eleitoral nas eleições presidenciais.

Nesta-segunda-feira, muitos líderes mundiais poderiam repetir a célebre frase de John F. Kennedy em Berlim e dizer "somos todos russos", o que abriria espaço para uma Copa do Mundo com menos tensões.

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No entanto, é inegável que a Rússia, país no centro da geopolítica internacional, é também um território que pode ser classificado como alvo potencial de atentados terroristas. Um dos motivos é o grande envolvimento que o país teve na guerra da Síria, ao comandar a luta contra o Estado Islâmico. Além disso, a Rússia é também um aliado estratégico do regime de Erdogan na Turquia e de países como o Irã, além de adversário do atual governo ucraniano, especialmente depois da reintegração da Crimeia ao seu território. Isso sem falar nas tensões com as antigas repúblicas soviéticas.

Medidas de segurança 

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Antes do atentado desta segunda-feira, o governo russo demonstrava segurança para o evento da Fifa e informava até que não seriam exigidos vistos para atletas e torcedores durante o Mundial. Agora, no entanto, a situação mudou. Todos os torcedores serão identificados, com um tipo de documento especial para a Copa. Esta identidade cruzará informações com dados de pessoas suspeitas de terem algum envolvimento com o terrorismo. Sem tal documento, o acesso para os estádios será impedido pelas autoridades locais. O documento já será exigido na Copa das Confederações, que acontecerá a partir de 17 de junho deste ano. 

Um comunicado oficial da Fifa a imprensa, divulgado nesta segunda-feira, informa que a entidade sediada em Zurique demonstra estar segura em relação aos preparativos da Rússia. “Com relação às preparações para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo, as autoridades locais começaram a preparar um planejamento detalhado de segurança, desde que o país foi escolhido como sede”, diz a nota. “A Fifa e o Comitê Organizador têm total confiança nos arranjos e no conceito de segurança planejados para esses próximos eventos”.

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O governo russo também ressalta que os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, realizados em 2014, provaram que a Rússia está plenamente apta a garantir a segurança de todos no Mundial. Moscou também ressalta que, da mesma maneira que a Franca conduziu a Eurocopa 2016 sem problemas de segurança, a Rússia poderá fazer ainda melhor.

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem da Reuters sobre o atentado desta segunda-feira:

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Explosão no metrô de São Petersburgo deixa 10 mortos

Por Denis Pinchuk

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SÃO PETERSBURGO, Rússia (Reuters) - Dez pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas em uma explosão que destruiu um vagão do metrô de São Petersburgo nesta segunda-feira, no que as autoridades chamaram de provável ataque terrorista.

A imprensa russa informou que a polícia estava à procura de um homem filmado por câmeras de vigilância que se acredita estar envolvido no ataque, que coincidiu com uma visita do presidente Vladimir Putin à cidade.

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Logo após a explosão que aconteceu às 14h40 (horário local), ambulâncias e caminhões de bombeiros se encaminharam à estação de metrô de concreto e vidro de Sennaya Ploschad, e um helicóptero pousou para levar um passageiro ferido.

"Eu vi muita fumaça, uma multidão indo para as escadas rolantes, pessoas com sangue", disse, à Reuters por telefone, o morador de São Petersburgo Leonid Chaika, que afirmou que estava na estação onde a explosão aconteceu. "Muitos estavam chorando."

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A Rússia tem sido alvo de vários ataques com bombas, visando frequentemente os transportes públicos. A maioria foi assumida por rebeldes islâmicos da região do Cáucaso. A rebelião lá foi esmagada em grande parte, mas especialistas em segurança dizem que a intervenção militar russa na Síria fez da Rússia um alvo potencial para ataques do Estado Islâmico.

Não houve reivindicação imediata de responsabilidade.

A Força Aérea e forças especiais russas estão apoiando a reação do presidente sírio, Bashar al-Assad, contra grupos rebeldes e combatentes do Estado Islâmico que atualmente estão sendo expulsos de seus bastiões na Síria.

A agência de notícias Interfax informou, citando fontes não identificadas, que a bomba, cheia de estilhaços, pode ter sido escondida em um vagão de trem dentro de uma pasta. O Comitê Nacional Antiterrorista disse que um dispositivo explosivo havia sido encontrado em outra estação, escondido em um extintor de incêndio, mas havia sido desativado.

A explosão aumentou os temores sobre segurança para além das fronteiras russas. A França, que sofreu uma série de ataques, anunciou medidas de segurança adicionais em Paris.

Vídeo do local do acidente mostrou pessoas feridas deitadas sangrando em uma plataforma, algumas sendo tratadas por serviços de emergência e até passageiros. Outras fugiram da plataforma em meio a nuvens de fumaça.

A explosão subterrânea abriu um enorme buraco na lateral de um vagão, e estilhaços de metal se espalharam pela plataforma. Passageiros foram vistos esmurrando as janelas de um vagão fechado. 

ESTAÇÕES FECHADAS

Autoridades disseram que o número de mortos na explosão foi 9, mas o Ministério da Saúde mais tarde revisou para 10 mortos. Alguns ficaram gravemente feridos.

Putin, que estava em São Petersburgo para uma reunião com o líder bielorusso, Alexander Lukashenko, disse que a causa das explosões ainda não estava clara e que está considerando todas as possibilidades, incluindo terrorismo.

    As autoridades fecharam todas as estações de metrô de São Petersburgo. O metrô de Moscou disse estar adotando medidas de segurança não reveladas para o caso de um ataque.

    A Rússia está especialmente atenta a rebeldes chechenos voltando da Síria e a quaisquer tentativas de retomar os ataques que assombraram o país vários anos atrás.

    Pelo menos 38 pessoas foram mortas em 2010 quando duas suicidas detonaram bombas em trens de metrô lotados em Moscou.

    Mais de 330 pessoas, metade delas crianças, foram mortas em 2004 quando a polícia invadiu uma escola do sul do país onde militantes islâmicos fizeram reféns. Em 2002, 120 reféns morreram quando a polícia invadiu um teatro de Moscou para encerrar outro sequestro.

    À época primeiro-ministro, Putin lançou uma campanha em 1999 para acabar com um governo separatista na Chechênia, região muçulmana do sul, e como presidente manteve a linha dura na supressão da rebelião.

 



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