2014: Amorim, Jackson e João já estão sendo observados, diz Rogério

Deputado federal do PT faz avaliação da disputa eleitoral de 2014; diz que João deve ser candidato e tece críticas aos seis primeiros meses da administração demista na capital; Rogério também afirma que as eleições para governo serão a oportunidade de se conhecer efetivamente Eduardo Amorim; ele reclama de lançamento da pré-candidatura de Silvio Santos à presidência do PT Estadual e diz que até o momento não foi chamado para dialogar sobre o assunto; o petista também nega que esteja trabalhando para ser o candidato ao Senado, numa eventual substituição a Marcelo Déda

2014: Amorim, Jackson e João já estão sendo observados, diz Rogério
2014: Amorim, Jackson e João já estão sendo observados, diz Rogério


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Valter Lima, do Sergipe 247 - O deputado federal Rogério Carvalho (PT) avalia que a disputa eleitoral de 2014 para o Governo do Estado terá três candidaturas: a de Jackson Barreto (PMDB), a de Eduardo Amorim (PSC) e a de João Alves Filho (PSC). Para ele, é o desempenho de cada um nas funções que atualmente ocupam que contarão decisivamente para definir quem se sairá melhor na disputa pela sucessão do Governo Marcelo Déda (PT).

“Vai ser muito dependente das capacidades e das respostas que esses políticos deram nos espaços que ocuparam. Então acredito muito mais no que cada um vai acumular até o início da disputa, dos resultados que irão apresentar, porque João vai estar em observação, Jackson pode ter a oportunidade de ser observado e Amorim está sendo observado no lugar que ele está”, diz.

Sobre o candidato da base governista, Rogério acredita que Jackson terá a seu favor o espólio de oito anos do Governo Déda e a própria disposição que possui para “fazer política”, como nenhuma outra pessoa. Sobre João, o petista avalia que o sucesso da administração de Aracaju determinará sua posição. E em relação a Eduardo, o deputado federal afirma que ele será confrontado a mostrar quem é realmente e o que defende.

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Nesta entrevista, concedida na manhã da última sexta-feira (21), no escritório do deputado em Aracaju, Rogério também lamenta a forma como parte da corrente “Articulação Unidade na Luta” lançou o nome do secretário da Casa Civil, Silvio Santos, para a disputa pela presidência do PT. E diz que se não for chamado a dialogar, para se chegar a um consenso, poderá ser levado a lançar sua própria candidatura. Ele também diz que o futuro do PT, a partir de 2015, dependerá do perfil do novo presidente da sigla. E nega que esteja trabalhando por uma candidatura sua ao Senado. 

Confira a entrevista (ainda hoje, o Sergipe 247 publicará a segunda parte da conversa que teve com o deputado federal Rogério Carvalho – neste caso, sobre a onda de manifestações que se espalhou por todo o país).

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Sergipe 247 – Como o senhor viu o lançamento da candidatura de Silvio Santos para presidente estadual do PT, quando se acreditava que o nome da corrente era o seu?

Rogério Carvalho – Eu sou da mesma corrente e, por isso, o meu sentimento foi de exclusão, o que não pode ser feito na política. Se você tem um grupo, coletivo, do qual sou militante desde 1990, e esse mesmo coletivo me fez presidente do PT, e parte deste coletivo se reúne, se intitula direção desse coletivo, excluindo metade do debate, talvez não queira fazer o debate político que precisa ser feito, que é definir conjuntamente quem é o nome. Então eu acho que foi um método equivocado.

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247 – Já conversaram com o senhor sobre este assunto?

RC – Conversaram com pessoas ligadas a mim. Comigo, eu ainda estou aguardando. Espero que chamem uma reunião do grupo, para que a gente possa discutir no grupo, na corrente, a eleição do PED [processo de eleições internas do partido], a nova direção do partido e estabelecer o perfil de quem deve ser o candidato dessa corrente. Se houver consenso em torno do nome de Silvio, do nome de quem quer que seja, eu entenderei. Agora, se não houver consenso, tem que ter muita discussão, senão é fato consumado e aí isso implicaria na definição de uma candidatura minha ou de outras pessoas do grupo que foi excluído. É natural. Se não discute, não debate, não negocia, o que é natural? A disputa. A gente quer, de todas as formas, evitar que isso aconteça.

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247 – Então, o senhor está aberto ao diálogo?

RC – Claro. Eu só serei candidato se me empurrarem pela exclusão, se me empurrarem pela falta de diálogo. Agora não abro mão de me colocar como possibilidade. Porque não discutir o meu nome na corrente? Qual o medo de abrir o debate e avaliar também o meu nome? Se é pra gente construir consenso, tem que abrir o espaço para que todos possam se apresentar. E tomar uma decisão considerando todos os companheiros que atuam e militam nesta corrente.

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247 – Essa discussão teria alguma implicação no futuro do PT em Sergipe? O que está ocorrendo agora revela problemas na unidade da sigla?

RC – Isso mostra a importância que o PT tem na sociedade, como instrumento político, pelo menos, na visão clássica. Acho, inclusive, isso não deve se refletir na disputa de 2014, mas se reflete no fortalecimento ou não do partido. Sobre 2014, as coisas estão mais ou menos definidas: Déda no Senado; Jackson no Governo, a não ser que tenha alguma mudança de percurso, que também não dá para a gente prever.

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247 – O governador Marcelo Déda está hoje em um tratamento contra o câncer. Na impossibilidade de ele não ser candidato, o senhor se lançaria ao Senado? Se fala muito sobre isso, que o senhor até já estaria trabalhando por isso. O que há de verdade e o que há de possibilidade?

RC – O que há de verdade é que eu nunca tratei de candidatura minha para o Senado e sempre que as pessoas chegam com essa discussão, eu digo que não trato deste assunto, porque o Senado já tem um candidato, que é Marcelo Déda. Primeiro, acho que é uma deslealdade tratar de uma candidatura que já tem um nome legítimo e que está passando por um problema, uma situação difícil. Então não se trata dessa questão. E depois eu tenho clareza de que acumulei condições para disputar a reeleição. A eleição para o Senado não passa pela vontade de um quadro, é uma construção, que já está feita e o nome para a vaga já está definido. Então, não cabe discussão sobre isto agora. Cabe discussão sobre reeleição e é sobre isso eu que venho tratando o tempo todo. Se colocam isso para mim como forma de evitar a disputa interna do PT, acenando como possibilidade disso ou daquilo? Já colocaram, mas eu não discuto sucessão do PT pensando em disputa majoritária. A disputa do PT é tempo real. A disputa majoritária está definida e o partido não reabriu essa discussão. Então se não reabriu essa discussão, não existe debate sobre isso comigo.

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247 – O PT não disputa eleição em Aracaju nos dois últimos pleitos. No próximo ano, não irá disputar o Governo. Como o senhor vê o futuro do partido a partir de 2015?

RC – Vai depender muito como essa disputa interna do PT vai acontecer e que tipo de liderança a militância vai escolher. Se a militância escolher uma liderança para dirigir o partido que na tenha compreensão do momento que a gente vive, o partido vai diminuir de tamanho e importância. Se o partido escolher uma liderança para representar o partido que compreenda o momento que a gente vive, que tenha a capacidade e humildade para se posicionar com um partido que tem que retomar as relações com a sociedade e sua caminhada e trajetória política, a gente pode ter um futuro não muito distante, porque tem base, tem força política e quadros políticos que podem consolidar isso.

247 – Hoje o PT tem dois deputados federais, quatro deputados estaduais. O senhor acha que mantém este número ou reduz?

RC – Depende de vários fatores. Eu aposto que a gente consiga. Quem tem mandato de deputado estadual tem também as condições da reeleição. Então é melhor do que quem não tem. Quem é deputado federal, como eu e Márcio, também acredito que tenhamos condição de lutar pela reeleição. É um quadro ainda muito indefinido. Há variáveis que ainda não estão claras, como vai se consolidar as alianças, como vão se dar as alianças proporcionais.

247 – Como o senhor enxerga a disputa pelo Governo no ano que vem? Com dois ou três candidatos?

RC – Acho que vamos ter três candidatos: Jackson, Amorim e João.

247 – Jackson sai beneficiado neste cenário, com dois candidatos adversários que disputam eleitores semelhantes, mais simpáticos à direita?

RC – Depende do desempenho de cada um. Como a gente está vendo, a política mudou muito. E o Governo Lula deu uma contribuição enorme. Os currais estão acabando e as cercas sendo derrubadas. E a liberdade começa a imperar na política. E vai ser muito dependente das capacidades e das respostas que esses políticos deram nos espaços que ocuparam. Então acredito muito mais no que cada um vai acumular até o início da disputa, dos resultados que irão apresentar, porque João vai estar em observação, Jackson pode ter a oportunidade de ser observado e Amorim está sendo observado no lugar que ele está. As pessoas vão querer saber o que ele fez de fato, quem é ele. Porque numa eleição proporcional, ainda que majoritária, porque para aquela disputa haviam duas vagas [a do Senado em 2010], não precisava colocar um contra o outro. Agora, é um contra o outro. Só tem espaço para um. Então, é preciso ver o que cada um irá produzir, de acumulação até a eleição.

247 – Jackson como governador em exercício mostrou disposição em dialogar com servidores, tem um espólio de Déda, com muita obra sendo inaugurada...

RC – Jackson tem um legado todinho do Governo de Déda, tem uma disposição para a política que eu nunca vi em ninguém. Tudo isso conta, mas como elemento para a gente avaliar qual o potencial de chegada de cada um. Jackson tem alguns requisitos que podem levá-lo a estar numa condição muito boa. João tem a prefeitura de Aracaju, tem a história dele, como é que ele vai estar? Ele vai dar respostas? Porque as cobranças para ele serão muito fortes. Aquilo que ele prometeu na eleição. Ele veio como alguém que faria tudo diferente. Ele vai fazer tudo diferente ou tudo como sempre fez? Tudo como sempre fez, ele já foi reprovado três vezes. Agora, ele ganhou a chance de fazer tudo diferente.

247 – Dos primeiros seis meses de administração em Aracaju dá para dizer que ele está fazendo diferente ou não?

RC – Ele está fazendo tudo como sempre fez. Ele vai conseguir lá na frente mudar o jeito de fazer? Se conseguir a gente tem que aplaudir, porque uma pessoa com 40 anos de política mudar o jeito de fazer é uma revolução. Mas não descarto a possibilidade. E Amorim? Vai se revelar. Não agora. Mas a eleição será um teste para ele. Tudo o que ele fez ou não fez vai aparecer.

 

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