20 anos depois, servidores são exonerados após anulação de concurso

Mais de 100 servidores do município de Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas, foram exonerados de quatro cargos, em resposta a um processo judicial que durou quase 20 anos; nomeações foram anuladas após a Justiça constatar irregularidades na ordem de convocação dos candidatos aprovados

Mais de 100 servidores do município de Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas, foram exonerados de quatro cargos, em resposta a um processo judicial que durou quase 20 anos; nomeações foram anuladas após a Justiça constatar irregularidades na ordem de convocação dos candidatos aprovados
Mais de 100 servidores do município de Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas, foram exonerados de quatro cargos, em resposta a um processo judicial que durou quase 20 anos; nomeações foram anuladas após a Justiça constatar irregularidades na ordem de convocação dos candidatos aprovados (Foto: Voney Malta)


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Alagoas 247 - Mais de 100 servidores do município de Japaratinga, Litoral Norte do estado, foram exonerados de quatro cargos, em resposta a um processo judicial que durou quase 20 anos. As nomeações foram anuladas após a Justiça constatar irregularidades na ordem de convocação dos candidatos aprovados. 

Por telefone, o procurador geral do Município, Emanuel Valença, conversou com a reportagem sobre o trâmite processual, cujo resultado deixou a cidade em clima de luto e revolta, levando em conta a perda de 104 funcionários que "dedicaram todos os esforços para o desenvolvimento do Município".

Conforme relatou Emanuel, o concurso público foi realizado ainda em 1998, na gestão do prefeito Celso Ramalho, para o preenchimento de vagas em vários cargos. No mesmo ano, houve a convocação e nomeação dos aprovados. Porém, em 1999, alguns candidatos que não haviam sido chamados denunciaram à Promotoria de Justiça de Maragogi irregularidades no certame, com algumas pessoas sendo nomeadas à frente de outras que haviam sido aprovadas nos primeiros lugares. 

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"No caso, a denúncia alegava preterição de algumas pessoas em relação a outras. Pelas informações que constam nos autos do processo de mais de mil páginas, o prefeito - à época - havia nomeado candidatos por critérios subjetivos, com conotação meramente política. A partir daí, a promotoria instaurou um inquérito civil público no mesmo ano, ouvindo moradores e outras testemunhas, ingressando na Justiça com uma ação de improbidade administrativa contra o gestor. Já na sentença, o juiz de Maragogi decidiu anular as nomeações de quatro cargos: Auxiliar de Contabilidade, Agente Arrecadador, Gari e Serviços Gerais. Outros, no entanto, não foram alvos da Justiça", explicou o procurador. 

O ex-prefeito Celso Ramalho, por sua vez, ingressou com um recurso de apelação no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), mas, em 2004, a Corte manteve a sentença de primeiro grau. A decisão não foi cumprida e o processo ficou parado até o ano de 2013, conforme ressaltou Emanuel Valença. 

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"Só em 2013, o processo voltou ao município, já na gestão de outro prefeito; mas, mesmo assim, a decisão não foi cumprida nem houve recurso devido a supostos problemas de gestão. Neste ano, quando assumimos, o prefeito Júnior Loureiro foi intimado da decisão e, ainda, entramos com um embargo de declaração em Maragogi, porém, o MP opinou pela manutenção da decisão e o juiz também manteve os seus efeitos", assinalou o procurador geral. 

Com a última decisão judicial, o processo transitou em julgado, isto é, não cabendo mais recurso. Emanuel Valença disse à reportagem que a Prefeitura foi obrigada a exonerar todos os 104 servidores lotados nos quatro cargos. 

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"Preparamos todas as portarias de exoneração e, no último dia 5, os funcionários públicos deixaram os cargos. Infelizmente, tivemos que cumprir, porque, além de ser decisão da Justiça e não caber mais recurso, o juiz estipulou multa de dez mil reais, por dia, em caso de descumprimento. O clima, na cidade, é de tristeza, luto, indignação, revolta. Funcionários que doaram suas vidas ao Município, criando seus filhos e pagando todas as despesas, estão desempregados", disse o procurador geral, declarando que a carência de servidores tende a aumentar com a exoneração. "Se já havia deficiência no quadro de pessoal, imagine agora. Precisamos fazer concurso pública com urgência". 

Com gazetaweb.com

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