Vale desaba 24% e perde R$ 72 bilhões de valor de mercado
A tragédia-crime do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) que causou um rastro de destruição ambiental e dezenas de mortes levou a uma derrocada dos papéis da Vale e de sua holding, a Bradespar; com essa queda de 25%, a Vale perdeu cerca de R$ 72,77 bilhões de valor de mercado; volume negociado também foi bastante expressivo, de R$ 8,147 bilhões, oito vezes a mais do que o giro financeiro negociado nos últimos 21 pregões e cerca de um terço do negociado na bolsa brasileira durante toda a sessão desta segunda-feira
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Do Infomoney - Esta segunda-feira (28) marcou a sessão em que o Ibovespa ficou mais longe dos tão sonhados 100 mil pontos depois de recordes seguidos na semana passada. O grande motivo para pressão neste pregão foi a ação da Vale (VALE3), que desabou 24,52% com os desdobramentos da tragédia ocorrida em Brumadinho por conta do rompimento da barragem do complexo do Feijão.
Diversas casas de análise revisaram as recomendações para a Vale após o desastre, enquanto a S&P colocou o rating da companhia em revisão.
Além disso, as ações da Petrobras também registraram baixa, em meio à forte queda do petróleo. Por outro lado, a Ambev sobe após o Goldman Sachs reiterar compra, enquanto o banco Inter segue em forte queda após o balanço do quarto trimestre.
Vale (VALE3 -23,46%), Bradespar (BRAP4 -23,86%) e siderúrgicas
A tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho (MG) que causou um rastro de destruição ambiental e dezenas de mortes levou a uma derrocada dos papéis da Vale e de sua holding, a Bradespar. Com essa queda de 25%, a Vale perdeu cerca de R$ 72,77 bilhões de valor de mercado. O volume negociado também foi bastante expressivo, de R$ 8,147 bilhões, oito vezes a mais do que o giro financeiro negociado nos últimos 21 pregões e cerca de um terço do negociado na bolsa brasileira durante toda a sessão desta segunda-feira.
Depois do rompimento da barragem, diversas casas de análise passaram a revisar a recomendação para os papéis da companhia, caso do Jefferies, Macquarie, HSBC e do BMO, que reduziram a recomendação de compra para o equivalente à manutenção. Os papéis estão sob revisão de recomendação pelo Bank of America Merrill Lynch.
Vale destacar que a agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou a Vale em CreditWatch com implicações negativas, dizendo que a empresa poderia enfrentar multas e a possível perda de sua licença para operar na região afetada pelo rompimento da barragem.
Durante o fim de semana, diversas decisões de bloqueios e sanções pelo acidente foram tomadas, que já somam R$ 11,3 bilhões. Juízes acataram os pedidos de indisponibilidade e bloqueio do valor total de R$ 11 bilhões e determinaram que a companhia "adote as medidas necessárias para garantir a estabilidade da barragem VI do Complexo Mina do Córrego do Feijão, se responsabilize pelo acolhimento e integral assistência às pessoas atingidas, dentre outras obrigações", informou a empresa em comunicado.
A Vale destacou ainda que foi intimada da imposição de sanções administrativas pelo Ibama e pelo Estado de Minas Gerais de R$ 250 milhões e aproximadamente R$ 99,1 milhões, respectivamente. Os bloqueios dos recursos da Vale representam quase metade do seu caixa no fim de setembro, de R$ 24,4 bilhões no caixa.
Vale destacar que os contratos futuros de minério de ferro da China saltaram na madrugada desta segunda-feira em meio a preocupações sobre a oferta, uma vez que inspeções de segurança em outras operações da Vale podem afetar a produção da mineradora de forma mais ampla. O futuro de minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian subia 2,71%, a 550,50 iuanes.
As ações de siderúrgicas também registram queda, com destaque para CSN (CSNA3 -4,53%), enquanto Gerdau (GGBR4 -1,06%) e Usiminas (USIM5 0%) registram um movimento menos negativo. A CSN foi especialmente impactada uma vez que os investidores mostram receio com riscos de eventuais complicações em barragens da siderúrgica. A CSN é dona da mina Casa de Pedra, que fica em Congonhas (MG). A companhia enfrenta um alto endividamento e, em caso de pagamento de multas, não teria condições de arcar com seus compromissos.
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