Tombini estima crescimento de 4% no quarto trimestre do ano

A comparação é com igual período do ano passado; previsão baseia-se em fatores como a sustentação da demanda doméstica, redução da taxa básica de juros e flexibilização das regras de recolhimento compulsório

Tombini estima crescimento de 4% no quarto trimestre do ano
Tombini estima crescimento de 4% no quarto trimestre do ano (Foto: Jose Cruz/Agencia Brasil)


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Agência Brasil – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse hoje (19) que o Brasil vai crescer a um ritmo de 4% no quarto trimestre do ano, na comparação com igual período do ano passado. E que no primeiro semestre de 2013 a taxa de crescimento será acima de 4,5%.

Segundo Tombini, essa trajetória baseia-se em fatores como a sustentação da demanda doméstica, redução da taxa básica de juros e flexibilização das regras de recolhimento compulsório, que, de acordo com o presidente, melhora as condições de liquidez do sistema financeiro.

"A perspectiva de crescimento da economia brasileira é positiva. O crescimento irá se acelerar ao longo dos próximos trimestres. Nosso sistema financeiro é sólido, bem capitalizado, com níveis elevados de liquidez, provisão bem acima da média das principais economias avançadas e emergentes". Tombini participou de debate, na capital paulista, promovido pela revista Istoé Dinheiro, com quatro ex-presidentes do BC: Pérsio Arida (1995), Gustavo Franco (1997 a 1999), Armínio Fraga (1999 a 2003) e Henrique Meirelles (2003 a 2011).

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Dentre os fatores que permitem a sustentação da demanda doméstica no país, Tombini destacou a geração de empregos e renda. "A economia brasileira continua gerando empregos e renda. Nos últimos 12 meses foram criados quase 1,4 milhão de novos postos de trabalho. A renda real do trabalhador permanece em ascensão. E isso se deve, dentre outros fatores, a queda da inflação".

A perspectiva, de acordo com Tombini, é a de declínio da inflação. "O crescimento econômico tende a se materializar em um cenário de inflação em queda. A inflação ao consumidor, após alcançar 7,3% em setembro de 2011, vem recuando e atingiu 4,99% em maio deste ano. Uma desinflação significativa em um espaço de apenas nove meses. Para 2012, a taxa deve ficar em 4,2%".

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O presidente do BC destacou, ainda, que as medidas tributárias adotadas pelo governo federal também devem favorecer o crescimento. Ele citou a desoneração da folha de pagamentos e dos investimentos em ferrovias e redes de telecomunicação. "Além disso, está sendo estudada a desoneração do preço da energia elétrica, que irá gerar resultados positivos em importantes segmentos produtivos".

Para Tombini, esse crescimento estaria sustentado no consumo. "As profundas transformações estruturais observadas nos últimos anos, combinados com elementos que garantem a sustentação da demanda doméstica e importantes estímulos introduzidos, indicam haver ainda espaço para ampliação do consumo".

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Para o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, é preciso aguardar para avaliar os resultados das medidas de incentivo tomadas pelo governo. "Tendo a olhar com realismo. Um dos fundamentos do Brasil é ter uma economia equilibrada e crescendo a taxas compatíveis com o seu potencial. Não vemos um país crescendo muito acima do seu potencial, criando um desequilíbrio. Não há país imune a crise".

Armínio Fraga, por sua vez, considera que as condições econômicas no país são boas para administração da crise. "Mas não dá para evitar totalmente os efeitos [da crise]. Do ponto de vista conjuntural, o governo tem dado as respostas adequadas. O que falta é uma discussão de como manter o crescimento no longo prazo. Isso vai desde capacidade do próprio governo em investir, conseguindo mais espaço no Orçamento, até investimentos do setor privado".

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