Tijolaço: alta no emprego? Quem quiser se enganar, que se engane

O jornalista Fernando Brito, do blog Tjolaço, desmonta a ideia de que o emprego estaria crescendo, como prega o governo Temer; ele analisa os dados apresentados no Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e mostra que os empregos só cresceram na agricultura por conta da sazonalidade da safra do meio do ano

A colheita da safra de grãos de verão 2012/13 no Paraná entrou em ritmo acelerado e revela lavouras com alta produtividade. A pesquisa mensal do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), referente ao mê
A colheita da safra de grãos de verão 2012/13 no Paraná entrou em ritmo acelerado e revela lavouras com alta produtividade. A pesquisa mensal do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), referente ao mê (Foto: Charles Nisz)


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Fernando Brito, do Tijolaço

Os números oficiais do Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho são para colocar pulga atrás de qualquer orelha.

O emprego cresceu pelo terceiro mês seguido!

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Onde?

Pode olhar os dados na planilha oficial e você verá que o crescimento se dá pela agricultura.

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96 mil empregos a mais, de fevereiro para junho!

Isso representa um crescimento de mais de 6% na força de trabalho em apenas 4 meses, e na “roça”!

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É o caso de saber se estão pegando trabalhador a laço e se os caminhões bóias-frias lotam as estradas do interior. porque a agricultura emprega, em todo o país, apenas 1,65 milhão de pessoas.

Como não estão, o nome disso é safra, em bom português.

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Os serviços, que empregam dez vezes mais, quase 17 milhões de pessoas,   tiveram uma modesta elevação de 2.300 vagas no mesmo período. Ou seja, nada.

No comércio, que dá trabalho formal a quase 9 milhões de brasileiros, em tempo igual, perderam-se quase 43 mil empregos!

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Na indústria, que emprega um pouco menos que o comércio (somando a extrativa e a de transformação) assina perto de 7,5 milhões de carteiras e que foi “melhorzinho” este ano , só criou 6,5 mil vagas de fevereiro a junho, 0,1%!

Com um esforço cívico para acreditar nos números do Caged e uma boa vontade de Irmã Paula para interpretar os dados, só um energúmeno pode dizer que isso indica uma recuperação do emprego que está sendo medido – lá vai minha boa-vontade – com base em um setor que emprega apenas 4,17% da força de trabalho nacional e está sujeito muito mais a fatores sazonais que a qualquer outra coisa.

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O Governo Temer, que em tudo vai se tornando igual ao de Sarney, bem que poderia adotar o bordão do bigodudo: “isso tem que dar certo!”

Mas pode anotar aí que o “jênios” da economia, amanhã, nos jornais, vão aparecer comemorando a “retomada” do emprego, até que cheguem os números do IBGE para repor ordem na farra e mostrar que, na melhor das hipóteses, o bicho continua feio igual.

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E não é adivinhação, não, é só olhar os números e ver que reação não há na criação de postos de trabalho.

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