Tempos de transparência
A gestão Graça Foster vem encarando os problemas da Petrobras e trabalhando de forma mais cuidadosa e realista com as metas estratégicas e as projeções de investimento e produção, antes infladas artificialmente
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Nos próximos dias receberemos em audiência, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster. Ela vai falar sobre o novo Plano de Negócios da empresa.
Há pelo menos dois subtemas para serem abordados na ocasião: papel estratégico da Petrobras para a nossa economia e a urgência de uma gestão profissional da máquina pública.
Tudo indica que os novos rumos impostos à Petrobras pela atual direção podem servir como bom exemplo nesse sentido. Aliás, já vem se tornando comum a expressão "nova Petrobras".
A gestão Graça Foster vem encarando os problemas da empresa e trabalhando de forma mais cuidadosa e realista com as metas estratégicas e as projeções de investimento e produção, antes infladas artificialmente – não é por menos que há anos as expectativas de produção acabam frustradas.
Há que se considerar que foi preciso boa dose de coragem para frear os investimentos e ajustar as metas de produção no Plano de Negócios 2012-2016. Em vez de 3,5 milhões de barris/dia, como previsto no plano anterior, a meta agora é produzir 2,5 milhões de barris/dia.
Há tempos a Petrobras vem amargando uma queda considerável de fluxo de caixa, lucratividade e valor de mercado – as ações da empresa têm sido negociadas em Bolsa por 70% de seu valor patrimonial.
O foco dos 236.5 bilhões de dólares de investimentos até 2016 passa a ser exploração e produção. Projetos atrasados, que já somam quase 28 bilhões de dólares, só receberão novos recursos depois de reavaliados.
De qualquer forma, é preciso conhecer em detalhes como e onde serão aplicados os recursos da empresa. É preciso discutir, também, a redução dos investimentos em biocombustíveis – um passo atrás, num momento em que o mundo todo discute a importância da energia verde, ou seja, da energia sustentável.
Destaco, ainda, outro ponto positivo do novo Plano de Negócios da Petrobras: a inclusão de um programa de otimização de custos para reduzir gastos – medida que seria óbvia, em qualquer empresa, em qualquer instituição ou órgão público em dificuldades para equilibrar seu orçamento.
É claro que o Brasil tem a ganhar e muito com o investimento na indústria nacional, internalizarão de tecnologia e de receitas. Fica a dúvida sobre o cumprimento de prazos, a qualidade e os custos do material a ser fornecido.
Outro assunto polêmico em pauta são os subsídios aos combustíveis e o alinhamento dos preços internos aos preços internacionais. Creio ser do conhecimento de todos que o Brasil importa gasolina mais cara do que a gasolina que vende aqui dentro.
Reajustar a gasolina é colocar lenha na fogueira da inflação. E em tempo de crise internacional e de desaceleração da economia interna, alimentar a inflação seria dar um passo perigoso em direção ao pior dos mundos.
Por outro lado, manter os preços baixos artificialmente, por meio de subsídios, é condenar a Petrobras a uma anemia financeira complicada. É impor uma camisa de força à capacidade de investimento da empresa, que tem, reconhecidamente, um know how e um potencial enormes. Ainda mais em tempos de pré-sal.
Esperamos, portanto, que a audiência com a presidente da Petrobras, Graça Foster, se realize o mais rápido possível e que ela seja acompanhada com toda a atenção que o assunto merece.
Ricardo Ferraço é senador e autor do requerimento de convite à presidente da Petrobras ao Senado
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