Temos crédito

A vontade de saciar o consumo imediato ainda é latente e a sensibilidade ao longo prazo continua ausente na maioria das famílias



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Mesmo que a atividade econômica não esteja nos patamares desejados pela equipe econômica do governo federal e muito menos alinhada a nossa capacidade de crescimento, é inegável a manutenção da disposição dos consumidores em tomar crédito e comprometer sua renda futura.

A vontade de saciar o consumo imediato ainda é latente e a sensibilidade ao longo prazo continua ausente na maioria das perspectivas de planejamento familiar brasileiro.

O crédito está presente em diversas relações comerciais e ganhou contornos indissociáveis da economia desde sua concepção. Acredito que na economia brasileira, um dos principais marcos para a popularização do crédito foi o advento do crédito consignado, que surgiu timidamente ligado ao servidor público e pensionistas do INSS e depois ganhou musculatura junto as entidades privadas.

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Aliado a esta popularização do crédito, não há possibilidade de dissociarmos o momento fantástico pelo qual a economia navegava, além do cenário externo propenso a expansão do crédito.

Passada a febre desta origem de recursos, a inclusão da massa de trabalhadores ao setor formal, o crescente nível de confiança na economia e a maior oferta de produtos ampliou o ritmo do PIB em alguns anos posteriores.

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Saciado o consumo de primeiro momento, aquele imediatista e de bens de consumo não duráveis, o povo brasileiro mirou sua curva de possibilidade para os automóveis e outros bens de valor agregado mais alto. No caso dos automóveis, o setor foi um dos beneficiados pelas reduções de IPI e absorveram os brasileiros que embrenharam pela seara de crédito a perder de vista, fazendo até mesmo o Banco Central interferir no prazo de liquidação do empréstimo, que chegou a parcelamento de 80 meses, sem entrada.

Assim, tivemos uma onda em que o automóvel e o crédito dinamizaram a relação industrial do setor automotivo. Mais tarde, os tomadores de crédito inveterados foram aplacados pela redução da renda livre ao consumo e não conseguiram arcar com os compromissos.

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Rapidamente, bancos médios que tinham suas carteiras de crédito muito ligadas ao financiamento de carros venderam suas posições e outros bancos grandes assumiram uma postura mais restritiva devido a uma taxa de inadimplência superior ao teto histórico registrado.

Porém, neste momento nossa economia parece ter uma nova estrela: o crédito imobiliário.

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Reitero que a ampliação das possibilidades de consumo está diretamente ligada ao crescimento da renda, a estabilização econômica, ao controle inflacionário e ao nível de desemprego decrescente que, por conseguinte a ampliação das margens de crédito. Esta combinação, faz com que os brasileiros sonhem mais alto, e com itens mais caros.

Esta elevação da tomada de crédito imobiliária traz consigo um movimento de supervalorização imobiliária, que, caso não monitorado poderá desprender-se da realidade e acarretar severos prejuízos ao cenário econômico, uma vez que, o imóvel mais caro acarreta um custeio de juros mais elevado que a sua real valorização, transformando o que para muitos seria um patrimônio em uma dívida monstruosa, sem valor de revenda e com baixa liquidez.

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O fato é que, pela primeira vez, o crédito imobiliário à pessoa física rompeu o volume de crédito relacionado à compra de veículos. A notícia isolada, já representa uma alteração importante na base econômica nacional, porém, o que está por  traz de tal reação é a consolidação de uma série de fatores e agente econômicos que agora começam a materializar.

Tivemos em um período anterior um leve receio de que o volume de captação de recursos na poupança não fosse capaz de manter a corrente de capital destinado para o financiamento imobiliário. Parece que este receio foi postergado, mas comprova que houve um aumento no volume de recursos tomados via crédito imobiliário.

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Além do incentivo oferecido pelo governo federal na tentativa de se reduzir o déficit habitacional, é de se destacar a forte atuação de bancos privados no rol de financiamentos, liberando e injetando recursos importantes na potencialização do setor. Ressalva-se ainda a atuação de bancos que financiam as obras desde suas plantas e atrelam o pagamento pós entrega das chaves a suas linhas de crédito, travando o consumidor a seguir com aquela linha pré-contratada.

Os produtos financeiros derivados do setor imobiliário voltaram à pauta, e cada vez mais os bancos em posse de suas carteiras imobiliárias, oferecerem produtos ao publico em geral que buscam alternativas de investimento aos tradicionais papéis de renda fixa atrelados ao CDI.

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A poupança ainda é a principal fonte de recursos para o financiamento das casas próprias, mas não podemos negar a importância dos grandes fundos de investimento imobiliários que vêem empreendendo ações incisivas no mercado e abrindo novas rotas de crescimento.

É um momento importante para avaliarmos a disposição para a tomada de crédito, e mesmo que o cenário econômico esteja em um momento de baixo crescimento, ainda existem verdadeiras tentações que ludibriam o investidor ou o tomador de crédito a não atingir sua escolha ótima, por mais utópico que isso possa parecer.

A busca por concretizar um sonho antigo não pode ser realizado na forma mais rápida e inconstante, pois a tomada do crédito imobiliário deve ser cadenciado, contido e o mais próximo a realidade do tomador. Aventuras especulativas não podem ser toleradas, e a ambição por uma valorização rápida pode despertar a mola especuladora.

A capacidade de pagamento para o tomador que deseja realizar seu sonho é fator primordial para que o sonho não se torne pesadelo, e monitorar o mercado é uma forma de se precaver as ondas altistas de preços.

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