Temer nomeia Ivan Monteiro para Petrobras no lugar de Parente

Michel Temer indicou nesta sexta-feira o engenheiro Ivan Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, no lugar a Pedro Parente, que pediu demissão nesta manhã, em meio a ataques à política de preços da estatal; em breve pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer classificou a escolha de Monteiro como uma garantia de que o rumo da estatal será mantido e de que a companhia não estará sujeita a intervenções de Brasília

Diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, é indicado para presidência da estatal
Diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, é indicado para presidência da estatal (Foto: Paulo Emílio)


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BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Michel Temer indicou nesta sexta-feira o engenheiro Ivan Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, no lugar a Pedro Parente, que pediu demissão nesta manhã, em meio a ataques à política de preços da estatal.

A rápida definição buscou acalmar investidores após as ações da Petrobras caírem quase 15 por cento com a saída de Parente, atribuída a uma possível interferência do governo na estatal. O movimento das ações representou uma perda de valor de mercado de cerca de 45 bilhões de reais para a estatal.

Na Petrobras desde 2015, quando foi nomeado diretor financeiro pela então presidente Dilma Rousseff, Monteiro havia sido definido pelo conselho de administração da petroleira como presidente interino mais cedo nesta sexta-feira.

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Em breve pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer classificou a escolha de Monteiro como uma garantia de que o rumo da estatal será mantido e de que a companhia não estará sujeita a intervenções de Brasília.

"Continuaremos com a política econômica que nestes dois anos retirou a empresa do prejuízo e a trouxe novamente para o roll das mais respeitadas do Brasil e do exterior. Declaro também que não haverá qualquer interferência na politica de preços da companhia", afirmou.

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Essa visão de continuidade foi aprovada por especialistas ouvidos pela Reuters, que veem Monteiro como bem qualificado para a função, enquanto fontes na Petrobras dizem que ele era o nome preferido da própria cúpula da estatal para o cargo.

"É um nome para acalmar os ânimos... foi da equipe de Parente, mas colocado antes pela Dilma. Se vai conseguir, veremos", apontou o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo Helder Queiroz.

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"Acho a escolha excelente", disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

O professor do Instituto de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida, foi na mesma linha. "É a solução mais adequada para reduzir o estrago. Ele representa uma esperança de manutenção do processo de recuperação econômica da empresa."

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Dois executivos de grandes empresas de petróleo também elogiaram a indicação de Monteiro. Eles falaram sob a condição de anonimato, porque não têm autorização para abordar o assunto com a imprensa.

INDEPENDÊNCIA EM JOGO

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O pedido de demissão de Parente foi atipicamente divulgado com o pregão aberto, o que levou a bolsa paulista B3 a inicialmente suspender as negociações das ações da companhia.

Na sequência, a petroleira divulgou a carta de demissão do executivo, na qual afirmou que sua permanência à frente da estatal "deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente".[nL2N1T30Y4]

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A saída de Parente era exigida por sindicatos de trabalhadores da Petrobras e por políticos de oposição, que criticavam a alta dos preços dos combustíveis sob sua gestão, na qual a empresa passou a praticar reajustes até diários para seguir as cotações internacionais do petróleo e o câmbio.

Mas após pedir demissão, ele acabou criticado até por políticos da base do governo Temer, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que escreveu em sua conta no Twitter que o presidente da Petrobras "precisa reunir visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política".

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O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, negou que tenha havido pressão do governo para que Parente deixasse o cargo ou para que mudasse a política de preços da companhia.

Mas o ministério divulgou mais tarde uma nota em que diz ter iniciado ainda nesta sexta-feira um "debate público" sobre a criação de uma política de "amortecimento" dos preços dos combustíveis para consumidor.

A pasta adicionou, no entanto, que tal medida em avaliação seria "algo fora da política de preços da Petrobras" e também não afetaria outras empresas do setor. A ideia, segundo o ministério, é aliviar a volatilidade trazida pela variação do petróleo no mercado internacional e do câmbio.

Para o presidente da gestora de recursos Cabot Wealth Management, sediada em Massachussets, Robert Lutts, a mudança na direção da Petrobras gerou fuga de investidores estrangeiros, que agora ficarão mais cautelosos quanto ao futuro da estatal.

"A companhia tem algum trabalho a fazer— muito trabalho— para retomar a confiança junto aos acionistas. Quando você entra em uma situação dessas, tudo é suspeito", afirmou.

Por um lado, a escolha de Monteiro por Temer deve ajudar a aliviar esses temores, uma vez que frustrou expectativas de políticos do próprio partido do presidente, o MDB, pela nomeação de um nome político para a estatal.

Mas a pressão política sobre a companhia deve seguir forte, uma vez que 29 senadores assinaram um requerimento que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a política de preços da Petrobras. [nL2N1T31Z4]

Entre os nomes que apoiam a CPI estão parlamentares de partidos governistas, como os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Maria do Carmo (DEM-SE). A criação da comissão exige ao menos 27 assinaturas.

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